Monday, April 29, 2002
Preconceito e HistóriaUma vez Alberto Oliva, filósofo, escreveu uma frase profética: um fantasma ronda o ensino de história no segundo grau, o fantasma do marxismo vulgar. Era algo assim, ou exatamente esta a frase. A editora responsável pela coleção "Nova História Crítica", segundo consta da lista eletrônica de História, já vende seu livro com a chamada de que seria o "maior sucesso editorial dos últimos tempos", incomodando a "extrema-direita e monarquistas".
Em outras palavras, a tal coleção é justificada por incomodar um grupo de pessoas que não pensa como os não-monarquistas (o principal alvo, já que a extrema-direita, no Brasil, é minúscula e não se manifesta como em países desenvolvidos). Eu não sou monarquista, mas a chamada é de um mau gosto incrível.
Bem, não bastasse isto, ainda tem a outra coleção - há um "boom" editorial, pelo que vejo... - de livros, a chamada História Temática Retrospectiva. De qualquer forma, após o lançamento de seu livro, agora temos a polêmica do livro de História cujas críticas do (até então admirado pela patota de esquerda) Elio Gaspari sacodem a poeira dos velhos departamentos de História. Para se ter uma idéia do que andou rolando, é bom ver o próprio Elio Gaspari (não tenho o link aqui) ou esta entrevista da responsável, chefe do Departamento de História da USP, a respeito.
Não culpe os economistas, leitor. Os responsáveis agora são os historiadores, mais preocupados em vender livros anti-monarquistas ou em justificar seus erros crassos apelando para o "racismo" ou para a "necessidade de uma nova proposta", e outros chavões de primeira.
Triste, não?
posted by Claudio Shikida 12:31 PM
Sunday, April 21, 2002
Análise de má qualidade?Na página da CNBB, um exemplo típico de análise econômica de má qualidade, infelizmente. Vejam o trecho, com meus comentários.
Apesar de todo o progresso tecnológico e de toda a modernização da economia, a fome persiste como o indicador mais visível e grave da situação desumana que coloca nosso país entre os mais injustos do Planeta. As desigualdades sociais crescem como fruto deste modelo de globalização do mercado, que concentra poder e riqueza enquanto faz diminuir os postos de trabalho nas atividades econômicas na cidade e no campo. Degrada a natureza, causa desastres ecológicos e multiplica, a cada dia, o número de excluídos. Existe, entretanto, alimento suficiente para todos e a fome e a miséria se devem à má distribuição da terra e à desigual repartição dos bens e da renda. Daí brota a interpelação: Como pode uma população cristã, em sua maioria, conviver com tal situação? A consciência cristã clama, pois nada pode justificar que tantos irmãos e irmãs padeçam fome.
Em primeiro lugar, onde estão os dados? Qual o período analisado? Se analisarmos o crescimento da economia global e, adicionalmente, os índices sobre nutrição, não nos últimos 34 meses, mas num prazo mais longo (mesmo o pessoal da dialética materialista concordaria com este webmaster neste ponto), veremos que a globalização do mercado (iniciada, inclusive, em algum período remoto, talvez antes da globalização da religião católica) tem melhorado e atenuado a fome no mundo.
Em segundo lugar, os postos de trabalho diminuem? Até onde sei, o desemprego no Brasil é como em qualquer lugar do mundo. O argumento mais simples seria: quantos postos de trabalho são criados em relação aos que desaparecem devido, por exemplo, à mudança tecnológica? Às vezes penso que ao invés de irem à faculdade criticar os professores de economia sem lerem os textos, alguns alunos deveriam gastar uma parte do seu tempo lendo um pouco de Schumpeter. Mas, enfim, a consciência cristã parece não ter tempo para isto. Afinal, "quem sabe faz a hora, não espera acontecer" (e nem parece querer entender o que acontece...).
Somos informados também de desastres ecológicos. Bem, os dados, por exemplo, citados no "The Skeptical Environmentalist" de Lomborg - e que não são dele e sim de fontes como a ONU, FAO ou OMS - não apontam para um aumento dos mesmos. Aliás, para ser mais correto, eu deveria especificar o que chamo de "desastre ecológico". Afinal, se eu derrubar uma árvore, estarei causando um desastre ecológico? Duas? E se as duas forem usadas para construir mais casas? Alguém aí se lembrou do "custo de oportunidade" que é o conceito relevante para uma análise de custo-benefício? Nãooo..nem sinal dele no trecho acima.
Finalmente, a chantagem não cola. Eu sou batizado, preocupo-me com a fome, mas com uma análise destas, como a apresentada acima, eu realmente não faço a menor questão de me unir a um esforço promovido por uma organização que não consegue gerar um boletim de conjuntura menos catastrofista e mais realista. Ponto negativo para a CNBB.
Cláudio, o Webmaster
posted by Claudio Shikida 10:57 AM
O que ocorre com o PT? Retiradas de "O Estado de São Paulo"Dois comentaristas econômicos - normalmente satanizados pela oposição - mostram que o velho teorema da convergência dos partidos políticos para o eleitor mediano prevalece. Isso não quer dizer que os partidos não possam descumprir suas promessas de campanha após as eleições, mas sim que vão tentar atrair até o último minuto o voto dos eleitores, mudando seu discurso e tentando se mostrar mais "light". Em grossas palavras, mas verdadeiras, este é um famoso resultado de Economia Política (não a velha e dialética, mas a nova e cientificamente refutável). Você não acha que isto está acontecendo? Bem, então leia aqui e aqui para formar sua própria opinião. Note que o segundo link mudará no domingo que vem. Portanto...atenção antes de ler.
posted by Claudio Shikida 10:41 AM
Saturday, April 20, 2002
Economia simples, humor também Retirado de Reason
posted by Claudio Shikida 1:17 PM
Friday, April 19, 2002
Libertários conspirando... Anti-state.comLibertários, o que eles estão fazendo nesta época de terrorismo? Confira aqui.
posted by Claudio Shikida 1:38 PM
Terrorismo The Wall Street JournalOk, eu não gosto do Benjamin Netanyahu. Mas isso não quer dizer que ele só fale coisas erradas ou absurdas. Aliás, ele acertou no ponto quando disse:
But the root cause of terrorism, the deliberate targeting of civilians, is not the deprivation of rights. If it were, then in the thousands of conflicts and struggles for national and civil rights in modern times we would see countless instances of terrorism. But we do not.
Mahatma Gandhi fought for the independence of India without resorting to terrorism. So too did the peoples of Eastern Europe in their struggle to bring down the Berlin Wall. And Martin Luther King's campaign for equal rights for all Americans eschewed all violence, much less terrorism.
Quer ler mais? Clique aqui, mas lembre-se de se registrar.
posted by Claudio Shikida 1:27 PM
Thursday, April 18, 2002
Ambientalistas malucosE a guerra continua. A Scientific American quer criticar sem ser criticada, Lomborg se defende e Ronald Bailey resenha a briga num ponto-de-vista bem favorável ao autor do "Skeptical Environmentalist". Confira a resenha do Bailey aqui. A homepage do Lomborg, se não estou enganado é esta aqui.
posted by Claudio Shikida 4:16 PM
Wednesday, April 17, 2002
Mais ChavezPara quem gosta de Hugo Chavez, mais uma pequena mostra do que acontece na Venezuela. O link aí é do Estado de São Paulo.
Olha o trecho.
CARACAS - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, o colombiano César Gaviria, teve ontem uma demonstração do grau de polarização a que chegou a Venezuela. Gaviria, que veio a Caracas colher informações para um informe que apresentará amanhã aos embaixadores da OEA, chegou logo cedo à Assembléia Nacional, para ouvir os deputados. Entretanto, ali só havia deputados que apóiam o governo.
Para se encontrar com os oposicionistas, que se recusaram a falar ao lado dos governistas, teve de ir ao Hotel Hilton, depois de se reunir com o presidente Hugo Chávez, no Palácio Miraflores.
Os deputados alegaram que sua integridade física não estava assegurada, citando como exemplo o atentado que matou um guarda-costas do deputado Carlos Tablante, dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS). O presidente da Assembléia, William Lara, que apóia Chávez, pediu reforço da Guarda Nacional para proteger os deputados e proibiu aglomerações na frente do Parlamento.
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Como já disse: quem, no Brasil, gosta de Chavez? Faça uma pesquisa, leitor.
posted by Claudio Shikida 1:18 PM
Tuesday, April 16, 2002
Um argumento contra as escolas públicas - Rational ReviewPara você pensar a respeito [clique no trecho para ler o artigo]:
I were to tell you that I believed I had a right to kidnap your children each and every weekday morning, nine months out of the year, for twelve years running, and transport them to a place of my choosing to be indoctrinated for six to eight hours in the ideas and philosophies which I believed best represented right thinking, you'd probably call the police and tell them that you had another extremist nut on your hands, and that he might be dangerous. If I further informed you that I expected you to pay, annually, a portion of the value of whatever property you owned to cover the costs of this kidnapping (whether you were the parent of any of the children I was doing this to or not), you'd probably save the police some time and gun me down like a rabid dog on the spot. Once again, you'd be right.
And, once again, this is done every day under the rubric of "public education," by strange extremist groups with cryptic, quasi-military names such as "Lebanon R-3," and not many people pay a great deal of attention or regard it as particularly abnormal that this should be so. Libertarians, of course, believe that educational decisions are best made by parents, not by the extremists in the Department of Education compound. Moderation, you know
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posted by Claudio Shikida 1:03 PM
A liberdade e a lei: existem limites para a democracia? - excertos do prof. Og LemeOg Leme
O subtítulo da nossa sessão nos pergunta "se existem limites para a democracia". A resposta é um enfático "sim, deve haver balizas para o processo democrático, de modo a evitar ou, pelo menos, minimizar agressões à liberdade individual e às duas grandes instituições da ordem liberal: o Estado de direito e a economia de livre mercado". E devo acrescentar imediatamente que, a despeito da insidiosa ameaça da democracia à ordem liberal, ainda não se encontraram meios eficazes que impeçam a transformação desse risco, de latente em manifesto.
Enquanto essas salvaguardas não forem encontradas, o problema pode ser parcialmente controlado com a adoção de algumas medidas, das quais destaco três: 1. A redução dos poderes delegados ao processo político de decisões coletivas, com a devolução, para o processo de decisões individuais de mercado, de atribuições que genuinamente lhe pertencem. Isso equivale a reduzir o tamanho do governo e, portanto, a aumentar a jurisdição do mercado. 2. Aplicação do princípio organizacional da subsidiariedade, com o conseqüente fortalecimento dos municípios e estados federados, em detrimento da União. Isso eqüivale ao enobrecimento funcional do processo político. 3. Privatização e desregulamentação, duas ações que se complementam e se fortalecem no resgate dos direitos de propriedade. Isso equivale a devolver à propriedade privada o papel insubstituível que deve ter numa economia de mercado. A adoção de um programa desse tipo deve ser precedida e acompanhada de ampla e intensa campanha de esclarecimentos.
O fracasso dramático do socialismo real e a espetacular queda do Muro de Berlim criaram no espírito dos liberais a esperança de que as cruentas experiências do século XX com as várias formas de estatismo tivessem, afinal, pavimentado o caminho da liberdade. Houve até quem anunciasse "o fim da história", com o reconhecimento da liberal-democracia como forma ideal definitiva de governo. Mas houve também observadores mais serenos, como foi o caso do Prêmio Nobel James Buchanan, advertindo-nos sobre o perigo da nossa euforia. Dizia-nos ele: "o socialismo está morto, mas o seu espírito continua vivo" ("Socialism is dead, but Leviathan lives on...").
Buchanan estava certo: os inimigos da liberdade não desistiram de seus propósitos de descobrir pretextos para submeter-nos à vontade daqueles que ocupam os poderes coercitivos do Estado; apenas mudaram de trincheira, de cor e de bandeira, tal qual os vírus que, combatidos, se transformam, se camuflam, mantendo incólume toda a sua malignidade. Os gaúchos, ainda recentemente, viram em ação várias amostras desses grupos que tinham como um dos líderes um patético criador de cabras, da França, incapaz de manter-se em suas próprias pernas como empresário, sem o apoio financeiro de seu governo. Nesse verdadeiro circo de horrores que foi esse recente encontro mundial de Porto Alegre, e que pretendeu ser a alternativa de Davos, desfilaram os representantes das mais exóticas viroses políticas do mundo contemporâneo: os verdes, as viúvas e órfãos do socialismo, os distributivistas, os sem-terra, os protecionistas, os inimigos da globalização, os partidários do Estado benemerente e da Justiça alternativa, os que preferem a ação do Estado à do mercado, etc. Todas essas viroses políticas têm em comum, pelo menos, a busca desesperada de uma "terceira via", esquecidos da sábia advertência de Václav Klaus de que a "terceira via" é o melhor caminho para "o Terceiro Mundo". Eles compartilham a idéia de que "o governo é a solução", ao contrário dos liberais que vêem o governo como o problema. O curioso é que muitas dessas pessoas reconhecem a incompetência do governo para solucionar problemas que genuinamente lhe competem, como o combate à dengue, mas que não vacilam em conceder mais poderes para esse mesmo governo se encarregar de enfrentar questões que lhes são espúrias como, por exemplo, a da educação de nossos filhos.
Entre essas atualizadas viroses políticas, que ameaçam a liberdade individual e os direitos de propriedade, há uma especialmente perigosa, porque convive conosco, no nosso cotidiano, assumindo méritos e atributos que não lhe pertencem. Refiro-me a uma aberração política que não sei se chamo de democratice, democratose ou democratismo. Refiro-me a uma deformação conceitual de democracia que leva consigo uma abrangência exagerada de sua aplicação prática, bem como a apropriação de méritos alheios. A idéia que se vem generalizando é de uma democracia como panacéia para todos os problemas do mundo. Trata-se de idéia equivocada, de custosas conseqüências.
Democracia é apenas uma forma de organizar o processo político de decisões coletivas, de modo a ter o povo no poder, a prevalecer a opinião da maioria e assegurar a pacífica e periódica substituição dos representantes do povo no poder.
Mas ela é, sobretudo, uma das formas de organizar o processo político de decisões coletivas. Para que se possa entender o significado dessa afirmação é preciso atentarmo-nos para a idéia de que em qualquer sociedade há dois grandes grupos de problemas: 1. os que podem ser solucionados pelos agentes particulares, autonomamente, em suas residências, clubes, mercado, etc. sem interferência do governo; 2. os que requerem a ação estatal.
A democracia se aplica exclusivamente ao segundo grupo de problemas, isto é, aos problemas políticos, àqueles que não podem ser satisfatoriamente resolvidos pelos indivíduos, no lar, no trabalho, no clube e, principalmente, no mercado.
A visão deformada do processo democrático leva às funestas tentativas de aplicá-lo a grupos sociais que não são parte do mundo da política, como as famílias e as empresas. É claro que sempre se pode adotar um estilo "democrático" na vida familiar e nas empresas, mas a adoção, de fato, desse método político nos dois casos considerados leva a empresa à falência e a família à desorganização.
Muita gente tende a relacionar a democracia à liberdade, quando de fato ela se identifica muito mais com o ideal da igualdade. A liberdade exige menos governo, ao passo que a igualdade requer mais governo. Essa é uma das razões para o permanente estado de tensão dialética entre democracia e liberalismo, conforme tão bem observou Norberto Bobbio.
Há uma tendência também de associar-se a democracia à prosperidade ou desenvolvimento. Trata-se de associação espúria. A correlação que de fato existe é dupla: do desenvolvimento com a liberdade econômica; e da liberdade econômica com a instituição do Estado de direito e a eficácia dos contratos livremente pactuados entre as pessoas. Se a democracia fosse condição da prosperidade, a Índia seria próspera e Hong Kong muito pobre. A prosperidade americana não é fruto da democracia, mas de uma ordem liberal-democrática constitucional que foi concebida pelos "Founding Fathers" com a aguda percepção da imperiosa necessidade de limitar os poderes dos governantes, a fim de preservar algo muito acima deles e anterior a eles: o conjunto de direitos fundamentais à vida, à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade pessoal. Os Pais Fundadores tiveram clara percepção da necessidade de balizar o processo político, de modo a preservar a integridade dos cidadãos, mas aparentemente não conseguiram institucionalizar limites eficazes para o processo democrático. Alex de Tocqueville, com sua extraordinária percepção, intuiu a possibilidade desse descaminho durante sua visita aos Estados Unidos, no século XIX. Simon Bolívar também, conforme se pode verificar nos projetos de Constituição que ele concebeu para a Venezuela e Bolívia. Hayek, consciente desse drama institucional, sugeriu uma versão eventualmente mais adequada de democracia, que ele batizou de demarquia, um modelo, aliás, parecido com o proposto por Simón Bolívar.
A idéia que desejo transmitir-lhes é esta: a democracia necessita de limites, mas até agora não se encontrou solução institucional eficaz para o problema. E o problema se agrava em nossos dias com a degradação do conceito de democracia. Devemos recolocá-lo em seu devido lugar, afastando de nós a possibilidade da institucionalização da ditadura da maioria, e a apropriação de privilégios por minorias capazes de influenciar as autoridades. Enquanto não descobrimos freios eficazes para o processo democrático, podemos minimizar seus danos por meio da redução dos poderes públicos e a sua descentralização.
Og Leme é sociólogo (USP) e economista (Chicago University). Membro do staff do Instituto Liberal-RJ
posted by Claudio Shikida 3:19 AM
Pergunta que não quer calarSe fosse o Fujimori o MST apoiaria? Ah...que mundo difícil este de dois pesos....
posted by Claudio Shikida 3:17 AM
Diga-me com quem andas...Chavez não tem só o apoio do Irã, Iraque e da Líbia, como você leu aqui neste blog. A solidariedade também está presente no MST do Brasil, conforme esta nota do Estadão.
posted by Claudio Shikida 3:16 AM
'Hugo, o que aconteceu aí?', pergunta Lula a Chávez Estado de São PauloAinda sobre a genial reviravolta na Venezuela, para vocês, (e)leitores, direto do Estadão...
'Hugo, o que aconteceu aí?', pergunta Lula a Chávez
Presidente venezuelano narra a FHC telefonema que recebeu do líder petistaCARACAS - O presidente Hugo Chávez fez ontem um agradecimento especial ao presidente Fernando Henrique Cardoso, por ter defendido a legitimidade de seu governo, durante as 48 horas em que ele esteve afastado do poder. Na presença de jornalistas de 66 meios de comunicação estrangeiros e 20 venezuelanos, no Palácio Miraflores, Chávez disse que três países, em especial, tiveram uma atuação firme em favor da "institucionalidade" na Venezuela: o Brasil, o México e o Chile.
Chávez conversou ontem, pelo telefone, com Fernando Henrique. Ele contou que o candidato do PT à Presidência, Luiz Ignacio Lula da Silva, também lhe telefonou. "O Lula me perguntou: 'Hugo, o que aconteceu aí?'", relatou Chávez. "Todos estavam estupefactos com o que ocorreu na Venezuela", testemunhou o presidente.
"Até Fidel Castro, que tem 50 anos de vida pública, me disse que estava boquiaberto, que nunca tinha visto isso na vida", disse ele, referindo-se ao ritmo vertiginoso dos acontecimentos desde quinta-feira, na Venezuela.
Chávez conversou também com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e com o presidente russo, Vladimir Putin, entre outros. Hoje, ele se reúne com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria. (L.S.)
posted by Claudio Shikida 3:14 AM
Sunday, April 14, 2002
Memória curta?Outra do Estado.
De Lula sobre Chávez: 'Ele pensa o que eu penso'
Petista ressalta pontos de convergência entre suas convicções e as do presidente venezuelano
LUCIANA NUNES LEAL
Enviada especialCARACAS - Depois de quatro horas de conversa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, saiu entusiasmado. O petista descobriu opiniões convergentes.
Um exemplo: "Ele pensa o que eu penso. A relação com os Estados Unidos é importante, mas não pode se subordinar. Sem antiamericanismo", explicou o presidenciável. E ficou convencido sobre pontos polêmicos do pacote de 49 leis baixado pelo presidente venezuelano que definiram novas regras para a posse de terra, aumentaram as exigências para os grandes empresários, entre muitas outras mudanças (mais detalhes na página 22).
Lula e sua comitiva - formada pelo governador do Acre, Jorge Viana, e o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque - mostravam total entrosamento com Chávez. O petista defendeu o presidente da Venezuela até das acusações de não ter apresentado resultados eficazes, após uma campanha centrada na diminuição da pobreza: "Como podem exigir que em três anos ele tenha conseguido o que não fizeram em 20 anos?"
No lobby do hotel Hilton Caracas, onde esperava na sexta-feira para seguir ao aeroporto e embarcar de volta ao Brasil, Lula citou os "pontos de convergência" entre as convicções dos dois. Disse que as crescentes manifestações contra Chávez, que podem levar a uma paralisação de 12 horas, não preocupavam o seu anfitrião. "Ele dá a isso uma dimensão menor do que a gente. Acredita que a reação é natural, mas está certo que o povo está do seu lado", comentou.
Para Lula, o clima de agitação na Venezuela é uma previsível "reação da elite", posta diante de um governo voltado para a população sem emprego, sem renda, sem terra. "Ele tem clareza de sua missão", acrescentou Cristovam, impressionado com o "amadurecimento" de Chávez, que tentou um frustrado golpe de Estado em 1992, foi preso e só em 1998 foi eleito pelo voto, quando promoveu o que chama de "revolução bolivariana".
"A gente sente a sinceridade quando ele fala de suas convicções", completou o governador Viana. Lula, então, sinalizou com a cabeça, como quem aprovou as considerações dos dois.
Até um pequeno conselho o líder petista aproveitou para fazer ao presidente venezuelano, durante o almoço na residência oficial La Casona: não aceitar a "provocação da direita". "Eu disse que não é o caminho certo", relembrou.
Espada - Sugeriu, ainda, que Chávez escolha um de seus colaboradores para devolver os ataques dos adversários - como quem demonstra que tem outras preocupações e um comprometimento com o governo, não com o confronto permanente. Lula comentou, também, alguns dos pontos que despertaram mais reações negativas do empresariado no pacote de Chávez.
Entre eles, a Lei da Terra. "Não tem novidade alguma, quer produtividade e comprovação da propriedade", justificou o petista.
O fato de o presidente venezuelano ter recorrido à Lei Habilitante, que permite ao governante decidir sobre pontos cruciais do país, não abalou a admiração que Chávez despertou na comitiva brasileira. "É como a medida provisória", ressaltou Cristovam.
Ainda sob o impacto da longa conversa, Lula abriu um sorriso para exibir o presente que recebeu de Chávez: uma réplica em miniatura da espada de Simon Bolívar. A mesma réplica - mas em tamanho real - foi oferecida ao presidente Fernando Henrique Cardoso. "Ele disse que presenteia a espada grande aos governantes e que esta pequena era um adiantamento", brincou.
posted by Claudio Shikida 2:43 PM
Diga-me com quem andas...Esta notícia da Agência Estado diz tudo...Diga-me com quem andas...e eu te direi quem és...
Irã, Iraque e Líbia apóiam Chávez
Teerã - Irã, Iraque e Líbia expressaram satisfação pelo retorno do presidente Hugo Chávez ao poder, informou hoje um porta-voz do Ministério do Esterior iraninao. Segundo Hamid Reza Asefi, foi "uma vitória muito importante para a democracia e uma afirmação da decisão do povo venezuelano".
"Recorrer à força, a golpes de estado e a outros meios ilegais para mudar governos legítimos é uma manobra que o mundo de hoje não aceita mais", afirmou Asefi.
O Irã condenou ontema tentativa de golpe de estado contra Chávez, que assumiu o poder em 1998, e mantém estreitas relações com Teerã.
O vice-primeiro ministro do Iraque Tareq Aziz definiu o fracasso do golpe de estado como "uma vitória contra a conspiração norte-americana". Para Aziz, os Estados Unidos "fracassaram não só na Venezuela, mas em todo o mundo".
Finalmente, o líder libio, o coronel Muammar Kadafi, manifestou "solidaridade do povo líbio com o venezuelano, com quem divide sua alegria" pelo retorno do presidente Chávez.
posted by Claudio Shikida 2:39 PM
Educação, brazilian style...Acompanhe a realidade por trás dos números oficiais....aqui.
posted by Claudio Shikida 5:43 AM
Saturday, April 13, 2002
A mentira básica do socialismoOlavo de Carvalho
O Globo, 13 de abril de 2002“Ah! Les intentions, les intentions! Les idéaux, les idéaux!” Sergiu Celibidache, regente de orquestra, budista praticante, comentando as belas intenções com que a China comunista matou um milhão de budistas tibetanos.
“Nous étions des cons.” Yves Montand, referindo-se à militância esquerdista.
Osr. Immanuel Wallerstein, numa obra festejada pela mídia como o nec plus ultra do pensamento esquerdista nos últimos anos, afirma ter descoberto a “profunda irracionalidade” do capitalismo. Ela consiste na idéia do lucro ascendente: ganhar mais para ganhar mais para ganhar mais. Com o objetivo de demonstrar isso ele escreveu um tratado de centenas de páginas, nas quais só se esqueceu de uma coisa: dizer o que a idéia de riqueza crescente tem de irracional, já que justamente ela corresponde a um dos mais naturais instintos humanos e a um dos motores essenciais de todo progresso social.
Mas a intelectualidade marxista, filha de um notório mentiroso, mitômano e charlatão, cujas trapaças científicas são hoje bem conhecidas pelo simples cotejo dos documentos que usou para escrever “O capital”, não poderia ser mesmo muito exigente consigo própria. Daí sua compulsão de celebrar como elevado produto do espírito humano qualquer nova cretinice inventada por alguém de suas fileiras, seja a genética de Lyssenko, a “revolução na revolução” de Régis Débray ou a via gramsciana para o socialismo. Esta, por exemplo, jamais consegue chegar ao socialismo mas, no caminho, vai transformando a sociedade capitalista num inferno mediante a destruição sistemática dos valores culturais, religiosos e morais que a sustentam, substituídos por um cinismo individualista que depois a própria militância gramsciana, sem ver que se trata de obra sua, denuncia como um horror inerente ao espírito do capitalismo.
Já a irracionalidade do socialismo não precisa de muitas páginas para ser demonstrada. Basta-lhe um breve parágrafo. Compreende-a, num relance, quem quer que seja capaz de apreender intelectivamente o conceito mesmo de socialismo tal como expresso por seus apóstolos. Esse conceito é o de um Estado que destitui do poder a classe rica em nome da classe pobre. Ora, para intervir eficazmente numa luta em defesa do mais fraco agredido pelo mais forte é preciso, por definição, ser mais forte que o mais forte. Logo, a vanguarda socialista, para vencer a burguesia, deve acumular mais poder político, militar, policial e judiciário do que a burguesia jamais teve. Porém, como todo poder custa dinheiro, é preciso que a vanguarda detenha também em suas mãos o controle de uma riqueza maior do que a burguesia jamais controlou. Donde a supressão de toda distinção real entre poder político e econômico, que no capitalismo ainda permite aos pobres buscar ajuda num deles contra o outro. Qualquer criança de doze anos pode concluir, desse rápido exame, que a formação de uma nomenklatura politicamente onipotente e dotada de recursos econômicos para levar uma vida nababesca não é um “desvio” da idéia socialista, mas a simples realização dela segundo o seu conceito originário. Infelizmente, nem todo cidadão imbuído de seu sacrossanto direito de expressar opiniões políticas tem a maturidade intelectual de uma criança de doze anos.
Mas mesmo sujeitos desprovidos de capacidade abstrativa para deduzir conseqüências do simples enunciado de um projeto deveriam ser capazes de tirar conclusões de cem anos de experiência socialista, que confirmam repetidamente aquela dedução. Se, incapaz de análise lógica, o indivíduo também se recusa a aprender com a experiência que a confirma, então é porque sua mente desceu ao último estágio do obscurecimento, o que é de fato o único motivo que alguém pode ter hoje em dia para continuar acreditando em socialismo.
A objeção gramsciana, que a muitos ocorrerá automaticamente, de que o Estado socialista será controlado por sua vez pela “sociedade civil organizada”, é apenas um subterfúgio muito desonesto, porque basta ter lido Gramsci para saber que a tal “sociedade civil organizada” não é senão a estrutura do Partido, a vanguarda propriamente dita, que, permanecendo legalmente distinta do Estado, estará “integrada” com ele na estrutura maior que o ideólogo italiano denomina “Estado ampliado” — uma expressão cujo sentido ameaçador e tenebroso pode ser apreendido à primeira vista por quem compreenda o que lê, o que infelizmente não é em geral o caso da militância esquerdista, mesmo universitária.
Também não é intelectualmente respeitável, nem como fantasia passageira, a crença corrente de que as conseqüências lógicas da aplicação da idéia socialista, tal como as acabo de descrever, não estiveram nunca nas “intenções” da militância, inspirada sempre por elevados ideais de justiça e bondade.
O termo “intenção”, no caso, designa o valor (moral, político, jurídico, religioso que seja) que a mente socialista associa à idéia ou conceito a realizar. Mas quem quer que compreenda a idéia socialista percebe, no ato, a contradição insolúvel entre essa idéia e o valor associado. Se o socialismo é o que é, não pode valer o que dizem que vale.
Ora, cultivar uma “intenção” subjetiva que a priori já está desmentida pelo simples conceito daquilo que essa intenção pretende realizar é um estado psíquico de cisão esquizofrênica, que um homem não pode cultivar por muito tempo sem ser levado a uma sucessão de crises insolúveis.
Por exemplo, um sujeito que se case alimentando ao mesmo tempo a “intenção” de conservar a liberdade sexual de um jovem solteiro, ou que contraia muitas dívidas com a “intenção” de manter intacto o seu saldo bancário mês a mês, estará alimentando uma contradição vital que, em breve tempo, o levará a um desenlace trágico. Ele dirá que esse resultado não estava nas suas “intenções”, mas nenhum homem adulto tem o direito de camuflar indefinidamente a absurdidade intrínseca de seus atos com um verniz de belas intenções.
Mais ainda: como qualquer mentira existencial básica prolifera inevitavelmente numa infinidade de mentiras instrumentais necessárias à sua tradução em atos, em breve todo o campo mental do sujeito estará repleto de mentiras que ele já não poderá reconhecer como tais sem uma dolorosa e humilhante tomada de consciência. E desta ele se esquivará enquanto puder, mediante a produção de uma terceira, de uma quarta e de uma quinta camadas de subterfúgios e racionalizações, e assim por diante até à completa fragmentação da psique e à perda da dignidade da inteligência humana.
Esta tem sido a história do socialismo. É só isso que explica a facilidade com que, de um legado monstruoso de terror e misérias, superior em número de vítimas à produção somada de duas guerras mundiais, a alma socialista pode colher como a mais bela das flores morais a mitologia renovada das “intenções”, e ainda ter a inigualável cara-de-pau de denunciar a “irracionalidade do capitalismo”.
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Comentário do WebmasterTaí um texto do Olavo que me fez recordar de seus primeiros livros ("O Imbecil Coletivo", I e II). Embora eu goste do filósofo Olavo, ultimamente tenho achado ele um tanto quanto precipitado nas análises, mesmo quando fala de Economia. Aliás, neste item, ele apenas parece usar alguns economistas austríacos, nada mais.
Entretanto, o texto acima mostra alguns raciocínios interessantes no que diz respeito ao socialismo e que me permiti deixar em negrito para o leitor. É isso aí, gente.
posted by Claudio Shikida 11:39 AM
Friday, April 12, 2002
Cuba diz que multidão "violenta" cerca a embaixada....A Folha de São Paulo (acho que você tem de se registrar) está com esta manchete...ou seja, manifestação popular nos olhos dos outros é refresco...
posted by Claudio Shikida 11:04 PM
Mais ChavezChavez, o ex-presidente...mais sobre ele no Washington Post.
posted by Claudio Shikida 11:01 PM
Chavez e CubaGolpes militares são sempre ruins, não? Agora, alguém poderia me responder uma singela pergunta? É a seguinte: por que assessores de Hugo Chavez escolheriam a embaixada de Cuba para se refugiar?
Tese da esquerda brasileira: "É para prejudicar a candidatura do Lula. Na verdade, isto foi armado pela direita. O golpe é falso, Hugo Chavez é falso e a única verdade está na tentativa neoliberal, globalizante e excludente de nos prejudicar".
Tese da direita brasileira: "É um castigo do povo congtra este comunista. O golpe militar veio em boa hora, evitando a transformação do país numa ditadura socialista".
Tese do liberal perplexo (este webmaster): "Por que eles se escondem na embaixada de Cuba? Vai ter eleição? Algum louco vai dizer que um golpe militar é uma medida liberal no sentido correto da palavra, isto é, a do dicionário, não a da propaganda política?"
Em tempo: algum candidato a presidente acredita que Chavez era um exemplo a ser seguido?
Chavez no Estadão e Chavez no JB.
posted by Claudio Shikida 10:17 PM
Portugueses LiberaisEsta semana na Homepage da Causa Liberal:
Aparentementemente, os Liberais seriam a favor da imigração livre. No entanto, teorias recentes colocam em causa este princípio. Leia o debate online que sobre esta matéria os membros da Causa Liberal mantiveram entre si.
Sobre este tema a Causa Liberal disponibiliza, igualmente, ligações para:
- A edição do Journal of Libertarian Studies dedicado a esta problemática;
- O artigo "Classical Liberalism in the 21st century: freedom to move" editado pela revista Freedom Daily;
- O artigo"Immigration Policy for an Age of Mass Movement", disponibilizado pelo Institute of Economic Affairs;
- E para o Free-Market.Net Spotlight sobre este tema.
Destacamos, igualmente, os seguintes artigos:
- "Origens do PC do B", de Olavo de Carvalho, onde o autor lembra as origens do PC do B e admoesta os partidos "de direita" por não recordarem aos eleitores os regimes com os quais os partidos comunistas se encontravam comprometidos. Um bom conselho numa altura em que a imprensa portuguesaos se prepara para canonizar os "comunistas reformadores", depois de ter feito o mesmo com grupúsculos comunistas (como o BE).
- "Empire Burlesque", artigo publicado na última edição da revista Reason sobre o livro "Empire" de Hardt e Negri, este último um antigo membro das brigadas vermelhas italianas. "Empire" é uma das bíblias do movimento anti-globalização, e é aqui retratado como um esforço de reabilitação do marxismo. Um livro fraco do ponto de vista académico, embora com grande sucesso editorial.
- "As falsas esperanças da Taxa Tobin", é um artigo traduzido e disponibilizado pelo Instituto Liberal do Rio Grande do Sul, no qual são desmacarados os argumentos dos defensores da taxa tobin.
- "Em defesa da Arthur Andersen", um artigo disponibilizado pelo Mises Institute.
Na secção Biblioteca da Liberdade, disponibilizamos links para as últimas edições online de revistas que combatem pela Causa da Liberdade. Os visitantes poderão, igualmente, ler a última edição de Policy, revista sobre políticas públicas editada pelo Center of Independent Studies (Austrália), e fazer download:
- De "Unbundling the Welfare State", livro editado pelo Adam Smith Institute;
- De "A Tale of Two Chileans: Pinochet and Allende", onde o mito criado em volta do marxista Allende é desfeito;
- Dos papers apresentados na 8ª 'Austrian' Scholars Conference que se realizou em 15 e 16 de Março de 2002 (organização do Mises Institute). Os papers tratam temas variados e encontra-se organizados por temas (filosofia, história, economia, religião, public choice, escola de Chicago, etc...)
Saudações Liberais,
CAUSA LIBERAL
posted by Claudio Shikida 1:46 AM
Portugueses LiberaisEsta semana na Homepage da Causa Liberal:
Aparentementemente, os Liberais seriam a favor da imigração livre. No entanto, teorias recentes colocam em causa este princípio. Leia o debate online que sobre esta matéria os membros da Causa Liberal mantiveram entre si.
Sobre este tema a Causa Liberal disponibiliza, igualmente, ligações para:
- A edição do Journal of Libertarian Studies dedicado a esta problemática;
- O artigo "Classical Liberalism in the 21st century: freedom to move" editado pela revista Freedom Daily;
- O artigo"Immigration Policy for an Age of Mass Movement", disponibilizado pelo Institute of Economic Affairs;
- E para o Free-Market.Net Spotlight sobre este tema.
Destacamos, igualmente, os seguintes artigos:
- "Origens do PC do B", de Olavo de Carvalho, onde o autor lembra as origens do PC do B e admoesta os partidos "de direita" por não recordarem aos eleitores os regimes com os quais os partidos comunistas se encontravam comprometidos. Um bom conselho numa altura em que a imprensa portuguesaos se prepara para canonizar os "comunistas reformadores", depois de ter feito o mesmo com grupúsculos comunistas (como o BE).
- "Empire Burlesque", artigo publicado na última edição da revista Reason sobre o livro "Empire" de Hardt e Negri, este último um antigo membro das brigadas vermelhas italianas. "Empire" é uma das bíblias do movimento anti-globalização, e é aqui retratado como um esforço de reabilitação do marxismo. Um livro fraco do ponto de vista académico, embora com grande sucesso editorial.
- "As falsas esperanças da Taxa Tobin", é um artigo traduzido e disponibilizado pelo Instituto Liberal do Rio Grande do Sul, no qual são desmacarados os argumentos dos defensores da taxa tobin.
- "Em defesa da Arthur Andersen", um artigo disponibilizado pelo Mises Institute.
Na secção Biblioteca da Liberdade, disponibilizamos links para as últimas edições online de revistas que combatem pela Causa da Liberdade. Os visitantes poderão, igualmente, ler a última edição de Policy, revista sobre políticas públicas editada pelo Center of Independent Studies (Austrália), e fazer download:
- De "Unbundling the Welfare State", livro editado pelo Adam Smith Institute;
- De "A Tale of Two Chileans: Pinochet and Allende", onde o mito criado em volta do marxista Allende é desfeito;
- Dos papers apresentados na 8ª 'Austrian' Scholars Conference que se realizou em 15 e 16 de Março de 2002 (organização do Mises Institute). Os papers tratam temas variados e encontra-se organizados por temas (filosofia, história, economia, religião, public choice, escola de Chicago, etc...)
Saudações Liberais,
CAUSA LIBERAL
posted by Claudio Shikida 1:46 AM
O que dizem os especialistas em controle do porte de armas?
posted by Claudio Shikida 1:44 AM
Monday, April 08, 2002
Eugenia - Reason.comUm bom artigo sobre a nova versão do filme "The Time Machine". Qual a relação entre a máquina do tempo e a eugenia? O que o prêmio Nobel de Economia, Irving Fisher, pensava sobre sua raça e o resto do mundo? Estas e outras perguntas, respondidas aqui.
posted by Claudio Shikida 11:37 AM
Eugenia - Reason.comUm bom artigo sobre a nova versão do filme "The Time Machine". Qual a relação entre a máquina do tempo e a eugenia? O que o prêmio Nobel de Economia, Irving Fisher, pensava sobre sua raça e o resto do mundo? Estas e outras perguntas, respondidas aqui.
posted by Claudio Shikida 11:37 AM
Sunday, April 07, 2002
MST e a sinceridade de intençõesDomingo, 7 de abril de 2002
Documentos do MST mostram: objetivo é derrotar o capitalismo
Nas publicações guardadas no Centro de Documentação e Memória da Unesp fica claro que a luta pela terra já é por razões políticas e ideológicas, não econômicas
LUIZ MAKLOUF CARVALHOEspecial para o Estado
Documentos internos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mostram que o futuro do movimento tende a uma posição mais radical. Quatro eixos a definem: enfrentar e derrotar diretamente o Estado e o modelo econômico; deixar de ser apenas sem-terra para tornar-se "lutador do povo"; ocupar novos espaços no cenário da luta de classes; fazer a reforma agrária não mais por razões econômicas, mas por razões políticas e ideológicas.
Trechos da publicação "Pedagogia do MST: acompanhamento das escolas", de julho de 2001, definem o novo perfil desejado para o militante:
"O MST é o grande educador dos sem-terra, e o MST educa os sem-terra inserindo-os no movimento da história. É esse movimento que vem fazendo do trabalhador sem-terra um lutador do povo".
"Ser sem-terra hoje é bem mais que ser um trabalhador ou uma trabalhadora que não tem terra ou mesmo que luta por ela. Sem-terra é uma identidade historicamente construída".
"O que educa os sem-terra é o próprio movimento da luta, em suas contradições, enfrentamentos, conquistas e derrotas. A pedagogia da luta educa para uma postura diante da vida que é fundamental para a identidade de um lutador do povo. Nada é impossível de mudar e quanto mais inconformada com o atual estado de coisas mais humana é a pessoa".
Inimigos - O documento "Levante-se, vamos à luta!", de julho de 2000, define os "principais inimigos" que o MST precisa "enfrentar e derrotar". São eles: o modelo econômico "imposto ao país", os latifundiários e grandes proprietários de terra, o complexo agroindustrial multinacional, o governo Fernando Henrique Cardoso e o modelo tecnólogico.
"Nessa luta temos inimigos poderosos que estão tentando nos derrotar e nos destruir há muito tempo. Entre nós e eles há uma verdadeira luta de classes permanente. Eles têm o projeto deles para a agricultura e para o país. E nós temos o nosso. Então, agora, é projeto contra projeto", diz um trecho do documento.
O Caderno de Formação número 31 - "O Movimento Camponês no Brasil e a Luta pela Reforma Agrária", de janeiro de 1999 - apresenta quatro textos para o debate: um do sociólogo José de Souza Martins, outro do economista e integrante da direção nacional João Pedro Stédile, outro sobre os "Desafios Gerais do Movimento Camponês Latinoamericano", e mais um do ex-dirigente e agora apenas militante do MST baiano Ademar Bogo, escritor, poeta e autor da letra do Hino do MST.
Avanço - O artigo de Bogo é o que mais avança em relação às propostas para o futuro. Chama-se "Lições históricas das lutas e dos movimentos pela reforma agrária".
Defende o seguinte: "organizar trabalhadores excluídos apenas para ocupar a terra para trabalhar é uma relação já superada que não se sustentará".
Bogo "comprova" a superação dessa fase da luta com duas razões.
Primeira: "a 'facilidade' de ocupar latifúndios, tendo em vista a queda do preço da terra (...) Hoje qualquer liderança um pouco esclarecida consegue liderar ocupações por todo o país".
Segunda: "A disputa fundamental hoje não se dá entre os sem-terra e os fazendeiros, mas sim entre os sem-terra e o Estado, pois na década de 90 inauguramos uma nova fase na luta de classes, que se caracteriza pela disputa de projetos políticos".
Facilidade - Esses e centenas de outros documentos internos do MST, até há pouco de difícil acesso, podem ser encontrados hoje, por qualquer interessado, no Centro de Documentação e Memória (Cedem), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na Praça da Sé, 108.
Estão lá, desde o final do ano passado, ainda à espera de catalogação final, trinta caixas de papelão, parte doadas pelo próprio MST, parte por estudiosos e pesquisadores do movimento.
Tem de tudo: a coleção do jornal e da revista oficiais, os já relativamente conhecidos livrinhos de capa vermelha sobre a organização interna, cartilhas sobre músicas e jogos infantis, além dos chamados "Cadernos de Formação" - uma série de publicações sobre temas históricos, educacionais, econômicos e sociais.
Os chamados livrinhos vermelhos vieram a público, na década de 80, depois de apreendidos em uma ação da Polícia Militar de São Paulo no Pontal do Paranapanema.
Foram parcialmente divulgados. São sete: "Sobre o método revolucionário de direção", "Como organizar a massa", "Alianças", "Normas gerais do MST", "Manual de organização dos núcleos" e "Marcha popular pelo Brasil".
Estão todos no Cedem - e são uma preciosidade para qualquer pesquisador.
Convênio - O acervo do MST foi parar no Cedem em conseqüência de convênio assinado em 24 de agosto de 1999, e válido por cinco anos, entre o então reitor das Unesp, Antônio Manoel dos Santos Silva, e a Associação Nacional de Cooperativas Agrícolas (Anca), a pessoa jurídica que representa o MST. Assinou esse convênio, pela Anca, o secretário-executivo da entidade, José Trevisol.
O Cedem, presidido pela professora Ana Maria Martinez Correa, também guarda, entre outros, parte do arquivo do Partido Comunista Brasileiro e o famoso Archivio del Movimento Operario Brasiliano.
Cuida de organizar toda essa documentação, a historiógrafa Jacy Machado Barletta, especialista em arquivo e documentação.
Silêncio - O economista João Pedro Stédile, uma das principais lideranças nacionais do MST, recusou-se a dar entrevista para comentar o conteúdo dos documentos que o Estado compulsou no Cedem.
Comentário do Webmaster: agora a pergunta que fica é: a imprensa livre seria permitida num país governado por pessoas que pensam como na cartilha desta gente? Eles continuarão a ser sinceros e disponibilizarão suas intenções aos interessados em estudá-las? Aguardo os próximos anos para ver isso....
posted by Claudio Shikida 3:53 PM
Tuesday, April 02, 2002
The Atlantic Monthly | March 2002Nobel Sentiments: Pious thoughts from wise fools
by P. J. O'RourkeTo mark the hundredth anniversary of the Nobel Prize, last December, Francis Crick, Nadine Gordimer, and José Saramago, "in consultation with an extensive group of Nobel prize winners," as the press release put it, issued a call to ...do something or other. The statement was signed by 103 Nobel laureates. It is printed in full below, with parenthetical exegesis by someone too dumb ever to get a Nobel, or even a MacArthur genius grant:
The most profound danger to world peace in the coming years will stem not from the irrational acts of states or individuals but from the legitimate demands of the world's dispossessed.
("Irrational" is an interesting word choice. Aren't Nobel Prize winners supposed to understand how rationalization works? Maybe they mean "bad.")
Of these poor and disenfranchised ...
(Why do political bien-pensants automatically roll "dispossessed," "poor," and "disenfranchised" together, as if they have a natural correlation-like "ice," "cold," and "beer"? The Dalai Lama [Peace Prize 1989] is dispossessed. My parish priest is poor. And Alan Greenspan, as a resident of the District of Columbia, is ineligible to vote in congressional elections.)
... the majority live a marginal existence in equatorial climates. Global warming, not of their making but originating with the wealthy few, will affect their fragile ecologies most.
(Did you see that global warming coming out of left field? Anyway, blaming the onset of earth-is-toast on the "wealthy few" seems a tad unscientific for a document that is signed by sixty-five recipients of Nobels in chemistry and physics. The earth had temperature cycles when the wealthy few were lucky trilobites with extra-rich muck to frolic in. And how are we going to solve the problems of those who "live a marginal existence in equatorial climates" such as that of Washington, D.C., if we don't produce more of the industrial prosperity that boils their weather? It's going to take a bunch of Nobel laureates to figure
that out. Or not.)Their situation will be desperate and manifestly unjust.
(Nice verb tense. In Congo, Haiti, Cambodia, and Rwanda their situation right now is ...?)
It cannot be expected, therefore, that in all cases they will be content to await the beneficence of the rich.
(I won't make a wisecrack about "cannot be expected ... to await the beneficence of the rich." Specifically, I won't make the wisecrack "and should go get a job." This would be "manifestly unjust" to the hardworking poor-and dispossessed and disenfranchised-people of the world. Besides, if they got a job, it would worsen global warming.)
If, then, we permit the devastating power of modern weaponry to spread through this combustible human landscape, we invite a conflagration that can engulf both rich and poor.
(Oh, I don't know. We just did that in Afghanistan, and so far it's working pretty well.)
The only hope for the future lies in cooperative international action legitimized by democracy.
(We just did that, too-albeit Great Britain and Russia were almost the only other countries to cooperate without arm-twisting. Russia is sort of a democracy, isn't it?)
It is time to turn our backs on the unilateral search for security, in which we seek to shelter behind walls.
(A good point. Walls collapse. On the other hand, concrete barriers that keep car bombs from being parked too close to public buildings are useful. So are baggage screening and opening the mail with ski mittens on and maybe a missile shield.)
Instead we must persist in the quest for united action to counter global warming and a weaponised world.
("Weaponise" is my favorite modern verb. The pen is mightier than the sword-until you try to weaponise your ballpoint to fight a man who has a saber. Then your head gets sliced off.)
These twin goals will constitute vital components of stability as we move towards the wider degree of social justice that alone gives hope of peace.
(I thought "cooperative international action legitimized by democracy" was "the only hope." But I guess Nobel laureates, like anybody else, are entitled to change their minds. So "social justice" it is. However, you'd expect Nobel laureates to think this thing through. Divide the gross domestic product of the world by the world's population, and everyone could receive $7,200 a year. What kind of basketball are we going to get if Shaquille O'Neal has to take a $21,422,800 pay cut? And a family of four in Tanzania making $28,800 is going to buy a used Toyota, which brings us back to global warming.)
Some of the needed legal instruments are already at hand, such as the Anti-Ballistic Missile Treaty, the Convention on Climate Change, the Strategic Arms Reduction treaties, and the comprehensive Test Ban Treaty. (And don't forget the Kellogg-Briand Pact, the League of Nations Charter, and the Oslo accords.)
As concerned citizens ...
(The rest of us aren't worried at all.)
... we urge all governments to commit to these goals that constitute steps on the way to the replacement of war by law.
(As in the Nuremberg Laws, the Jim Crow laws, South Africa's apartheid code,whatever legal gimcrackery Stalin used to prop up his show trials.)
To survive in the world we have transformed, we must learn to think in a new way.
(They said it. I didn't.)
As never before, the future of each depends on the good of all.
(No-other way around. The future of all depends on the self-interested good of each. Adam Smith did a lot of work in The Wealth of Nations showing this to be the case. The Wealth of Nations, Book 1, Chapter 2: "It is not from the benevolence of the butcher, the brewer, or the baker, that we expect our dinner, but from their regard to their own interest." Although Adam Smith may have been a little right of center to win a Nobel. Also, he was dead.)
To sum up, here we have a statement beginning with a thesis that had been disproved before it was uttered and ending with a palpable untruth. The logic meanders. The ideas are banal. The text exhibits a remarkable prolixity, considering that it's only 284 words long. Is this the best that 103 Nobel Prize winners can do?
Of course, it's always tempting to make fun of the Nobels.
(Sidelight: Alfred Nobel owed his wealth not only to the invention of dynamite [vid. "combustible human landscape," above] but also to investment in his brothers' successful exploration for oil in Azerbaijan [vid. "combustible human landscape," above].)
Making fun is especially tempting to those of us who will receive invitations to Stockholm only in the form of brochures from Scandinavian cruise-ship lines. Let me give in to temptation.
Ernest Hemingway but not James Joyce? Toni Morrison but not John Updike? Dario Fo? Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf? (She wrote The Wonderful Adventures of Nils, a fanciful account of a young boy's travels across Sweden on the back of a goose.) And allow me to be the millionth person to point out that among the Nobel Peace Prize winners are Yasir Arafat, Shimon Peres, Henry Kissinger, Le Duc Tho, and International Physicians for the Prevention of Nuclear War. ("If the mushroom cloud doesn't clear up, call me in the morning.") For all I know, the lists of prizewinners in physics, chemistry, medicine, and economics are just as wack. I'm not competent to judge. Although the Cambridge University professor Brian Josephson (Physics 1973) says, "There is a lot of evidence to support the existence of telepathy." And a co-discoverer of DNA, James Watson (Medicine 1962), is, at age seventy-three, researching the effects of sunshine on sex drive.
Yet let us be generous. Prize-giving of any kind is no cinch. Nobel-committee screw-ups notwithstanding, Nobel Prize winners are smarter than we are. And Nobel Prize winners are doubtless as morally alert as we are. Even the Peace Prize winners are probably, on average, decent people. I scanned the list of hundredth-anniversary-statement signatories and didn't notice anyone in obvious need of a swift kick - the possible exception being the statement co-author José Saramago (Literature 1998), a Portuguese Communist who wrote a novel, The Gospel According to Jesus Christ, in which Jesus tries to get out of being crucified and
sleeps with Mary Magdalene. Henry Kissinger and Yasir Arafat did not apply their John Hancocks.A hundred and three Nobel laureates have provided us with counsel on the political and social future of the world. Any such advice must be worth listening to, and I guess that includes the advice they've given us this time. But where are the words that stir men's souls? That turn their hearts? That change their minds? Where is the "We hold these truths to be self-evident ..."? Where is even the "From each according to his ability, to each according to his needs"? For that matter, where is the "Where's the beef?"
Perhaps the Nobel laureates' statement should be understood as an indictment of our age. We could be living in an era so stupid that even the most intelligent among us are cement-heads. Possibly the statement is simple proof, if proof were needed, that nothing good ever comes out of a committee. But maybe the statement contains a deeper message. Maybe the laureates are speaking, more powerfully than they realize, for radical democratization and perfect egalitarianism. Nothing in their statement indicates that the opinions of common men are worse or more foolish than the opinions of Nobel Prize winners. Let us have our international actions truly "legitimized by democracy." When it comes to questions of "What is to be done?" (to quote Lenin, as José Saramago might do), let's ask any old person. Let's ask Mom. Mom says, "Global warming or no global warming, it's still winter. Wear a hat."
Copyright © 2002 by The Atlantic Monthly Group. All rights reserved.
The Atlantic Monthly; March 2002; Nobel Sentiments; Volume 289, No. 3; 30-32.
posted by Claudio Shikida 8:46 PM

