Mat. 6:1-4
1 Prestai atenção: não façais vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; senão não tereis recompensa junto de vosso Pai que está nos céus.
2 Quando, pois, deres esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e na ruas, para serem honrados pelos homens; em verdade vos digo: eles já receberam sua recompensa.
3 Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz tua mão direita,
4 para que tua esmola fique no secreto, e teu Pai, que vê no secreto, te retribuirá.
Instrui-nos o Mestre, nesta passagem dos Evangelhos, a agir sem propaganda, sem alarde de nossos atos, mas antes, a manter ocultas as boas obras, de tal maneira que nem os mais íntimos dela tomem conhecimento: “não saiba a mão esquerda o que faz a direita” – lindíssima imagem literária, totalmente original.
A discordância deste trecho com aquele de Mat. 5:16: "...brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai Celestial", é fácil de compreender-se: façam-se as boas obras sem cogitar de propaganda; por si mesmas elas brilharão. Não é possível esconder uma luz. O sol levanta-se todos os dias, e sem que precise fazer auto-propaganda, todos o vêem.
A esmola, que exprime compaixão, deve ser sigilosamente manifestada, conhecida apenas do Pai que habita em nosso íntimo mais secreto, no coração do homem. A esmola é escolhida como exemplo típico, porque divulgar um benefício prestado a alguém que esteja necessitado, é envergonhá-lo; e não temos o direito de diminuir moralmente o nosso irmão.
Profunda, porém, é a lição para a Individualidade. Tudo o que fizermos, deve ser realizado internamente, e não na personalidade, para que outras personalidades tomem conhecimento e elogiem.
De fato, o eu pequeno, vaidoso e egoísta, está sempre suspirando por aplausos e louvores, o que lhe alimenta o convencimento e o incha de vento, embora, na costumeira “falsa modéstia”, se recusem e neguem os elogios “com a boca”; mas o
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corpo emocional (animal) vibra de felicidade.
Quem vive no Espírito não busca esses aplausos que nada valem; e os elogios procurados pelo eu pequeno e vaidoso já lhe constitui a recompensa: tanto a ação quanto seu resultado, morrem no âmbito da personalidade, não alcançando a profundidade do Espírito, e portanto não constituindo degraus para a subida.
Não resta dúvida de que, na Terra, a individualidade só pode agir através da personalidade. Mas tudo é feito com simplicidade, de modo natural e espontâneo. Nada com movimentos estudados nem calculados, para que tenham testemunhas. E o que se faz aqui não se conta mais além, numa propaganda sub-reptícia, com a costumeira introdução: não é para me gabar, mas...”.
Todavia, não se trata apenas da parte externa. Também intimamente o ser SABE que a personalidade de per si NADA PODE, e tudo o que realiza provêm do Cristo Interno, que o vivifica e sustenta, e que é a fonte inesgotável de todo o bem.
Então, quando o ser SABE, tudo é feito com REAL e não com aparente modéstia.
Na última frase está a chave que explica tudo isso: que nossas ações fiquem “no SECRETO”, isto é, no coração, no Espírito, na Individualidade. Depois é citada a razão, o motivo, a explicação que confirma todas as nossas afirmativas até aqui apresentadas: “o Pai que vê no secreto”, fórmula que mais tarde será dito explicitamente: “o Pai que ESTÁ no secreto”.
Ora, é exatamente isto que vimos dizendo desde o início: o Pai reside no secreto de nossos corações, está DENTRO DE NÓS, dentro de todos, dentro de tudo, como muito bem compreendeu Paulo, em Ef.4:6: (Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos). A Centelha Divina, o Cristo Interno, o Pai (o Verbo), que se tornou Filho, tem sua partícula dentro de nós, e é a Fonte inesgotável da Vida, da Harmonia, da Beleza e do Amor: o PAI ESTÁ NO SECRETO, e por isso vê tudo e sabe de tudo, “sabe o de que necessitamos antes de Lho pedirmos”, e por isso, quando oramos, devemos “entrar em nosso quarto”, isto é, em nosso secreto, em nosso coração, onde está o Pai, e ai conversar com Ele.
A humanidade até hoje, ainda não encontrou o caminho para Deus, porque O busca fora de si, num céu geográfico distante, ao invés de seguir o rumo certo, procurando-O dentro de si, “no secreto”, onde Ele realmente se encontra em Sua totalidade
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metafísica, como ensinou o próprio Jesus com uma clareza irretorquível.
Devemos, então, orar “ao Pai que ESTÁ no secreto”, não “no céu”, mas NOS CËUS, isto é, em nosso âmago. A oração não deve ser proferida com os olhos levantados para o alto, mas ao contrário, recolhidos e baixados para o coração, de onde nos provém a Vida, que é Deus.
Quando compreendermos esse segredo, revelado há mais de dois mil anos por Jesus - a criatura que revelou em Si mesma, mais amplamente a Divindade - chegaremos à Paz Espiritual completa. Porque todos temos em nós o Cristo, na mesma proporção que o tinha Jesus. Reside a diferença em que nós, ao redor da Centelha Crística, temos uma carapaça de barro, de lama endurecida que no-Lo não deixa sentir; ao passo que Jesus, tendo aniquilado total-mente por humildade a Sua personalidade, adelgaçou o barro e o queimou, trans-formando-o em cristal puríssimo, através de cuja transparência a humanidade VIU Deus Nele.
Realmente Jesus manifesta Deus em Si plenamente, e por isso com razão é confundido com o próprio Deus. Mas também nós podemos chegar ao mesmo grau e, mais ainda, DEVEMOS CHEGAR TODOS à evolução de Jesus, conforme escreveu Paulo (Ef. 4:13): “Até que todos cheguemos ao estado de Homem Perfeito (individualidade), à medida da estatura (da evolução) de Cristo”.
Carlos Torres Pastorino
SABEDORIA DO EVANGELHO
2º Volume
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Citações de Pastorino
A Filosofia é o mais belo dos estudos, superada apenas pelo Amor.
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Suave é o caminho do Amor, porque o Amor é vibração da Divindade.
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As afeições que recebemos ajudam-nos a vencer a aridez do desconforto material.
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O amor que se derrama no ser amado transfunde nele a própria essência da alma.
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