Fábrica
de Ostras
No nascedouro
em manjedoura úmida e gosmenta
como uma espécie de útero
eivado em sofrimento
nascem
filhas
de ostras desgarradas
cultivadas para enlevo de alguns poucos
de paladar peculiar
ou tão somente
para ser um tanto mais famoso
elas
as ostras
trazem dentro em si uma sutil poção
[ou certa mágica
que as ajuda a engravidar na solidão
sem luz
pequenas gotas de poesia
Pérolas
quase translúcidas ou mesmo coloridas são
tímidas flores
que chegam raramente ao esplendor
em seu altar de criação
Instadas a crescer dentro do escuro
cultivadas por amor
ao interesse
confinadas num pequeno e arredondado
muro
sofrem
E como Schiller dizia
[em sua reflexão
sem que ninguém possa mesmo perceber
ou intuir por quê
e como
iriam tanto brilhar nos adereços
Sem ao menos dar sinais de quão intensa foi
a sua dor
de quão imenso a pagar foi o seu
preço
Eliana Mora
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