|
Manuel
de Oliveira Paiva
(1861-1892) |
![]() |
Filho de João Francisco de Oliveira o Maria Isabel de Paiva. Nasceu
em Fortaleza a 12 de julho de 1861, e faleceu, na mesma cidade, em 29 de
setembro de 1892. Da sua infância pouco ou nada é sabido,
o vamos encontrá-lo, já adolescente, no Crato, ande cursou
o Seminário. Não se reconhecendo apto para a vida eclesiástica,
abandonou o Cariri, viajando em seguida para o Rio de Janeiro, no intuito
de seguir a carreira das armas. Matriculou-se na Escola Militar e ali esteve,
até que a tuberculose pulmonar o obrigou a abandonar os estudos.
Voltou ao Ceará e procurou a cura da doença nos ares sertanejos.
Experimentando melhoras sensíveis, julgou-se curado e estabeleceu-se
em Fortaleza. A esse tempo as lutas abolicionistas estavam acesas e o jovem
escritor integrou-se no grupo do jornal Libertador, do qual faziam parte
João Cordeiro, Antônio Bezerra e outros. Dedicou-se apaixonadamente
à idéia libertadora, militando na imprensa e na tribuna,
escrevendo crônicas e versos, combatendo sem tréguas, mesmo
ainda quando em terras cearenses cessara de existir o cativeiro. Contudo,
após o 25 de março de 1884, a sua atividade mental derivou,
com maior constância, para o exercício da Literatura. Foi
um dos fundadores, em 15 de novembro de 1886, do Clube Literário,
de tantos relevos nos anuais da Literatura cearense e em cuja revista “A
Quinzena” colaborou assiduamente. Extenuado pelas campanhas políticas,
pela constante atividade literária, recaiu e teve que se refugiar
nos sertões de Quixeramobim, de onde regressaria para logo morrer.
Ressurgiria, entretanto, para a glória literária com o seu
grande romance de costumes DONA GUIDINHA DO POÇO, cujo tema fora
encontrar na vida real, no drama da filha do Capitão-mor de Quixeramobim,
Maria Francisca de Paula Lessa (a Guidinha do Poço da Moita), casada
com o Cel. Domingos Vitor de Abreu e Vasconcelos, a quem, segundo a crônica,
mandou assassinar. A origem do romance foi denunciada por Ismael Pordeus,
que num trabalho admirável de pesquisa exumou documentos pelos quais
se infere que neste caso a arte imitou a vida. E assim procedendo, o romancista
realizou um grande trabalho de mimesis, pois que nada no livro denuncia
a servidão do assunto, e a que antes se lhe percebe é a legítima
obra de arte, a ficção romanesca. Morto Oliveira Paiva, os
originais do romance andaram de mão em mão, inclusive na
de José Veríssimo, que lhe iniciou a publicação
em capítulos, na Revista Brasileira (1899). Depois de uma série
de dificuldades, principalmente porque fora extraviado, quando em poder
de Lopes Filho, a Sra. Lúcia Miguei Pereira encontra o manuscrito
sob a guarda do poeta Américo Facó e promove a sua publicação
(Editora Saraiva, 1952, São Paulo), João Gaspar Simões,
referindo-se ao livro, assim se expressa: "Só Camilo, em Portugal,
teria podido ombrear com o autor de DONA GUIDINHA DO POÇO, embora,
a verdade diga-se, Oliveira Paiva lhe levasse a palma na construção
da intriga e na objetividade dos retratos". Também escreveu a novela
A AFILHADA, trabalho pouco amadurecido, o qual publicou em folhetins do
jornal Libertador (6 de fevereiro de 1889). Entre 1887 e 1888 publicou
uma série de contos em “A Quinzena”, dos quais se pode destacar
o intitulado CORDA SENSÍVEL. Publicou, ainda, outros trabalhos de
menor significação, dentre eles o romance TAL FILHA TAL ESPOSA
e mais crônicas e versos de circunstância. Começou as
suas atividades literárias escrevendo pequenas peças de ficção
para a Cruzada, um dos orgãos da Escola Militar e para a Semana,
de Valentim Magalhães. Patrono da Cadeira n.º 25, da Academia
Cearense de Letras. Por iniciativa desta Academia e organizado por Braga
Montenegro, saiu o livro CONTOS. Faleceu em 29 de setembro de 1892.
Vithor's
Home Page® - http://www.vithor.cjb.net
Copyright©
2000 - All rights and lefts reserved.
Webmaster:
Vithor
Silveira Sampaio