Machado de Assis
Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 - Rio de janeiro, 29 de
setembro de 1908
VOTE EM ----««¤ Vithor's Home Page ¤»»----!!!

 

                 Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento, na quinta da viúva do Brigadeiro Bento Barroso, ministro e senador do Império. Seu pai, Francisco de Assis, filho de “Pardos Forros”, isto é, de mulatos liberto, era um simples dourador e pintor de paredes, dado, porém a algumas leituras; a mãe, uma lavadeira açoriam; ambos tinham sido agregados da quinta da viúva Barroso, madrinha e protetora do menino. Joaquim Maria perdeu bem cedo a mãe; porém a madrasta, Maria Inês, uma preta extremamente carinhosa, continuou a ampara-lo, inclusive na alfabetização. Mas a morte de Francisco de Assis obrigou Maria Inês a empregar-se como doceira num colégio em São Cristóvão,  e Joaquim Maria, aos doze anos  ficou encarregado de vender louças. Parece, entretanto, que captava fragmentos das aulas nos instantes de lazer, lia muitos livros emprestados, e iniciava-se no francês com os franceses do bairro imperial... Na sua adolescência de pobre, circula de barca (naquele tempo, o sistema carioca de transporte urbanos, muito mais sábio do que o de hoje, utilizava abundantemente a via marítima), entre São Cristóvão e os cais Pharoux, a fim de reforçar seus magros vinténs com os serviços de coroinha da igreja da Lampadosa. No Largo  do  Roça,  “ Machadinho” descobre a livraria e tipografia de Paula Brito. Generoso e inventivo, o mulato Paula Brito, tradutor de folhetins publicava uma revista -  A Marmota Fluminense – onde colaboravam os tipos mais populares do primeiro romantismo de segunda classe, como Teixeira e Sousa e Macedo. Em 1855 acolhido por Paula Brito, Machado estreia como um poeta descabeladamente romântico, na Marmota. No ano seguinte, entra como aprendiz de  tipógrafo na imprensa nacional, ganhando um salário de fome. Mal nutrido e pior dormido, vivia lendo nas horas de trabalho, até que o chefe da oficina foi queixar-se ao diretor. Por sorte, este não era outro senão Manoel Paula Brito e a reuniões de sua sociedade “lítero – humorista”, a petalogia  e é levado pela mão de Francisco Otaviano e do condoreiro Pedro Luís, para a redação do correio mercantil. Paralelamente, procura completar sua instrução básica ouvindo as lições do curra da capela da Quinta da Boa Vista, de quem se fizera amigo. Franzino, gago e tímido, enleado pela raça e pela obscuridade de suas origens, “Machadinho” trava não obstante relações prestigiosas (o mais das vezes, como os literatos freqüentadores da petalogia): Porto Alegre, Macedo, Gonçalves Dias, M. A. de Almeida, Casimiro de Abreu e José de Alencar. Em 1860, o relacionamento que o Diário do Rio de Janeiro, órgão liberal dirigido por Saldanha Marinho, abre-lhe as portas do alto jornalismo. O redator chefe, seu amigo, Quintino Bocaiúva, convida-o a resenhar os debates do senado e a exercer a crítica teatral. Durante sete anos, Machado se revela,  no Diário  um liberal combativo, afinado com todas as grandes causas populares, o antimperialismo da Questão Christir à  campanha abolicionista. Pela mesma época, surgem nele o crítico literário, o comediógrafo e o contista, estes últimos bem românticos,  bem a gosto do tradutor de Hugo ( os trabalhadores do mar, Dickens e Dumas filho. Aos vinte e oito anos, o escritor festejado, jornalista de consideração, o molequinho do livramento começa a afirmar-se na vida; vindo residir no centro da cidade, deixa impiedosamente para trás tudo o que ainda o prendia à humildade de suas raízes.
                   Uma nomeação para funcionário do Diário Oficial, lhe traz o alívio econômico. Sua candidatura a deputado chega a ser articulada, pouco antes de ser-lhe conferida, o grau de cavaleiro, a condecoração da Ordem da Rosa. Finalmente, aos trinta anos, Machado encontra a consorte ideal na pessoa de Carolina, irmã de um amigo o poeta Português Faustino Xavier de Novais. Mais velha do que o marido, cultivada e sensível, Carolina contribuiu para orientar-lhes as leituras revelando-lhe os clássicos ingleses e aumentando a sua familiaridade com o português.
                   Em 1873, Machado, que acaba de sagrar-se romancista (Ressurreição), é designado oficial da Secretaria de Agricultura, inaugurando assim trinta e cinco anos de uma carreira burocrática modelar, no concurso da qual galgaria todos os níveis de promoção. No mesmo ano, na capa do arquivo ilustrado, seu retrato aparece ao lado do de Alencar, glória número um da literatura nacional. Às vésperas dos quarenta, porém, o escritor, desde a infância sujeito a crises epilépticas, é obrigado a retirar-se para o Friburgo. A superação dessa crise, que parece ter prece e precipitar uma vigorosa evolução espiritual, lança Machado no apogeu de suas forças criadoras, de que são frutos os contos da maturidade (dos Papéis Avulsos a Pagina nas recolhidas) e a tetralogia romanesca formada por Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó. É também em torno de 1880 que principiam as saborosas crônicas estampada na seção (a Semana) da Gazeta de Notícias. A vida metódica do burguês self-meide, leitor incansável, amigo fiel, correspondente em cantador e conviva a fabilíssimo, patrocinador discreto e simpático dos novos talentos literários, continua em seu ritmo sereno, pontilhado de lições de alemão e partida de gamão e xadrez, já agora no aprazível chalé do Cosme Velho onde o casal  sem filhos viveria até o fim. Machado se torna a presença mais ilustre e acatada de algumas rodas intelectuais:  a da Gazeta, da livraria Garnier (sua editora),  a da revista brasileira, colocada sob a direção de José Veríssimo. Em 1896, o grupo da revista decide fundar a Academia Brasileira de Letras. A presidência é, sem excitação, oferecida a Machado de Assis. Com as barbas brancas disfarçando os lábios grossos e o penteado sonegando os cabelos crespos, a antigo “Machadinho” tinha então uma aparência olímpica, encarnação simultânea da responsabilidade vitoriana e da suprema excelência das letra brasileiras (“Mulato? – dirá seu querido Joaquim Nabuco – só vi nele o grego!”). A ascensão social fora completa; a biografia do nosso maior escritor reflete melhor que todos os sentimentos sociológico do destino literário na era pós-romântica – a conquista de status pelo homem de classe média ou baixa  e muito particularmente pelo mestiço, convertido em profissional da pena.
                   Machado de Assis foi-se tornado aos poucos o intelectual mais famoso do Rio de Janeiro. Como funcionário público, foi exemplar; como escritor, o mais importante.
                   A curva da velhice foi para Machado o desdobramento de uma  apoteose, onde a única dissonância foi uma nota íntima: as saudades invencíveis com o que lhe deixou a morte de Carolina, quatro anos antes da arteriosclerose que o levou no dia 29 de setembro de 1908 em meio à tristeza profunda do país  e da cidade.
                   Por ter sido um escritor que se formou à luz do Romantismo, e que evoluiu para o Realismo com o tempo, a obra de Machado de Assis forçosamente é enxergada sob os dois pontos de vista – romântico e realista. Pode-se considerar que sua produção até 1880 seja autenticamente romântica, embora o seu romantismo não seja tão sentimentalista como o de seus contemporâneos.
 
 

2.2. Fases de sua ficção;
 

                 Costuma-se dividir a obra de Machado de Assis em duas fases distintas: a primeira apresenta o autor ainda preso a princípios da escola romântica, sendo por isso chamada fase romântica ou de amadurecimento; a segunda mostra o autor mais definido em relação ao ideal realista, sendo, portanto, chamada fase realista ou de maturidade. A publicação de Memória Póstumas de Brás Cubas inaugura a segunda fase da obra machadiana.

Primeira fase: A fase romântica

                 Entre 1872 e 1878, Machado de Assis começa a publicar romances. Ainda muito influenciado pelo amigo e mestre José de Alencar, publica, com regularidade britânica, um romance a cada dois anos. Em Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878), temos um Machado ainda romântico, mas antecipando alguns temas e procedimentos de suas obras-primas realistas e, principalmente, conquistando um público leitor que já receberia sua revolução realista com boa vontade. Escreveu ainda em sua fase romântica os livros de contos: Histórias de meia-noite e  Contos fluminenses.
                   Analisando os romances e os contos machadianos considerados românticos, vê-se que já apresentam a característica que há de marcar Machado de Assis: os acontecimentos são narrados sem precipitação, entremeados de explicações aos leitores por parte do narrador, cheios de considerações sobre os comportamentos. Suas personagens não são tão lineares como as dos maiores românticos: elas têm comportamentos imprevistos, fazem maquinações, não transparentes, são interesseiras. Mas a estrutura narrativa de Machado ainda é linear, isto é, as narrativas têm começo, meio e fim demarcados.

Segunda fase: A fase realista

                 Com a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis mudou o rumo de sua obra, Amadureceu como escritor, passando a escrever para leitores mais maduros. Era a hora de personagens mais elaboradas, construídas à luz da psicologia. Era também a hora da técnica de composição do romance: capítulos curtos, frases curtas, contato com o leitor. Uma análise apurada da sociedade brasileira no fim do Segundo Império; o casamento seria o alvo predileto da interpretação machadiana. Dentro deste, é sobre a mulher que recai a finura da investigação do escritor. As estruturas narrativas das obras desta fase fogem à linearidade, entremeando digressões temporais, intromissões do narrador e grande preocupação com a análise dos acontecimentos.
                   São romances do cicio realista: Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Memorial de Aires. E os livros de contos: Histórias sem data, Várias histórias, Papéis avulsos, Páginas recolhidas, Relíquias da casa velha.
                   Essa foi a mais importante fase da carreira de Machado de Assis onde concentra-se na trilogia de romances realistas publicados no final do século. O primeiro deles foi Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Depois, seguiram-se:

- Quincas Borba (1891) narra, na terceira pessoa, as desventuras do ingênuo Rubião, herdeiro da fortuna e do cachorro da enlouquecida personagem Quincas Borba, que já aparecia, e morria, no livro anterior. Através dessa personagem, cômica no seu despreparo para as armadilhas da corte, e trágica no seu destino, Machado ao mesmo tempo ironiza e demonstra as teorias darwinistas tão caras aos naturalistas. O ensandecido "humanitismo" de Quincas Borba, herdeiro direto da "luta pela vida" de Darwin, é sintetizado na frase "Ao vencedor, as batatas!", e acaba por ser comprovado tragicamente pela ação espoliadora do casal Sofia / Palha sobre o provinciano protagonista.

- Dom Casmurro (1899) apresenta algumas das personagens mais complexas da literatura universal. Narrado pelo velho Bento Santiago, apelidado Dom Casmurro, apresenta a história de seu relacionamento - namoro, casamento e afastamento - com Capitu, sua vizinha de infância. O narrador se esforça por demonstrar o caráter ambíguo e dissimulado tanto de sua esposa quanto de seu melhor amigo, o hábil Escobar, para assim justificar sua convicção de ter sido por eles traído. Como prova da traição, apresenta a semelhança que enxerga em seu filho, Ezequiel, com o amigo, que supõe pai da criança. Mas o esforço é vão. Se consegue construir a imagem de personagens extremamente complexos, nada nos consegue provar, pois o seu próprio caráter é tão fraco, tão inseguro e titubiante, que o leitor passa a desconfiar de seus julgamentos. Assim, além de construir a eterna dúvida (Capitu traiu ou não Bentinho?), Machado de Assis apresenta o primeiro narrador não confiável da literatura brasileira.

- Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908), têm o mesmo narrador personagem, o conselheiro Aires, que pouco age e passa a maior parte da narrativa contemplando placidamente as aventuras amorosas e existenciais dos jovens ao seu redor. A descrição dos dias de perplexidade da população carioca com a proclamação da República, em Esaú e Jacó, é um dos pontos altos da narrativa machadiana.
Além desses romances realistas Machado de Assis também escreveu em sua fase romântica os livros de contos: Histórias sem data, Várias histórias, Papéis avulsos, Páginas recolhidas, Relíquias da casa velha.

2.3. Características.
2.3.1. Gerais;

                 Através de seus contos, Machado afirma-se como grande contador de história; dá ao leitor não só a sensação de estar lendo, mas de estar participando; ele não descreve, ele mostra e fala. Um recurso também muito utilizado pelo autor  é a surpresa: ele prende a atenção do leitor porque o surpreende a cada instante, seja na maneira de iniciar o conto, seja através de idéias inesperadas ou pelo modo como conduz a narrativa.
                   Embora tenha se interessado por mais de uma escola literária, Machado soube manter-se  numa posição equilibrada entre o romantismo e o realismo, sem fixar-se rigidamente em determinada corrente. Não copiava a vida, mas servia-se da realidade, transfigurada pela imaginação. Seu interesse dominante é pelo homem, pelo espírito humano, a cuja sondagem dedicou sua arte.
                   O pessimismo é uma constante em sua obra; para ele o homem é irremediavelmente corrompido, egoísta, vítima da ingratidão, da maldade, do ódio. Isto se faz notar através do ceticismo do escritor, em face dos sofrimentos da humanidade, nada generoso ao julgar a vida e os homens.

O poeta
                   Machado de Assis iniciou sua carreira literária como poeta. Seu livro de estréia foi Crisálidas (1864), que lhe conferiu imediata notoriedade. Embora sua poesia esteja muito aquém da prosa que o imortalizou, nunca deixou de escrever poemas. Em 1870 lança Falenas, em 1875, Americanas e, em 1901, as suas Poesias Completas, que ainda não incluem um dos seus mais famosos poemas, o belo soneto A Carolina, escrito após a morte da esposa, em 1904.

O cronista
                   Seguindo a linha dos textos de Ao Correr da Pena, de José de Alencar, Machado de Assis contribuiu durante toda a sua carreira com textos breves para jornais, em que comenta os mais variados assuntos da vida do Rio de Janeiro e do país. Esses textos leves, de temática cotidiana, podem ser considerados os precursores da crônica moderna, em que se haveriam de destacar, no século seguinte, escritores como Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade. A produção do Machado cronista se inicia já em 1859 e se estende até 1904, com raras interrupções. Sua produção mais madura foi publicada na colunas do jornal Gazeta de Notícias, em que contribui de 1881 a 1904: Balas de Estalo (1883-1885), Bons Dias! (1888-1889) e principalmente em A Semana (1892-1897).

O crítico
                   Também para os jornais, Machado de Assis escreveu durante toda a vida textos críticos. Sua produção infindável envolve ensaios teóricos, como O passado, o presente e o futuro da nossa literatura (1858), O ideal do crítico (1865) e Notícia da atual literatura brasileira - instinto de nacionalidade (1873), diversas resenhas críticas importantes, como aquela ao livro O Primo Basílio, de Eça de Queirós (1878) e inúmeras críticas de teatro.

O contista
                   Muitos das centenas de contos que Machado de Assis escreveu ao longo da vida se perderam, com o desaparecimento dos números dos jornais em que foram publicados. Outros estão apenas agora sendo republicados em livro. Sua versatilidade como contista é imensa. Escreveu tanto para os jornais mais sentimentalóides quanto para publicações seríssimas. A qualidade dos contos varia de acordo com a publicação e o público leitor a que se destinavam. Entre as coletâneas de contos que publicou, destacam-se Papéis Avulsos (1882), com o grande conto, ou novela, O Alienista, Teoria do Medalhão e O Espelho, e Várias Histórias (1896) em que se encontram, entre outras obras-primas da concisão e do impacto narrativo, A Causa Secreta, A Cartomante e Um Homem Célebre.
 

2.3.2. Quanto aos personagens;

                   Os personagens de Machado de Assis trazem certo toque diferente, não se enquadram na maniqueísta visão romântica de bem x mal. Mostram algo desconhecido na literatura do Brasil até o momento – seres dotados de vida interior, com característica próprias e individualizantes, que contrariam  conceito fechado de herói. Suas personagens não são tão lineares como as dos maiores românticos. Tratam-se de seres complexos,  com altos e baixos, defeitos e virtudes, caprichos e incoerência , têm comportamentos imprevistos, fazem maquinações, não transparentes, são interesseiros.
Os caracteres  machadianos têm de inovador o fato de o escritor está preocupado com o homem concebido como ser universal, que,  somente por causalidade, é brasileiro.

2.3.3. Quanto ao processo narrativo.

                   As obras iniciais obedecem à estrutura  romântica, preocupadas em narrar uma história geralmente linear, com começo, meio e fim e tendo o amor como centro das atenções.
Analisando os romances e os contos machadianos considerados românticos, vê-se que já apresentam a característica que há de marcar Machado de Assis: os acontecimentos são narrados sem precipitação, entremeados de explicações aos leitores por parte do narrador, cheios de considerações sobre os comportamentos.

Clique aqui abaixo para saber mais sobre Machado de Assis:
Características Estilísticas
Críticas Literárias
 
 

voltar

Vithor's Home Page® - http://www.vithor.cjb.net
Copyright© 2000 - All rights and lefts reserved.
Webmaster: Vithor Silveira Sampaio

STARMEDIA        CERRAR