Repórter Especial - Tudo bem, no que vem?

Tudo bem, no ano que vem?

A ameaça de caos já não assusta,
mas ninguém se atreve a
afirmar que tudo dará certo no
primeiro minuto do ano 2000.

Por João Magalhães


No princípio, o bug do milênio predizia a paralisação completa de todas as atividades comandadas por computadores, o que, trocando em míúdos, significava falta de energia elétrica e de combustível, cancelamentos de vôos, caixas eletrônicos inoperantes, atendimento precário em hospitais, Internet fora do ar - enfim, um deu a louca no mundo. E tudo isso porque as máquinas digitais interpretariam o 00 de 2000 como sendo o ano de 1900, época em que a Informática se restringia a pequenos cálculos matemáticos feitos por monstrengos metálicos.

Mais perto agora da virada do século, o panorama jã não é tão caótico quanto se imaginava. Pesquisa do Gartner Group revela que os Estados Unidos têm apenas 15% de chances de enfrentar problemas graves por causa do bug. O Brasil, 33 por cento! Muito? Bem pouco, quando se sabe que os riscos de falhas danosas na Rússia e China são de 66%; na Alemanha e Argentina, de 50 por cento.

A porcentagem , relativamente baixa, de prejuízos causados pelo bug do milênio, no Brasil, se deve, principalmente, aos investimentos que as empresas de capital aberto fizeram para combatê-lo: 25 bilhões de dólares, segundo cálculos da Comissão de Valores Mobiliários. Mesmo assim, tem gente que estará de plantão na hora H. Rosângela Ravares, da Microsot, é um delas. Chefe do suporte técnico aos usuários dos programas da empresa, ela terá de esperar um pouco para cantar os versos do "Adeus, Ano Velho; Feliz, Ano Novo".

Nos últimos três anos, e em especial em 1999, numa iniciativa que parecia sincronizada, as grandes corporações começaram a limpar as milhões de linhas de código inseridas em cada programa instalado nos mais de 8,3 milhões de computadores em uso no país.

A mesma operação foi realizada em máquinas e equipamentos controlados por chips, em robôs usados em linhas de produção, leitoras de códigos de barras, aparelhos hospitalares, sistemas de controle de tráfego aéreos e até em eletrodomésticos.

A InterAmericana, especializada em softwares, acredita que as empresas destinaram no mínimo 1% de sua receita anual para corrigir, substituir e aposentar bits inúteis. O que alivia os temores de tragédias em 1 de janeiro de 2000 e assegur à industria da Informática um faturamento de 20 bilhões de dólares este ano.

E como estarão funcionando alguns serviços básicos, nos primeiro minutos de 2000? Confira:

Telefonia
Embora a Anatel garanta que a rede telefônica estará funcionando normalmente e a Telefonica tenha investido 35,8 milhões de reais para enfrentar o bug, tome muito cuidado: uma chamada de três minutos pode representar 53 milhões de minutos em sua próxima conta. Por isso, ligue antes para sua operadora, para verificar se está tudo OK.

Energia
Blackout total? Nem pensar, segundo o governo ferderal. As 74 concessionárias tomaram providências para prevenir riscos de pane nos sistemas de energia elétrica. Mas não há nenhuma garantia de que programas de computação ou equipamentos digitais estejam imunes ao bug. Por isso, o ONS - Operador Nacional de Sistema Elétrico - montou uma base no Chile, conectada à Nova Zelândia, para acompanhar possíveis danos. Assim, graças à diferença de fuso orário, o ONS poderá sugerir, a tempo, providências para evitar quaisquer transtornos por aqui.

Combustíveis
Um plano conjunto da Agência Nacional de Petróleo, Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, Petrobrás e distribuidores evitará o desabastecimento. Ou seja, tudo funcionará direitinho, do refino à bomba de gasolina, mesmo se ocorrer paralisação nas refinarias ou em caso de corrida aos postos de gasolina.

Companhias aéreas
Não, nenhum avião cairá por culpa do bug. É o que garante o comandante Ronaldo Jenkins de Lemos, cooordenador da Comissão de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (SNEA). "Todas as empresas aéreas brasileiras estão livres de acidentes em decorrência da ação do bug", ele antecipa. A previsão é de que os atrasos e cancelamentos de vôos deverão ser idênticos aos de outros finais de ano.

Bancos e serviços financeiros Tudo em dia. Depósitos e aplicações normais - palavra do Banco Central. O estoque de dinheiro nas agências e caixas eletronicos serão reforçados. A maioria das instiruições possui geradores de energia que permitem o funcionamento de seus computadores em casos de pane no sistema elétrico.

Saúde
Apesar de o governo ter anunciado que a maior parte dos hospitais e postos de saúde já acertaram seus sistemas operacionais, dificilmente haverá tempo para testes e ajustes finais. Área sensível ao bug, o medo maior é que computadores que controlam aparelhos de anestesia e sistemas de monitoramento de pacientes, indispensáveis em centros cirúrgicos e UTIs, posssam confundir dados, alterar datas e perder informações. Nesse aspecto, os hospitais de primeira, como o Albert Einstein e o Sírio Libanês, ambos de São Paulo, tranqüilizam médicos e pacientes: todos os programas e equipamentos foram devidamente testados e aprovados para o ano 2000.

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