Poemas do Velejador

 

Abraço

Mãos se esfregando,
ansiosidade pelo término daquele cansativo discurso.
Ainda restam 15 minutos:
até que enfim este tormento vai findar.
Finalmente, o sinal do término ecoa pelos corredores.
Não tem amigos,
volta para casa sozinho.
Cabisbaixo,
calado,
observando o medonho mundo à sua volta.
A vida não tem sentido,
o caminhar não tem rumo,
sua mente se resume em vegetar.

 

Mais um monótono dia.
O tédio recomeça,
mas algo diferente acontecerá.
Num instante,

no meio do falatório do mestre,
seus engenhos começam a funcionar...
Procura algo,
indefinida coisa,
anseia por buscar.
O tempo passou mais rápido,
voou ao fundo dos seus pensamentos.
Visa agora procurar,
o que preencherá seu enorme vazio,
o que vai acabar com seu sofrimento.
Não vai para casa,
tem um novo caminho a tomar.
Instintivamente norteado,
caminha sob o luar.
Pensa, pensa, pensa!
Se cansa de pensar,
melhor seguir os sentidos,
dorme sob o luar.

 

Sonha, se perde, chora:
chama a resposta da sua indagação.
Louco está ficando,
não agüenta mais sofrer...
Mas sua mente dá uma trégüa,
dá quase a resposta:
só resta caminar.
Caminha ruas e campos,
cruza riachos e vilas,
se aproximando da saída do seu clamar.
Pensa, pensa, pensa!
Até a quase resposta encontrar:
em direção ao próprio ego navegar!
Se abraçar a si mesmo,
contatar sua alma,
mas... Qual será o lugar?
O Lugar! O Lugar?
Pensa, pensa, pensa!
Está exausto de tanto pensar,
dorme sob o luar.

 

Novo raiar, longo sonhar,
hora da viagem retormar.
Emotivando, um sorriso,
apressando os passos.
Se guiando pela sua bússula interna,
para a si mesmo abraçar,
num desconhecido lugar.
Vai rápido seguindo o pensar.
Está próximo, muito próximo,
Seu esperado abraço em si.
Caindo vai o Sol,
envermelhecendo a paisagem:
momento de repousar.
Olhar fixo na inigualável beleza,
admirado com tanta maravilha:
horizonte rubro,
noite a chegar.
Lisonjeado,
começa a matutar:
"Quem sou eu, diante de tamanha criação?"
Os raios do astro penetram sua pupilas,
enchem seu vazio:
é hora de, a si mesmo, encontrar.

 

A si, abraçou.
Sua mente se tornou alva,
seu vazio se encheu.
Não se encheu de Sol,
nem de luar.
Se completou de algo maior,
grandioso, melhor:
invísivel, mas presente.
Parecia ausente, mas agora é onipresente.
Parou de pensar,
agora fica só a imaginar,
aquilo que viera seu ser tocar.
Parou se de indagar,
exausto ficou.
Dorme sob o luar.

 

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