RELEVO


Sigo percorrendo as montanhas
repletas de altos e baixos,
De cumes e precipícios...

Me esgueirando nas encostas
Vou moldando escarpas;
Nelas esculpo meus segredos,
Imiscuídos de tal modo aos rochedos,
Que passo a ser cordilheira...

Mas lá do alto,
Bem perto do céu
E tão longe dos homens,
Contemplo extasiado a planície:
Aparentemente tão regular,
Tão perene em sua verdade,
de paisagem tão sublime e protegida !
A planície é você, 
Minha querida...



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O relevo se impõe.
O destino zombeteiro irrompe
No vento impetuoso e morno,
Gerador ardiloso do terrível eco
Que parece traduzir gostosas gargalhadas -
Montanhas e planície se contemplam
E choram...
Cada qual do seu modo,
Mas não se percebem...

A consciência dos limites
É o princípio da maturidade :
Tão fugaz e inaceitável,
Tão medíocre e insuportável !
Traduz o óbvio,
O complexo,
O inútil...
A maturidade não sonha,
Programa...

Imaturo prefiro ser
E poder sonhar
Com formas que enlevam e amedrontam,
Pois é só no sonho
Que planície e montanhas se encontram...
Só no amor
Elas podem se encontrar.




Marco Aurélio M. Ferreira


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