ALÉM DAS PLANÍCIES AMARELAS


Com sorriso puro e radiante
Iluminas o desdobrar da folha;
Teu coração,
Enlevado e expectante,
Aguarda a libertação de um mundo novo,
Raro e único,
Por ti gerado...

Mas quanta decepção estampada
Ao percorreres as primeiras linhas,
Ao imaginares a planície desolada
Descrita em meu poema !
Teu olhar,
Tão repleto de enfado,
Tão perdido no horizonte das letras,
Vislumbra apenas um sol desbotado,
Humilhado,
Agonizante e triste.

Sei que não desejas prosseguir.
Não há velozes montarias
Nas terras amarelas que criei -
Apenas cavalos esquálidos
E desprovidos de enfeites reluzentes...
São teus olhos...
É teu coração...


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Não importa.
Não importa que teu semblante morno,
Com um silêncio displicente,
Tenha classificado de medíocre minha obra;
Não compreendes minha flava e aflita poesia,
Pois concebes somente o palpável
Onde não reside a fantasia...
É uma pena !

Verias que por trás das montanhas,
Tão sinistras e mortas,
Um pouco depois do horizonte das letras,
Talvez no último verso,
Os cavalos se tornam alados,
Os plebeus viram príncipes
E as planícies pardacentas se abrem em flor...
E até corações insensíveis como o teu
Descobrem o que é o amor !




Marco Aurélio M. Ferreira


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