| Adolfo Caminha |
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Adolfo Caminha (1867-1897) foi um dos poucos escritores naturalistas brasileiros. Órfão de mãe aos 10 anos, muda-se para o RJ onde passa a residir com um tio materno. Aos 13 matricula-se na escola naval, de onde sai guarda-marinha em 1885. Passa a viajar na Marinha e em 1888 serve no Ceará, onde ajuda a fundar o Centro Republicano e participa da vida intelectual da cidade. Nesse ano e no seguinte é envolvido num escândalo de adultério e é expulso da Armada. Retira-se da vida social, mas continua a participar da vida literária. Em 1891 muda-se para o RJ, onde se dedica ao jornalismo e literatura, escrevendo algumas das obras-primas do Naturalismo como A Normalista e Bom-Crioulo.
"Seguia-se o terceiro preso, um latagão de negro, muito alto e corpulento, figura colossal de cafre, desafiando, com um formidável sistema de músculos , a morbidez patológica de toda uma geração decadente e enervada, e cuja presença ali, naquela ocasião, despertava grande interesse e viva curiosidade: era o Amaro, gajeiro da proa, - o Bom-Crioulo na gíria de bordo." Bom-Crioulo
"Aleixo passava nos braços de dois marinheiros, levado como um fardo, o corpo mole, a cabeça pendida para trás, roxo, os olhos imóveis, a boca entreaberta. O azul-escuro da camisa e a calça branca tinham grandes nódoas vermelhas. O pescoço estava envolvido num chumaço de panos. Os braços caíam-lhe, sem vida, inertes, bambos, numa frouxidão de membros mutilados." Bom-Crioulo
Bom-Crioulo
Por
Adolfo Caminha
Bom-Crioulo é
o apelido de Amaro, escravo fugido que se torna marinheiro. Ele desenvolve
um relacionamento homossexual com Aleixo, jovem grumete. Eles arranjam
um sótão para seus encontros na casa de Carolina, amiga de
Amaro. Quando este é transferido, passam a se desencontrar e Carolina
seduz Aleixo. Amaro, que estava hospitalizado, doente e fraco quando antes
era forte, descobre que ele havia se tornado amante de Carolina e mata-o.
Nem homófobo nem homófilo, este romance apresenta a imparcialidade
naturalista típica. O relacionamento dos dois é retratado
como outro qualquer e Aleixo é sempre descrito como "feminino",
tornando-se "masculino" só após algum tempo como amante de
Carolina.
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