VANGUARDA 53 - Pag. 1

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A lei da compensação e a evolução

Pedro Orlando Ribeiro

   Nos embates da vida muitas vezes nos sentimos desesperados com a instabilidade das coisas. Não há posição segura, mesmo para aqueles que sob o ponto de vista da maioria, aparentemente alcançaram a segurança por terem amealhado uma grande fortuna ou atingido uma posição de grande poder. Ubaldi destrói essa ilusão:

   Não há conquista que não seja ameaçada pelo medo de a perder, não há poder que não seja cheio de perigos, riqueza que não seja roída pela inveja dos rivais, glória que não seja enganada pela mentira da adulação etc. Neste nível cada vantagem está fatalmente inquinada pela correspondente desvantagem, devida à negatividade do Anti-Sistema, de modo que aumentar a vantagem implica em aumentar a respectiva desvantagem. (P. Ubaldi - Queda e Salvação).

   Embora possa parecer que existe um perfeito equilíbrio estático entre as vantagens e desvantagens das duas posições, na realidade a coisa não se passa exatamente assim. Uma visão mais ampla verá que, na nossa vida, os acontecimentos amadurecem por pequenos deslocamentos imperceptíveis que, quando movidos por um impulso constante numa dada direção, acabam traduzindo os efeitos gigantescos de uma avalanche. (P. Ubaldi - Queda e Salvação).

   Se o equilíbrio entre essas duas forças fosse estático não haveria o progresso. Como exemplo podemos ver que o progresso sempre existiu ao longo da História apesar de recuos periódicos. Da descoberta do fogo pelo homem pré-histórico até a conquista da Lua, a evolução humana se desenvolveu de maneira cíclica passando por períodos construtivos seguidos por períodos destrutivos.

   A evolução da História é semelhante a figura mitológica de Sísifo, cuja tarefa imposta pelos deuses do Olimpo era de empurrar uma imensa pedra morro acima. Quando atingia o cume a pedra sempre rolava para o sopé do morro, obrigando Sísifo a empurrá-la novamente para o alto, repetindo seu gesto eternamente num ciclo infindável. Entretanto, os fatos históricos comportam-se de maneira um pouco diferente do mito, pois o novo ponto de partida fica sempre um pouco acima do ponto de partida inicial. Há sempre um ganho no cômputo geral. Para um olhar abrangente os



Mensagem 12

   O que faz adoecer não é tanto o ataque do micróbio, que existe em toda parte, quanto a vulnerabilidade orgânica. Assim, no campo moral, o que abate não é tanto o ataque externo, quanto a fraqueza de uma consciência que trabalha sem Deus.

   Quando há equilíbrio dentro da consciência tranquila, diante de Deus, as reviravoltas exteriores têm pouco poder.

   Os caminhos são diversos: felizes os que já acharam as estradas dirigidas pela fé.

fatos históricos parecem zigue- zaguear ao longo do tempo.

   Muitos perguntam: qual seria a razão para esta instabilidade? A explicação, sob um ponto de vista genérico, poderia ser a de que vivemos no Anti-Sistema e, portanto, sujeitos a influência nefasta das forças involutivas. Mas, devemos considerar também que o Anti-Sistema continua - embora de forma emborcada - dentro do Sistema em virtude deste ser infinito e nada poder existir fora dele. Então o que vemos é um embate entre duas forças antagônicas que lutam para dominar o terreno. Para uma visão míope tudo neste mundo parece ser uma mistura equilibrada de luz e trevas. Mas, se olharmos as coisas a longo prazo veremos que há um deslocamento contínuo e imperceptível deste equilíbrio em direção evolutiva, embora permeado de recuos periódicos. Ubaldi demonstra no livro "A Grande Síntese", no estudo da trajetória típica dos movimentos fenomênicos (Capítulo 26) que há um deslocamento no sentido evolutivo que segue um ritmo inviolável de 3 para 2 no andamento dos fenômenos evolutivos: A estabilidade permanece através da instabilidade de todos os seus momentos, à custa de ser uma correnteza em movimento. (P. Ubaldi - A Grande Síntese).


Leia neste número

Consciência superficial
Pag. 2

O Culto do Evangelho no Lar
Pag. 2

Testemunho de gratidão
Pag. 3

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