VANGUARDA 43 - Pag. 3

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Vanguarda

Setembro/Outubro 1999

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REFLEXÕES SOBRE O "FIM DO MUNDO"

A propósito do tão propalado "fim do mundo", que recentemente foi assunto das manchetes dos grandes meios de comunicação, a leitura do livro As Grandes Mensagens de Pietro Ubaldi pode nos levar a entender o seu pensamento em relação a este tema.

É bom recordar que este livro contém sete mensagens recebidas inspirativamente por Ubaldi dentro de um período que vai do natal de 1931 ao natal de 1953. A primeira, revelada no natal de 1931, intitulada Mensagem do Natal, traz a seguinte passagem:

" O futuro contém não só continuações, mas transformações: conseqüências de um processo natural de saturação. O vosso progresso científico tende a tornar-se e tornar-se-á tão hipertrófico - porque não contrabalançado por um paralelo progresso moral -, que o equilíbrio não poderá ser mantido nos acontecimentos históricos. Tem crescido e, sem precedentes na história, crescerá cada vez mais o domínio humano sobre as forças da natureza. Um imenso poder terá o homem, mas ele para isso não está preparado moralmente, porque a vossa psicologia infelizmente é, em substância, a mesma da tenebrosa Idade Média. É um poder demasiadamente grande e novo para vossas mãos inexperientes. O homem será dominado por uma tão alargada sensação de orgulho e de força, que se trairá. A desproporção entre o vosso poder e a altura ética de vossa vida far-se-á cada dia mais acentuada, porque cada dia que passa é irresistivelmente para vós, que vos lançastes nessa direção, um dia de progresso material. As idéias são lançadas no tempo com massa que lhes é própria, como os bólidos no espaço.

Eu percebo um aumentar de tensão, lento porém constante, que preludia o inevitável explodir do raio. Essa explosão é a última conseqüência, mesmo de acordo com a vossa lógica, de todo o movimento. Desproporção e desequilíbrio não podem durar; a Lei quer que se resolvam num novo equilíbrio. Assim como a última molécula de gelo faz desmoronar o iceberg gigantesco, assim também de uma centelha qualquer surgirá o incêndio. Antigamente os cataclismos históricos, por viverem

isolados os povos, podiam manter-se circunscritos; agora não. Muitos que estão nascendo, vê-lo-ão".

A leitura atenta deste trecho nos mostra algumas afirmações peremptórias que não deixam dúvidas sobre o que o futuro nos prepara. Logo no começo Ubaldi deixa claro que não se trata de "fim do mundo" mas de continuações e transformações. Estas transformações acontecerão em virtude do desequilíbrio existente entre o progresso científico e o progresso moral da humanidade. Pelo teor do texto: "Eu percebo um aumentar de tensão, lento porém constante, que preludia o inevitável explodir do raio [. . . .] de uma centelha qualquer surgirá o incêndio" fica revelado que estas transformações dar-se-ão de forma súbita, inopinadamente, e não de modo paulatino, aluvional, como acontece com os fatos históricos ordinários. Também não deixa dúvida sobre o tipo destas transformações: cataclismos históricos. O dicionário Aurélio nos elucida o sentido da palavra cataclismo:

Verbete: cataclismo:
1. Grande inundação; dilúvio.
2. Geol. Transformação brusca e de grande amplitude da crosta terrestre.
3. Fig. Convulsão social; revolta, convulsão.
4. Fig. Grande desastre; derrocada.

Assim se vê que serão transformações bruscas e de grande proporções. Agora poder-se-ia perguntar: quando se darão estes fatos? A princípio seria ousadia ou mesmo insano afirmar qualquer coisa a este respeito, já que inúmeras previsões anteriores não se cumpriram, porém, o texto finaliza de forma surpreendente: Muitos que estão nascendo, vê-lo-ão. Como a mensagem é de 1931 é fácil concluir, levando em conta uma média de vida de mais ou menos 70 anos, que estas transformações poderão acontecer nos próximos anos!

Para quem crê que a obra Ubaldiana é fruto de inspiração divina não subsistirá nenhuma incerteza sobre a fatalidade destas previsões. Outra mensagem, a última, Mensagem da Nova Era (1953), nos confirma o caráter inspirativo de toda a filosofia ubaldista:"Tendes hoje diante dos olhos um sistema completo, que com um princípio unitário soluciona todos os problemas e  traz resposta a todas as perguntas.

Tendes hoje a orientação que vos fornece a chave para explicar os enigmas do universo. Podeis usá-la, desde já, também pessoalmente, para continuar a pesquisa ao infinito no particular analítico. As gerações passarão, contemplando a ciclópica construção de pensamento elevada para o Alto na hora do destino do mundo."

...Sobre o mesmo assunto, no livro "Deus e Universo", Pietro Ubaldi escreve que a humanidade padece a doença do materialismo e agora caminha para a mesa cirúrgica. No ano dois mil, Deus terá completado a operação. A bomba atômica será instrumento de liquidação da civilização materialista que a produziu. (notem que ele não diz que a liquidação se dará no ano dois mil)A destruição bélica, se essa for a via que o mundo escolher, será a obra de Satanás, que terá a incumbência, assim como a traição de Judas preparou a redenção, de preparar a nova civilização do espírito. E a hora chegou, e a fim de que a humanidade, com o terceiro Milênio, entre no seu terceiro dia, aquele em que Cristo ressuscitou. Cristo que afirmou que reconstruiria o Templo em três dias. Assim a velha civilização materialista deve ceder lugar uma nova civilização do tipo oposto. (....)A hora é apocalíptica, porque é a hora da justiça quando todas as almas e os valores da humanidade devem ser joeirados, de uma forma implacável, a fim de que tudo o que não seja vital se incinere. Estamos afixiados por montanhas de falsidades e a vida se rebela porque está faminta de verdade. E a verdade deve ser dita a qualquer custo, pois que o mundo em breve será sacudido pelo alicerces".

Em "A Descida dos Ideais", Ubaldi completa:" A humanidade hoje se encontra na encruzilhada: ou ela segue a linha da evolução segundo o plano de Deus, que é o da espiritualização, avançando em direção ao Sistema para adquirir as suas qualidades, ou pelo contrário, continuando a seguir a psicologia do passado, feita de egoísmo e agressividade destrutiva, se prestará a fazer um uso louco dos novos potentíssimos meios dos quais dispõe. No primeiro caso, poderá alcançar uma verdadeira civilização; no segundo se autodestruirá e a supremacia da vida sobre o planeta passará a outras raças animais inferiores que substituirão a humana."
     Pedro Orlando Ribeiro
     porland@persogo.com.br

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