LOUCURA


Vou a cada dia sendo apresentado
A um novo eu
No qual me desdobro...
Vôo ilimitado,
Tão razante,
Azul,
Esfacelado;
Já não me reconheço
Tão fragmentado dentro de mim....


Parece até que a mente se multiplica
Separando as mil pessoas
Dos diversos seres que sou...
Todos impostores !
Camuflagens para que o mundo não perceba
Minha loucura...



Mas na representação diária,
Fingindo sentir o que não sinto,
Pensar o que não penso,
Acabo me tornando miragem,
Um corpo sem contornos,
Incapaz de tocar
E, por completo, insensível ao toque...


Em desatino, busco meu próprio encontro,
Vasculhando meus restos de sanidade...
Ah, como a loucura é atraente !
Pois só no avesso deste tempo
É que Encontra-se a verdade !



Marco Aurélio M. Ferreira



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