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O visitante que hoje percorrer as margens do Nilo irá encontrar grande número de templos do período faraônico. Construídos em pedra, que resistiu ao passar dos séculos, os templos constituem um dos mais impressionantes vestígios da civilização egípcia. Além da evidência arquitetônica, seus esquemas decorativos permitem conhecer detalhes da religiosidade e costumes antigos. Não há dois templos idênticos, do mesmo modo que não há um templo unicamente original.
Os primeiros santuários surgiram no final do Período Pré-Dinástico (anterior ao ano 3200 a.C.). Na época do Antigo Reino (da 3ª até a 6ª dinastia / 2649-2152 a.C.) destacaram-se os templos contíguos às pirâmides dos faraós, destinados ao culto funerário dos soberanos. Mas a maioria desses templos encontra-se hoje muito arruinada, e aos pesquisadores restou muito pouco a fazer além de determinar seus planos. Do Médio Reino (11ª e 12ª dinastias / 2040-1783 a.C.) restam também poucos santuários. É do Novo Reino (18ª até a 20ª dinastias / 1550-1070 a.C.) que temos grande quantidade de templos, época em que se definiu o plano padrão que subsistiria até o final da história egípcia, servindo de modelo para os santuários mais recentes, construídos no tempo dos Ptolomeus (305-30 a.C.).
Os egípcios chamavam um templo de "morada do deus", "casa do deus" era ali que a divindade "vivia", incorporada magicamente na estátua de culto encerrada no santuário. Essa estátua poderia ser de pedra, metal ou madeira, decorada com incrustações de pedras semi-preciosas ou outros materiais de grande valor. Deixavam-na dentro de uma capela ou sacrário em geral de madeira que repousava sobre um pedestal de pedra no santuário principal do templo. Em muitas ocasiões o sacrário poderia ser colocado dentro de uma barca de madeira decorada, a qual por sua vez repousava sobre o pedestal.
Os templos não eram locais de livre acesso público. Neles penetravam somente os sacerdotes e o faraó, os únicos considerados dignos do contato direto com a imagem do deus - populares só poderiam chegar em algumas partes. As procissões, quando a barca com o sacrário era carregada nos ombros dos sacerdotes, constituíam o único momento em que a população poderia admirar a imagem da divindade.
Distinguem-se dois tipos básicos de templos: templos de culto, dedicados ao culto das divindades através de cerimônias padronizadas; templos funerários, dedicados à memória dos faraós falecidos, cujo culto garantia-lhes o fornecimento de víveres para a vida no além-túmulo. Examinando os exemplos do Novo Reino, podemos descrever as partes que compunham um típico templo egípcio.
Um templo egípcio padrão
Em geral os templos eram acessados por uma avenida processional ladeada de esfinges com cabeças humanas ou cabeças de carneiro símbolo de proteção, às vezes tendo junto ao peito uma imagem do faraó construtor. Na entrada do templo sobressaíam duas altas torres, de paredes inclinadas, denominadas pelos egiptólogos de pilonos, com reentrâncias nas quais eram fixados altos mastros de madeira onde tremulavam bandeiras de cores vivas. Cruzando o portal de entrada entre os pilonos chegava-se à um pátio aberto, cercado de colunas, cujo formato era inspirado em motivos vegetais: feixes de papiros ou flores de lótus, distinguidos claramente nos capitéis. Desse pátio chegava-se à uma sala de colunas totalmente coberta chamada pelos estudiosos de hipóstila. Em geral as colunas centrais eram mais altas de modo a permitir a entrada de iluminação natural através de grades nas laterais. Passando a sala de colunas chegava-se ao santuário principal do templo, onde a imagem da divindade era guardada dentro de uma capela sobre um pedestal de pedra. Ao redor desse santuário encontravam-se capelas de outras divindades relacionadas ao deus principal, ou então depósitos de tesouros e utensílios sagrados. Junto aos pilonos poderiam se erguer obeliscos monólitos de pedra em forma de agulha e em todo o templo poderiam haver estátuas pequenas ou colossais de faraós ou altos funcionários privilegiados.

Além do edifício de culto em si, os templos compreendiam áreas contíguas onde haviam um lago sagrado usado nos rituais, moradas de sacerdotes, oficinas de artistas e artesãos, escritórios dos escribas e funcionários que contabilizavam os bens do templo, celeiros, etc. Isso tudo era englobado por uma muralha circundante, fazendo do templo uma pequena cidade, e um centro do qual dependia um grande número de pessoas. Além disso, os templos eram detentores de vasta quantidade de terras, onde trabalhavam camponeses e pastores, e de onde provinham os víveres necessários para sustentar o culto cuja base era a doação de oferendas alimentares e garantir a sobrevivência de todo o pessoal. Depois de consagrados nos altares, os víveres (carne de bois e aves, leite, cerveja, vinho, pães de vários tipos, óleo, frutas, legumes, vestes, etc.) eram remetidos aos dependentes, desde o sumo-sacerdote até o mais humilde trabalhador da "morada do deus" era o processo chamado "reversão das oferendas". Só os celeiros do templo de Ramsés II (19ª dinastia, 1290-1224 a.C.) na margem oeste de Luxor, conhecido como Ramesseum, eram suficientes para alimentar anualmente de 17 a 20 mil pessoas, a população de uma cidade média na época. Durante o Novo Reino (1550-1070 a.C.), o templo de Amon-Rá em Uaset (Tebas) o maior de todo o Egito, hoje denominado Karnak foi o mais beneficiado pelas doações dos faraós. As conquistas militares feitas no período eram consagradas à poderosa divindade, e seu clero pode dispor de grande parte dos tributos que chegavam ao país provenientes das áreas subjugadas.
O ritual do culto diário nos templos egípcios era bastante simples. Em teoria, o faraó era quem deveria oficializar em todos os rituais, mas como não poderia estar em todos os templos ao mesmo tempo, seu lugar era tomado por um sacerdote do alto escalão. Depois de se banhar nas águas do lado sagrado, ou de se purificar com água trazida desse lago, o oficiante se dirigia sozinho - até o santuário do templo. Abria então o sacrário que abrigava a imagem da divindade e a retirava. Ela era lavada, perfumada e vestida, sendo-lhe oferecidas flores e vários tipos de oferendas alimentares. Tudo acompanhado da recitação de hinos e orações, e da queima de incenso. Feito isso, o oficiante recolocava a imagem no relicário e lacrava-o, retirando-se do santuário e limpando as pegadas que porventura tivesse deixado.
A religião egípcia, pregava a
imortalidade da alma e do corpo. Os mortos eram mumificados e
levavam para o túmulo, roupas, objetos pessoais, e até
alimentos, que seriam necessários na próxima vida.
Os faraós, reis egípcios considerados dinvidades - filhos do
Deus Rá, eram sepultados nas pirâmides, em câmaras ricamente
ornamentadas.
As Pirâmides de Gisé são um conjunto de 9 pirâmides. Foram
construídas durante o antigo império (acredita-se que a
primeira estava pronta em 2.600 a.c.), pelos faraós Quéops,
Quéfrem e Miquerinos, sendo as maiores e mais importantes, as
que trazem o nome desses faraós que as construíram.
