Papilio



Voas ao sublime reino do infinito
Com suaves asas coloridas -
Abres caminho entre rosas,
Azaléias,
Margaridas :
Flores não-aladas
Que relembram, por inveja,
Teu passado de crisálida...


Não temes o coração de borboleta :
Sabes que os mortais não podem entender-te -
Teu idioma alado é muito tenro,
Intenso,
Transbordante em sentimento...
Poderoso em fragilidade -
Ligeiro se converte em vento,
Confunde a humana vaidade:
Humanidade -
Sem asas,
Sem sonhos...



Busca a experiência,
Mas não deixa que te ofusquem,
Que te empurrem de volta ao casulo...
Meu mundo ficaria escuro,
Cinzento,
Frio
E nulo -
Um lugar triste demais...
Já aprendi a contemplar as paisagens,
As pessoas e a vida
Através dos vitrais de tuas asas:
Não me deixa perder tal colorido,
Crer que a esperança é um mito
E a bondade,
Loucura demais...


Vai, minha borboletinha,
Observa cada flor,
Aprende toda a essência
Extraia todo o néctar -
Oferta ao mundo tua cor,
Poliniza os corações com sonhos
E coragem arredia...
Mas não deixa de ser :
Beleza,
Encanto
E poesia,
Uma linda história de amor...


Marco Aurélio M. Ferreira


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