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Pedro Orlando Ribeiro porland@persogo.com.br
Um dos maiores anseios do indivíduo e também da coletividade é a conquista da liberdade. Todos nós desejamos escapar da servidão à autoridade e dos entraves e limitações que a vida nos impõe. No fundo do ser existe um desejo incontido de liberdade sem freios e sem limites. É evidente que se isto fosse possível, o caos se instalaria pelo fato de entrarmos em rota de colisão com o nosso próximo que também procura a mesma coisa.
Este desejo é fruto do egoísmo expansionista do homem e da idéia que o próprio eu é o centro do universo. A Teoria da Queda desenvolvida por Ubaldi explica a origem deste egoísmo. A queda de um Sistema perfeito num sistema imperfeito foi devido a ampla liberdade de escolha que a criatura gozava no seio do Sistema. Aqui, deparamos com uma possível contradição: poderá existir liberdade dentro de um Sistema cuja característica principal é a PERFEIÇÃO? Explicamos: o que é perfeito |
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por natureza não pode admitir a livre escolha, pois se assim fosse não seria perfeito. Ubaldi esclarece bem este ponto: “Com- preende-se que a perfeição não pode deixar de ser determinística, no sentido de que só o melhor absoluto pode ocorrer. Tal é o sistema incorrupto dos espíritos que não erraram e não caíram. Pode, pois, deste ponto de vista, parecer mesmo que o arbítrio humano, além de ser um resíduo da liberdade originária, seja um produto da queda, visto que a escolha significa uma incerteza e uma procura do melhor absoluto, que se perdeu e ainda não foi reconquistado. (P. Ubaldi - Deus e Universo).
Após afirmar que o arbítrio humano significa uma in- certeza, Ubaldi sinaliza que a evolução nos levará - após a reconquista da perfeição original - a uma situação determinística. Mas estra- nhamente fala também em liberdade originária. Como conciliar, então, deter- minismo com liberdade no seio de um sistema perfeito? Como pode ser exercida a liberdade dentro de um sistema em que o melhor absoluto já está fixado na |
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natureza própria do Sistema?
Como vivemos no Anti-Sistema, isto é, num universo imperfeito, somos incapazes de formular uma resposta direta para estas questões já que ignoramos o que seja perfeição. Nossa mente só raciocina em função dos contrastes entre dois termos de uma proposição. (Dialética Hegeliana). Como não conhecemos o segundo termo,
isto é, o perfeito sistema absoluto, fica impossível respondê-las usando o instrumento da razão.
Existe, no entanto, um método que embora não alcance total compreensão do problema, nos fornece uma aproximação, ainda que infinitamente distante da perfeição absoluta. Podemos chegar a um entendimento relativo e progressivo se considerarmos que vivemos em um mundo onde tudo está em transformação, num eterno vir-a-ser. Nada permanece estático, o transformismo alcança todos os fenômenos, sejam eles materiais ou espirituais. Ontologicamente podemos dizer que o ser não é uma entidade completa e aca- bada, e sim que é um processo em evolução.
Evolução, eis a palavra chave que sinalizará nosso |
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caminho. Como tudo está evoluindo é possível en- contrar, no fio condutor do fenômeno evolutivo, as leis e princípios que regulam este transformismo. A partir daí, descobrir a tendência do fenômeno e, em decorrência o seu telefinalismo.
Como existem infinitos planos evolutivos, podemos assim compreender que a liberdade que o ser goza em cada nível evolutivo, pro- gressivamente se tranformará em um determinismo abso- luto. Mas, perguntamos, não seria admissível que a liberdade que se perde a cada unificação não seja compensada, pela Lei do Equilíbrio, por outro tipo de liberdade? É conceito amplamente aceito que toda unificação traz consigo uma multiplicação de poten- cialidade, isto é, uma ampliação pela união com outros indivíduos, passando-se a ter uma liberdade e uma potencialidade muito maiores que as que se dispunham. Como são infinitos os planos evolutivos, esta liberdade progresivamente se dilatará de forma absoluta.
Fica claro, desta forma, que o enquadramento em uma unidade maior leva a
(Continua na Pág. 3) |
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