AVANCEMOS nº 237 - Pag. 6

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Renúncia Franciscana

       É verdade que Pietro Ubaldi renunciou uma fortuna antes da missão?

       Quando se casou em 5 de agosto de 1912 com a jovem Antonieta Solfanelli, seus pais lhe deram muitos bens materiais de presente, porque eram riquíssimos A noiva também era rica, herança que recebera com a morte de seus genitores. Naquele dia casaram-se também duas riquezas além dos jovens nubentes. Pietro Ubaldi não nasceu para administrar bens deste mundo e sim do outro. Não conseguindo ser administrador daquela riqueza, contratou o Sr Ettore Sestes Pacini para fazê-lo. Não sendo possível viver no meio da riqueza com espirito franciscano a renunciou na primeira quinzena de setembro de 1931 Logo depois Cristo e S. Francisco de Assis lhe apareceram numa manhã radiosa, pouco antes de 14 de setembro, as 11 horas, quando fazia sua caminhada matinal, com ele caminharam durante 20 minutos, tempo suficiente para marcar sua alma) com ferrete de fogo, para toda eternidade. Esta cena é magistralmente descrita no capitulo O Voto de Um Destino Seguindo Cristo.

       A respeito da renuncia afirma Pietro Ubaldi em O Voto:

       Despojar-se em favor de quem? Esta é a primeira pergunta que em tais casos faz o mundo, ao qual não interessa de modo algum conhecer os problemas espirituais do próximo, mas antes saber aonde foi parar o tesouro, que é a coisa mais importante na Terra. Aqui delineia-se, subitamente, o desentendimento entre dois modos opostos de conceber a vida. Se ele era louco, pior para ele. Isto não interessava.

       O maior problema para o mundo são os bens terrenos, não os espirituais, tanto assim que estes se põem a serviço daqueles. Neste caso, então, não precisava esperar consentimentos. Por isso ele só falou com Deus, seguindo outra moral que não lhe permitia uma vida fácil à custa do trabalho alheio; e sim, exclusivamente com o fruto do seu trabalho, devia, conscientemente, sustentar-se e a sua família.

       Sentia como se sua alma saísse da prisão do corpo, quebrasse a barreira do limite que divide as duas formas de vida: material e espiritual, e, superado o plano físico e rebentadas as portas, entrasse em outro mundo, mais alto e longínquo, feito de outra realidade, em que ele agora se movimentava e vivia. Percebia, então, que para ele passava para segundo plano a comum percepção sensorial, prevalecendo em seu lugar diferente tipo de percepção, realizada com outros sentidos, agora interiores, mas capazes de sentir com a mesma potência e segurança, se bem que em forma diversa. Experiência imensa, arrebatadora, que não se pode descrevei, porque só quem a viveu pode conhecê-la verdadeiramente.

       O voto de pobreza não foi fantasia, porque foi mantido durante toda a vida. Duas semanas depois da visão, aquele homem, abandonando confortos e riquezas, estava já ganhando, como pobre, o seu pão em terra longínqua, vivendo num quartinho alugado, como professor, no interior da Sicília. Foi neste ambiente de pobreza que a visão continuou, mas de outra forma, como comunicação de espírito ou colóquio, que nunca mais parou, mantendo um contato incessante. Na primavera de 1932, quando nada se podia prever, a inspiração traçou um plano de trabalho anunciando a composição de uma Obra, já no seu 20º volume, com cerca de 8.000 páginas difundidas no mundo. Tudo isso que se previu à tanta distância de tempo, realizou-se. E óbvio que as doenças mentais não podem produzir tais resultados.

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