SUBLIME E ETERNO AMOR



Abre-se o véu do amanhecer brumoso
Quando despontas, leda musa amada, 
Posto que o céu cinéreo é tormentoso
Só em tua ausência, inebriante fada :
Do meu olhar abrigo portentoso
És tu, sublime forma, idolatrada.
Emudece a Natureza estática
Ante teu ser de beleza enigmática.

Na insegurança do amanhecer informe,
Da gênese tu és a total certeza;
Reflui a vida em esperança enorme
Nos mais tênues gestos de singeleza.
Repousa, ó medo, cala-te e dorme
Pois a flama da eternidade é acesa !
Transmutaste o vago em totalidade,
O efêmero em real perenidade.


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Inunda os bosques com tua voz afável, 
Balbucia meu nome frente aos ventos...
Se teu canto for tristeza insondável,
Hei de vir correndo por teus lamentos;
Se ode à alegria ou melodia amável,
Nutra-nos o amor criado em tais momentos.
Como tão vastas, paixão, são tuas vagas,
Cingem de minh'alma todas as plagas.

Inútil plasmar em versos meu amor...
Seria estéril bosquejo árido
Por perder em letras frágeis seu ardor;
Seria expor o deserto tórrido,
Com seu grande simulacro de calor,
Guardando a chama do bosque róscido.
Dois que um só caminho percorrem...
Amores, como o nosso, nunca morrem.



Marco Aurélio M. Ferreira


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