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Com toda sinceridade, para mim Deus ainda é um Ser, Criador, e nós somos Suas criaturas. Como explicar uma criação que não seja exterior a Deus?
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Hoje, o mundo já pode ter outra visão de Deus. Um Deus que fez uma criação transubstanciando-se. A criação surgiu Dele mesmo. Isto significa que Deus é a criação ou está presente em toda parte. Deus é onisciente, onipresente e onipotente. É uma concepção bastante avançada para nosso tempo, mas pode ser compreendida e aceita facilmente,embora os problemas do espírito ainda não sejam os mais importantes para a humanidade. Se Ele é a criação, está em nós, somos Sua substância. Somos centelhas de Deus.
Essa concepção concorda com a do Evangelho de João, com a de S. Agostinho (Muito me fatiguei, procurando-Te fora de mim, quando Te encontras em mim), com a de S. Paulo (Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o espírito de Deus habita em vós - Co, 3:l6) e com a de tantos outros que tenham alcançado o mesmo plano evolutivo.
Mostra-nos Pietro Ubaldi em Deus e Universo (15.22):
Eis o que significa o despertar de Deus dentro de nós. A vibração Dele, estado cinético da vida, mantém-se em inatividade no involuído e com isto a verdadeira vida está apenas latente, em estado de inércia, à espera de desenvolvimento, como um instrumento musical, cujas cordas estão mudas. A vida do involuído é uma vida animal, inferior, que a cada passo é contida pela morte e pela dor. Não é a vida verdadeira. Trata-se aqui de um despertar de consciência, que é justamente o estado cinético, qualidade do espírito; trata-se de entrar cada vez mais nesse estado cinético, o que significa desmaterializar-se (sair da inércia da matéria), para espiritualizar-se (entrar no dinamismo do espírito). E retornar ao espírito significa retornar ao divino, nosso estado originário, volvendo a ser consciente, vivo, vibrante, até na profundeza em que está Deus. Eis qual é a via para reencontrar Deus. Quando o homem tiver se tomado consciente da presença de Deus em si, o caminho da evolução estará completado, o edifício desmoronado estará reconstruído, a natureza rebelde terá volvido ao Criador.
Quem realmente sente Deus, O vê e encontra por toda a parte, mesmo no contingente cotidiano.
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Deus desfruta, em grau infinito, das boas qualidades que ostentamos em grau limitado?
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Teófilo, esta pergunta transmite a idéia de que nós somos o referencial ou seja ostentamos as boas qualidades em grau limitado e Deus as desfruta em grau infinito. É exatamente o contrário: Deus representa todas as qualidades positivas (amor, verdade, justiça, paz, equilíbrio, fé, alegria, luz... Tudo isso no sentido espiritual) e nós desfrutamos dessas qualidades que Ele nos deu quando nos criou e se encontram latentes em nós.
Quando nos afastamos de Deus, criamos as negativas (ódio, mentira, injustiça, desarmonia, desequilíbrio, descrença, dor, treva etc). A evolução consiste em abandonar as qualidades negativas e fazer desabrochar as que Deus nos deu. Assim nos fala Deus e Universo (8:8):
Antes que qualquer coisa tivesse princípio, fora do tempo, nascido depois, existia Deus que foi, é e será sempre o Todo, ao qual nada se pode tirar, nem acrescentar, mesmo em Sua criação, que não pode estar acima ou além, mas sempre, como Sua emanação. Sua característica fundamental era o amor, qualidade pela qual se exprime a natureza de Deus, princípio de que derivam todos os outros, primeiramente a liberdade do ser e, depois, as outras como o bem, a bondade, a harmonia, o poder, o conhecimento, a beleza, a felicidade etc., em suma, tudo o que de mais belo e melhor o ser possa imaginar.
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A diferença substancial entre nós e Deus, reside no fato de que ele é um ser absoluto e nós relativos?
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Esse é o conceito registrado por Sua Voz em A Grande Síntese, (30.01), através de Pietro Ubaldi:
Que vem a ser, neste sistema, o vosso conceito de Divindade? Compreendeis que Deus não pode pode ser algo mais e exterior à criação, ou distinto dela; que só o homem que está no relativo pode acrescentar a si, ou devenir além
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