| Não há quem não conheça Carolyn Meinel no universo tecnológico da Internet. Engenheira de computação, especialista em segurança de redes, ela é respeitada por gurus da Informática, como Linus Torvalds (criador do Linux, o sotware operacional da moda). É hacker por vocação mas em hipótese alguma admite a invasão de sites ou de quebra de sistemas. "O objetivo de um bom hacker é dispor de seus conhecimentos para desenvolver e aperfeiçoar programas que facilitem a vida de quem usa um computador", ela afirma. Por isso mesmo, condena as incursões danosas pelas páginas de orgão oficiais dos Estados Unidos mas acredita que os responsáveis são hackers contratados pelo próprio governo - seria, segundo ela, um forma de pressionar o Congresso norte-americano para liberar verbas destinadas a projetos militares de segurança.
Natural de Oakland, Califórnia, Carolyn vive em Sandia, na região montanhosa do México. Aos 52 anos, casada, dois filhos, ela atualmente presta serviços de consultoria, dá aulas de informática e escreve. Seu último livro, Happy Hackers, é best-seller mundial. Nas horas vagas dedica-se aos seus hobbies preferidos: jardinagem, geologia e andar a cavalo.
Jm - Como a senhora define um hacker?
Carolyn - É alguém que não resiste à tentação de explorar computadores e redes de comunicação. É uma paixão, uma obsessão, uma doença.
Jm - Em geral os hackers não usam seu nome verdadeiro, são conhecidos por apelidos. Qual é o da senhora?
Carolyn - É Carolyn Meinel, mesmo. Apelido é marca registrada de quem tem intenções criminosas. Não vejo motivo para me esconder. Os melhores hackers (não que eu seja um deles) se apresentam com seus nomes verdadeiros. Veja o caso do Linus Torvald ( o criador do Linux), do Eric Raymond (guru da Rede, que incentiva o lançamento de softwares que possam ser alterados por programadores) e do Mark Ludwig (doutor em Computação).
Jm - Quanto tempo a senhora passa on-line e o que faz exatamente?
Carolyn - O suficiente para fazer consultas, ler e responder e-mails. Por sinal, a Rede é uma fonte de conhecimento insuperável. Pelos e-mails, dá pra saber como são os internautas. Pelas questões que me colocam, por exemplo Uns me perguntam coisas sérias, tipo: "O que eu faço para trabalhar com a Telnet?" ( progrtama de acesso direto a outros computadores)" e às vezes coisas curiosas: " Eu queria descobrir a senha de meu namorado para saber se ele está me passando para trás. Pode me ajudar?". Prioritariamente eu navego em busca de informações, de novas descobertas.
Jm - Na qualidade de especialista em segurança de redes, em Internet, qual é a sua opinião sobre as invasões de sites governamentais?
Carolyn - Não concordo. Mas suspeito de que o próprio governo esteja encorajando esse tipo de coisa para que o Congresso libere verbas para projetos militares de segurança. As convenções da Def Con (encontro de hackers organizado pelo site hacker Cult of the dead cow - Culto da vaca morta) são coordenadaa por Jeff Moss, um hacker que trabalha na Secure Computing. E essa empresa se gaba de ser a lider de uma porção do mercado que presta serviços para o governo de meu país. Além disso, porta-vozes da Def Con, a exemplo do site Cult of the Dead Cow, garantem a audiência de websites de hackers e os municiam com softwares que rompem os sistemas de segurança. Mais ainda: o Michael Schiffman, editor da revista eletrônica Phrack (termo que designa hackers especializados em telecomunicações), que faz a apologia do crime de computação, foi contratado pela Dimensions International para ensinar segurança de computadores a funcionários do governo. Por aí você pode entender por que eu acho que tudo é uma trama oficial.
Jm - Há notícias de que os hackers têm alterado curso de satélites em alguns países - na Inglaterra, segundo a Newsweek.
Carolyn - Nada é impossível para um gênio da computação mas pessoalmente tenho minhas dúvidas.
Jm- Digamos que eu queira invadir um site. Por onde devo começar?
Carolyn - Estudando uma linguagem de programação, de preferência Assembler ou C. Mas já existem programas prontos programas que descobrem sites vulneráveis e abrem suas portas para qualquer um - que saiba o que fazer lá dentro - deitar e rolar. Um deles é o Back Orifice. Por sinal, ele foi criado pelos hackers do Cult of Dead Cow.
Jm - Vale a pena ser hacker?
Carolyn - Hackear é tentar resolver um gigantesco quebra-cabeças que muda suas peças a todo o momento. É fascinante. Vale o esforço, a dedicação e os anos de estudo.
Jm - Seus filmes, músicas e livros preferidos.
Carolyn - A poesia de Allen Ginzburg, a ficção de William Gibson, Robert Forward e Larry Niven. Qualquer filme que exiba gráficos de computador. Música clássica, especialmente Bach e canções do Meio Oeste americano - aquelas tocadas com instrumentos étnicos.
Jm - Se a senhora tivesse o mundo em suas mãos, o que faria?
Carolyn - Tudo o que faço agora. Bem, se isso fosse mesmo possível, eu me apropriaria do tempo, do espaço, da eternidade.
|