VANGUARDA 50 - Pag. 3

Página Inicial | Menu dos Jornais | Página 1 | Página 2 | Página 4 | Próxima Página |
logo-pag3.jpg
A Vida dos Animais
Mensagem de Fé
      Ter fé não é crer em coisas utópicas e impossíveis. É simplesmente compreender e aceitar o mecanismo de evolução da vida, sem entravá-la com a própria incompreensão. É aceitar a própria necessidade de reajustamento constante. Por isso, muito se recomenda a humildade a quem deseja progredir. O sentimento de humildade vem aliado ao da fé, não porque haja necessidade de anular-nos para progredir. Seria um contra-senso. Há necessidade de compreendermos bem, que a humildade deve basear-se num sentimento positivo. Não significa anulação do “eu”, mas o seu ajustamento à grandiosidade do conjunto.
      A fé é um sentimento alegre de irmanação com a Criação, na qual, diante da grandeza e sabedoria que Nela vibra, o espírito se felicita por construir uma parcela mínima nesse conjunto. Essa atitude mental possibilita renovações sucessivas e reajustamentos constantes. O ser que sentiu a grandeza do conjunto, compara-o com a sua condição e vê que, embora faça parte dessa grandeza, não a atingiu ainda em todas as suas facetas. Este é o toque mágico da fé. Quando a criatura atinge esta certeza, não necessita mais preocupar-se com seus erros, frutos da sua imperfeição, que sabe ser passageira. Eles serão vencidos pela convicção de uma capacidade infinita de recuperação e vitória. Sem fé a evolução torna-se mais difícil, pois não há Paz para que o verdadeiro Amor possa ser desfrutado. Muita Paz.
exp-vng49.gif
            Pedro Orlando Ribeiro
         porland@persogo.com.br

    Ubaldi na sua extensa obra se refere amplamente sobre os animais. Por se tratar de uma obra de caráter teológico-filosófico estas referências se concentram no aspecto evolucionista dos reinos animal e humano. Sob o ponto de vista evolucionista o nosso mundo é regido por duas leis antagônicas, a primeira é a Lei Darwiniana da sobrevivência do mais apto que dirige principalmente os reinos vegetal e animal e ainda atua de maneira preponderante na sociedade humana, principalmente nos estratos mais involuídos da humanidade. Ao nível humano já começa a aparecer normas de comportamento baseadas na colaboração e não na dura competição entre as criaturas como é o caso da Lei Darwiniana.
   Segundo Ubaldi, “a absoluta exigência de sobreviver contra todos os assaltos num ambiente hostil, gerou no animal o indispensável instinto de conservação, ensinando-lhe o egocentrismo e a arte do ataque e da defesa. A função destes instintos é a de construir o indivíduo, forte e astuto, apto a defender-se a si mesmo, inclusive atacando: - o vencedor na luta pela vida.” (A Lei de Deus)
   Em outro de seus livros ele detalha esta feroz luta pela sobrevivência e demonstra que apesar da ferocidade o animal é no fundo amoral e não imoral: “A natureza assegura a sobrevivência das espécies construindo organismos em grandes séries, lançando germes no campo da vida com a máxima prodigalidade. A fonte primária, que brota no âmago da substância, aparece-vos com um poder ilimitado e inexaurível; o que lhe delimita a expansão, a força que freia a multiplicação dos seres, reside sobretudo na limitação dos meios ambientais, limitação da qual nasce a luta cuja função principal é a seleção do melhor. Sem a rivalidade do vizinho que modera sua expansão, cada espécie sozinha invadiria todo o planeta. A Lei é sábia e alcança seus objetivos. Aparece, assim, a vida como desenfreada concorrência de apetites, em que tudo é obtido com a

força ou com a astúcia. Este é o nível do animal que não tem horror a seu estado, porque sua sensibilidade é proporcional a ele. O animal é feroz com toda a inocência e nem por isso é imoral, mas simplesmente amoral. Nesse nível a vida é contínua guerra, é um atirar-se a ataques aos quais apenas os mais fortes resistem, esse é o estado normal. Aí a bondade é fraqueza e falência. A bondade é flor mais delicada que a sabedoria; nasceu depois, muito mais no alto na escada da evolução. Mas aquela sabedoria já era profunda. O instinto conhece química, anatomia; em alguns casos sabe até anestesiar o inimigo, com injeções nos gânglios nervosos, no ponto estratégico que paralisa os movimentos. Uma espécie de himenópteros, necessitados de provisões imóveis, mas vivas, conhecia anatomia e anestesia antes do homem. O instinto tem previdências incríveis, sobretudo em seres primitivos.” (Pietro Ubaldi - A Grande Síntese - Capítulo 69)
   Em virtude do caráter amoral de seus atos é incipiente o desenvolvimento espiritual dos animais: “Os animais vivem apenas no plano físico do corpo, não podendo, por isto, gozar depois da morte, de uma vida consciente, que não possuem, pois ainda não conquistaram. Saem da vida física e a ela voltam por um fenômeno automático, determinístico, assim como caem as gotas da chuva, sem sabê-lo.” (Pietro Ubaldi - O Sistema)
   Mas apesar da postura determinística do instinto animal o caminho evolutivo não está fechado para a evolução espiritual do animal: “Vós mesmos podeis verificar com a domesticação e adestramento, que nos animais as portas do instinto não estão fechadas, ou seja, ele tem ainda, sob vossos olhos, a capacidade de enriquecer-se com qualidades, de assimilar coisas novas. Há sempre uma possibilidade de progresso no raciocínio cristalizado do instinto. As qualidades, mesmo no homem, nutrem-se, continuamente por seu exercício cotidiano.” (Pietro Ubaldi - A Grande Síntese)

STARMEDIA        CERRAR