Poemas do Velejador

 

Calada voz do vento

 

Ondas revoltas, praia deserta,
Contornos brancos na água.
Silêncio, pensamento,
Você ao meu lado...


Apreensão, espera,
Reflexão,
Embaladas pelas constantes quebras
No mar, e pelo céu noturno,
Com você, ainda ao meu lado.


A agonia das marolas me falava,
O som das água me sussurrava:
"O amor está em ti".
O medo de te falar, o medo de te sussurar,
Tomavam conta de mim.


Que vontade de te beijar, de te abraçar,
Como a noite abraçava,
Naquele momento,
O mar.


Ansiedade por te dizer,
O que o vento havia trazido para mim!
Mas o medo voltava...
Medo de ser rejeitado,
Afastado.


Dos confins do oceano,
O vento veio me fazer enxergar,
E me cantou baixinho no ouvido:
"O amor está em ti".


Num impulso quase te contei,
Por pouco não desabafei,
Por um lapso não te beijei,
No momento em que enxerguei:


"O amor estava em mim",
Amor guardado,
Empoeirado pelo tempo,
Que retornava à tona, assim.


Mas amor que continou contido,
Em segredo, escondido,
Em um baú no fundo do mar,
No fundo daquele negro mar,
Que se revelava em mim,
Confuso e perdido.


A chave e o mapa desse baú,
Eu queria lhe dar.
Para que o abrisse,
E descobrisse o segredo ali mantido,
Sem ser percebido,
Acorrentado e esquecido,
Mas que queria ser liberto.


Mas eu, na minha covardia
Acorrentei mais ainda o meu coração,
Calei minha boca,
Interrompi o fluir do sentimento,
Cometi o maior erro, e não sabia.


Te fiz sofrer mais ainda,
Eu, no meu mundinho lacrado,
Fechei meus olhos e ouvidos,
Para não ver a rosa brotar,
Nem ouvir o que o vento tinha para falar.


Agora um mistério ronda meus pensamentos,
Sobre você, naqueles momentos...
O que o vento te fez?
O que as ondas te disseram?
Não é a mesma coisa entre nós...


Os olhos não mais se cruzam,
As conversas perderam seu vigor,
Nossos lábios, um do outro, não se banham,
Nosso fino ele perdeu seu sabor.

 

 

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