POESIA ROXA



A poesia roxa principia
Quando todo o amor que n'alma havia
Sente aproximar-se o fim...

Buscando morrer em paz,
Exalar o último suspiro sem risos,
Inicia jornada breve
Enquanto a essência se desfaz.

Percorre o céu e cruza o arco-íris:
Leva todas as cores dos dois,
Exceto um dos matizes -
O único que restará ao fim do dia,
Mas que não enfeitará seu sepulcro...

Céu,
Ó grandioso céu do espírito,
Tantas vezes detentor de céu rosáceo,
Contempla agora teu ocaso violáceo,
Teu crepúsculo convertido em dor...
Irrompe em monocromática agonia
Que teu céu é convertido em hematoma !
Desdobra impoluto tua mortalha
E corajosamente tomba,
Pois nada mais te resta...

Não há mais o sonhador a descrever-te,
Nem o poeta e eternizar-te
Usando versos multicores -
Pois o espírito purpúreo
Conta apenas suas dores,
Convertendo até o crepúsculo em ferida -
Ferida de seus amores.



Marco Aurélio M. Ferreira

 


 

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