Thursday, February 28, 2002
Federalismo no BrasilNunca é demais lembrar minha queda pelo federalismo...e pelo Partido Federalista. Confiram!
posted by Claudio Shikida 11:54 PM
Por que o mercado deve ser banido?Estudo recente mostra que o mercado - que muita gente pensa ser a criação do demônio na Terra - pode não ser tão ruim assim. Antropólogos americanos (já ouço as críticas: todos amantes dos números, nenhuma preocupação com o "social", etc) e economistas (também americanos e, portanto, as críticas anteriores se aplicam) mostram que quanto mais próximas do mercado as pessoas de pequenas sociedades estão, mais elas tendem a apresentar comportamentos como "sentimento de repartição" ou "justiça".
Obviamente, o estudo - por ser científico e não destinado à pregação religiosa - não defende esta ou aquela concepção de mundo. Pode-se ler em seu abstract que o estudo rejeita o modelo antigo (ou restrito) da teoria econômica de comportamento egoísta. Isto não é novidade nenhuma, pois, há muito tempo, Gary S. Becker modelou o comportamento de pessoas racionais e altruístas. Entretanto, no Brasil, por causa de anos de atraso e rejeição (por parte de alguns) em ler qualquer texto cujo autor tivesse um sobrenome americano, confunde-se "comportamento egoísta" com "defesa de mercado". Algo como confundir "números reais" com "terceiro axioma de Peano" ou, para o leigo, a comparação melhor é que muita gente confunde "martelo" com "construção de casas" e, assim, a crítica contra o "martelo" passa a ser sinônimo de crítica às construções.
Este longo parágrafo anterior, caro leitor, é totalmente justificável se você é brasileiro, embora incompreensível se você é um acadêmico sério. Preste atenção em um dos resultados do artigo: quanto mais próximas do mercado, mais as pessoas apresentam comportamentos ditos desejáveis. Mercado é sinônimo de trocas e, apesar da teoria econômica tradicional não enfatizar este ponto - resultando, por exemplo, no tipo de crítica que citei acima - este é o conceito adequado. Mais mercados funcionando, sob um leis que são respeitadas, mais desenvolvimento. E, como disse Amartya Sen, mais desenvolvimento é sinônimo de mais pessoas tendo controle sobre seus próprios destinos e, afinal, isto é o que todo mundo quer, exceto quem deseja controlar a vida dos outros.
Cláudio
posted by Claudio Shikida 1:56 PM
Tuesday, February 26, 2002
Governo Paralelo em SPEntão você acha que só o PT faz governo paralelo? Está errado, meu caro leitor...confira aqui a iniciativa do economista Marcos Cintra.
posted by Claudio Shikida 2:52 AM
Wednesday, February 13, 2002
Esquerda Americana?É o que parece estar acontecendo. Confira no tablóide de centro-esquerda americano.
posted by Claudio Shikida 1:14 PM
Tuesday, February 12, 2002
21a Conferência Mundial Libertária do ISIL (International Society for Individual Liberty)O Prof. Schoolland, autor do livro As Aventuras de Jonas, o Ingênuo (editado pelo ILRS), está convidando os libertários do Brasil para participar da 21a. Conferência Mundial Libertária do ISIL (International Society for Individual Liberty), que será em Puerto Vallarta, entre 28/07 e 01/08 e cujo tema é: Terminando com os laços de pobreza na América Latina. Alguns dos conferencistas são:
1. Manuel Ayau (Guatemala) é o Reitor da Universidade Francisco Marroquin da Guatemala. Tema: A importância da educação econômica (e as conseqüencias da ignorância sobre economia pelo público em geral).
2. Jacques de Guenin (França)é o Presidente do Círculo de Frédéric Bastiat e organizador da conferência do ano passado do ISIL em Dax, França. Ele falará sobre a história do movimento de livre mercado na Inglaterra e sua relevância para a América Latina atual.
3. Enrique Ghersi (ISIL Rep. Peru) é Professor de Ciência Política da Universidade de Lima.Ele foi ministro da Indústria e Turismo do Peru. Ele também é co-autor junto com Hernando de Soto e Mario Ghibellini,do livro `El Otro Sendero` (The Other Path) sobre a economia informal na América Latina. Tema: Mercados por Justiça.
4. Louis James (USA)é Presidente do Freedom Network e é figura chave para o avanço e formação da rede de idéias libertárias na internet.Ele falará sobre o Ativismo libertário na Internet: mega-instrumentos para a Liberdade.
5. Martin Krause (ISIL Rep - Argentina) é o Reitor da ESEADE em Buenos Aires. Tema: Desobediência Civil: como os Argentinos lutaram contra a classe política parasítica.
6. Mark Skousen (USA) é o Presidente do FEE - Foundation for Economic Education e do Laissez Faire Books, além de Professor em Economia da Rollins College, Florida. Ele é o autor de 20 livros incluindo o seu último `A criação da Economia Moderna`.
7. E o próprio Ken Schoolland que é Professor de Economia da Hawaii Pacific University. Ele também foi economista pela US International Trade Commission and conselheiro sobre comércio para a Casa Branca. Seu tema será sobre a livre imigração.
Detalhes e maiores informações no site: www.isil.org
posted by Claudio Shikida 10:03 PM
Tuesday, February 05, 2002
Partido FederalistaAbaixo um artigo de um dos membros do partido que, atualmente, talvez esteja mais próximo das convicções político-econômicas (e humanistas, para os chatos) do webmaster...
O FÓRUM DA OPÇÃO PREFERENCIAL PELA POBREZA
Jorge Ernesto Macedo Geisel*" O subdesenvolvimento não se improvisa.É obra de séculos." - Nelson Rodrigues, falecido jornalista, articulista e escritor carioca.
Em princípio, as pessoas normais são favoráveis a qualquer fórum de discussões abertas. A coisa começa a ficar difícil de aceitar, entretanto, quando um fórum é dedicado ao elogio e a serviço de um feixe de facções de uma só ideologia, impertinente, maniqueísta e multinacional, ainda mais se ele for prestigiado, integrado, e até custeado em termos pelo Contribuinte, por um governo eleito democráticamente, num sistema eleitoral pluripartidário, e certamente por maioria apartidária.
O Fórum Social Mundial pretende ser a antítese do Fórum Econômico Mundial - uma tentativa de bipolarizar dois aspectos da globalização que jamais poderão ser analisados em separado das realidades que nos cercam. Dominique Moïsi, 57 anos, um intelectual francês - desses que o Fórum Econômico Mundial de Davos convida todos anos para dar aos líderes das grandes corporações a visão mais política dos rumos do mundo, presidindo inclusive diversos debates, além de exercer o cargo de Diretor-adjunto do Instituto de Relações Internacionais de Paris (Ifri) e de ocupar a posição de redator-chefe de uma das revistas acadêmicas mais respeitadas na França - "Politique Étrangère" - diz que o Fórum de Porto Alegre e os líderes econômicos de Davos têm problemas de credibilidade, segundo nos informa o Jornal "O GLOBO" de hoje: " Porto Alegre corre o risco de cair no romantismo irresponsável e Davos pode agravar a deriva romântica dos manifestantes, ao não traduzir em atos o discurso social."Davos está se questionando, abandonando seu triunfalismo inicial.O capitalismo é turbinado pelo mercado, que nada mais é do que um fato social universalizado. O capitalismo sem os agentes econômicos inseridos num contexto social favorável ao seu desenvolvimento, perderia suas inigualáveis características intrínsicas de auto- regeneração face as mutantes necessidades psicossociais, para a sustentação de sua própria existência. Ele é uma das chaves da democracia, portanto é preciso, tanto quanto a própria democracia, que ele seja controlado para sobreviver, contrariando suas forças autodestrutivas latentes, sobre as quais se debruçam os ataques virulentos dos eternos inimigos e algozes da sociedade aberta, com suas preciosas liberdades individuais.
Os detratores do liberalismo, reuniram-se em Porto Alegre, com suas bandeiras totalitárias vermelhas, ultrapassadas há décadas, sem trazer qualquer contribuição positiva à globalização em curso.Teimam, apenas, em ressuscitar velhos e já rotos preconceitos econômicos e discriminações políticas, pretensamente salvadoras, oriundas de um socialismo errante, descartável após um futuro uso eleitoral, e vencido de qualquer validade para quem não seja otário. Um fórum desestimulante para quem prefira analisar as cotações do Bovespa,ao invés de ouvir as besteiras de um aldeão francês, delinqüente e protecionista ultrapassado tipo Bové...
Como toda regra, houve exceções inteligentes nas áreas conservacionistas e na discussão da globalização face soberanias, interdependências e descentralizações políticas. Mas o tópico dominante tupiniquim foi a declarada incompreensão do que seja globalização e liberalismo. E uma postura tragicômica de adesão cega à opção preferencial pela pobreza.
*O autor é advogado e Vice-Presidente Nacional do Partido Federalista, para o Estado do Rio de Janeiro - jorgegeisel@hotmail.com
posted by Claudio Shikida 10:56 PM
Democracia participativa - Correio do PovoAlô eleitor fascinado com a democracia participativa. Segue abaixo a breve (muito breve, eu diria) notícia do jornal gaúcho Correio do Povo sobre a recusa de inscrição de um não-petista para um curso "participativo". Ou seja, quando alguém acusa o partido governista de ideologizar o debate, qualquer militante "cai em cima" dizendo que você é reacionário, etc. Quando alguém quer conhecer como, de fato, funciona a coisa, consultam-se os arquivos e, caso o sujeito seja pouco bem visto pelo partido, é recusado. Qual o nome disso?
NEGADO
A Uergs rejeitou o pedido de inscrição do diretor jurídico da Farsul, advogado Nestor Hein, no curso sobre Gestão Participativa. Não foi dada chance de conhecer os critérios para escolha. Objetivo é 'desenvolver olhar crítico sobre a gestão pública voltada ao interesse coletivo'.
posted by Claudio Shikida 1:22 PM
Monday, February 04, 2002
Breves observações sobre sequestros e assassinatosO articulista abaixo, Janer Cristaldo, chama a atenção para um ponto muito importante que boa parte dos eleitores simpáticos às propostas estatizantes de esquerda nem sempre se lembram. Muitos militantes de esquerda defendem a luta armada ou o uso de guerrilhas urbanas e/ou sequestros como estratégia para tomado do poder. As FARCs foram recebidas pelo governador Olívio Dutra sob o silêncio cúmplice das autoridades (ou pelo menos um silêncio muito dos distraídos...). Outros se manifestaram, notadamente no RS, a favor do atentado terrorista de Bin Laden.
Contudo, agora, estão todos preocupadíssimos com a violência que, segundo eles, assola o país com o assassinato de um prefeito do PT. Na minha opinião, assassinato é assassinato. Eu usaria o mesmo argumento dos militantes: assassinato ocorre todos os dias. Gente morre assassinada no Brasil a toda hora, nas ruas, nas esquinas. Por que toda esta atenção da imprensa para um político?
Creio que é como um gosto amargo de remédio na língua dos doutores militantes que tanto nos aplicam estes argumentos. Que sejam encontrados e punidos os responsáveis, isso é algo que todos queremos. Agora, por favor, chega de hipocrisia.
Webmaster
Abaixo, o artigo de Cristaldo.
PT colhe plantio
por Janer Cristaldo
“Isso já passou dos limites", disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, comentando o assassinato do prefeito Celso Daniel. Elástica noção de limites, a do presidente. Ocorreram 307 seqüestros em São Paulo, só no ano passado. Quer dizer que quase um seqüestro por dia ainda não constitui limite? O brutal assassinato de uma senhora, liberada por seus captores e logo após fuzilada pelas costas em frente à própria casa, estaria ainda longe do limite? O narcotráfico, que administra as favelas e determina dias feriados ou de luto, fechamento de escolas ou comércio, não seria um limite?
Ao que tudo indica, não. Pois, em sua magnanimidade, o príncipe dos sociólogos tem uma generosa noção de limite. Os seqüestros e assassinatos cometidos pelos terroristas que queriam transformar o Brasil em uma imensa Cuba, não só foram anistiados como seus autores foram regiamente recompensados com cargos e polpudas aposentadorias. Sem ir mais longe, podemos começar por seu ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira.
Membro do Partido Comunista Brasileiro, optou pela luta armada ingressando na Aliança Libertadora Nacional (ALN), o grupo terrorista de Carlos Marighella, de quem era motorista. Marighella, se alguém não mais lembra, é o autor do Manual do Guerrilheiro Urbano, traduzido em várias línguas na Europa e livro de cabeceira das Brigadas Vermelhas italianas e do Baader-Meinhoff alemão. (Em Estocolmo, em plena social-democracia nórdica, encontrei uma tradução do manual em sueco). Foi morto em 1969, em uma emboscada pela polícia e hoje é cultuado como santo pelas esquerdas.
Em agosto de 1968, Aloysio Nunes - de codinome Mateus - participou do assalto ao trem pagador da Santos-Jundiaí. Em outubro, ao carro pagador da Massey-Ferguson. Ainda no mesmo ano, viajou com passaporte falso para Paris, onde passou a coordenar as ligações de Cuba com os comunistas brasileiros. Lá, filiou-se ao Partido Comunista Francês e negociou com o presidente Boumedienne, da Argélia, para que comunistas brasileiros recebessem treinamento militar naquele país. Com a Lei da Anistia, de 1979, regressou ao Brasil, onde foi eleito pelas esquerdas deputado estadual, vice-governador e deputado federal. Amigo dileto de Fidel Castro, após uma visita a Cuba no ano passado, o ditador foi ao seu embarque e o acompanhou até o avião para as despedidas, em homenagem a seu passado revolucionário.
O agitprop internacional, assaltante e guerrilheiro, assecla de Marighella e íntimo de ditadores, com o cinismo peculiar das esquerdas quando chegam ao poder, declarou recentemente à jornalista Ana Paula Padrão:
“Em outros momentos - eu me lembro - no tempo do regime militar, os serviços de repressão puderam desmantelar o PCB, o PC do B, a ALN, a VPR, o MR-8. Será que não podem dar conta desses criminosos que hoje fazem seqüestros relâmpagos e esse tipo de ação?”
Poder, podem, Mateus. O problema é que quando estes grupos são desbaratos, os criminosos viram ministros.
Não menos interessante é ouvir Fernando Henrique condenar seqüestros. Logo Fernando Henrique, que humilhou a nação ante uma sórdida campanha na imprensa internacional financiada por uma rica família do Canadá e avalizou a libertação de seus filhinhos seqüestradores, condenados pela Justiça a quase três décadas de prisão.
Lula, o tetracandidato, foi correndo solidarizar-se com o entourage da vítima e participou de uma marcha pela paz. José Genoíno fala em Rota nas ruas e prisão perpétua. A multidão de petistas que acompanhou o enterro do prefeito pede pena de morte. Um programa de segurança do PT assume um projeto novayorquino e neoliberal, a tolerância zero. Quem empunhava estas bandeiras há questão de dois anos? Paulo Maluf, qualificado como fascista por empunhá-las. Acontece que as eleições estão aí e é preciso entrar em sintonia com o que eleitor pede.
Por ocasião do seqüestro de Abilio Diniz, outro era o discurso do tetracandidato. Apressou-se em intermediar as negociações entre seqüestradores e polícia, de modo a garantir a integridade física, não do empresário, mas ... dos seqüestradores. Fernando Henrique Cardoso, mais seu ministro da Justiça na época, José Gregori, mais a Igreja, o PT e entidades ligadas aos famigerados Direitos Humanos empenharam-se com afinco na libertação dos canadenses. Quando o governo de um país, o líder da oposição e mais a Igreja lutam pela libertação de seqüestradores, qual mensagem recebe o grande público? Só uma: seqüestro pode render lucros e permanecer impune.
Talvez o leitor contemporâneo já nem lembre, mas foram as esquerdas que introduziram no Brasil esta modalidade. Em nome de utopias assassinas, começaram a seqüestrar aviões e diplomatas. Dialogavam não com pessoas, mas com Estados. Curvem-se as nações ante o Brasil: seqüestro de aviões tem patente tupiniquim, é achado genuinamente nosso. No curto período em que estiveram na prisão, os seqüestradores exerceram uma função didática, ensinando suas técnicas aos presidiários de direito comum. E agora se queixam do progresso dos alunos.
A tolerância das esquerdas com o seqüestro sempre foi óbvia, pelo menos até a semana passada. Alguém ouviu algum dia o PT condenar as FARC colombianas, que fazem do seqüestro sua estratégia privilegiada de obtenção de fundos? Eu nunca ouvi. O que vi, isto sim, foi o governo petista gaúcho receber com tapete vermelho um bandoleiro das FARC. Que, não contente em ser recebido quase com dignidade de chefe de Estado, andou fazendo palestras em escolas Brasil afora, em comunidades administradas pelas esquerdas.
Os seqüestros do passado não constituem crimes para estes senhores. Neste insólito país, onde os derrotados escrevem a história presente, são tidos como atos heróicos e patrióticos. Até mesmo crimes horrendos tinham nobres conotações. As vestais que hoje se chocam com a execução brutal de Celso Daniel, não manifestaram horror algum ante outra execução também brutal, a daquele infeliz soldado que Lamarca executou, prisioneiro e indefeso. Ninguém, nas esquerdas, pediria prisão perpétua ou pena de morte para o assassino de um companheiro de armas. Pelo contrário, Lamarca hoje está instalado na galeria dos Vultos da Pátria, gozando do mesmo status de um Tiradentes. Ninguém, nas esquerdas, foi prestar solidariedade à família do soldado morto. Mas há projetos de impor aos currículos escolares a vida e obra deste santo homem, capitão Carlos Lamarca.
O pensamento de esquerda criou um caldo cultural onde criminoso não é mais criminoso, mas vítima. Onde invasor de terras é herói e o proprietário que as defende é bandoleiro. Onde Luis Carlos Prestes é beato e Che Guevara vira santo.
São chegados os dias de colheita.
25/01/2002
posted by Claudio Shikida 4:47 AM