TORVELINHO DOS MESES




Setembro repentinamente se deteve.
Atônito, contemplou a despedida;
Indômito, lançou-se ao desespero...
Agonizou...
Tombou mortalmente sobre a flor,
Flor da sublime primavera;
Primavera sem você...
Por quê ?

Outubro dolorosamente se reteve.
Vacilante, contemplou sua ferida;
Ofegante, tentou curá-la com esmero...
Vociferou...
Dobrou o corpo movido pela dor,
Dor da perda da quimera;
Quimera sem você...
Por quê ?

Novembro estranhamente se conteve.
Vigoroso, contemplou uma saída;
Vitorioso, esqueceu-se do exagero...
Triunfou...
Vislumbrou alegremente novo amor,
Amor de alma sincera;
Sincera sem você...
Você ?
Para que ?



Marco Aurélio M. Ferreira



 

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