Vanessa



       Ó minh'amante, tu foste levada;
e nesta toada tenho eu padecido,
pois jaz, o teu semblante adormecido,
em meus delírios feito charada.

Agora ouço a canção da madrugada,
só para ver, no seu olhar embebecido,
o vigor de viver que tenhas tido.
Assim não morro eu de morte desejada.

Mas, viver sem tua face não consigo.
Todos os deuses passo a profanar,
renunciando o badalar dos sinos.

Será que na construção das asas sigo?
Todavia, se como Ícaro eu tombar?
E o rubro de tua face separar-nos!!?

   



Leonardo A. M.


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