Suicídio sem Querer
Quantas vidas eu posso mudar hoje
Se não consigo nem mudar a minha?
Fazemos as mudanças deles
E eles fazem nossas mudanças...
Programaram uma vida idiota para mim
Minha juventude em forma de sono...
Esperavam mais de mim...
Eu mesmo esperava mais...
Contra todos...
Contra a vida!
Nada dá certo!
O que faço comigo se não a morte?
Esperava ajuda mas você não me ajudou
Esperava respostas mas você me deu dúvidas...
Problemas... dúvidas...
É isso o mistério da vida?
O que me faz continuar vivendo
A não ser uma esperança cega?
Esperar que você chegue não vai resolver...
E o mundo é muito grande para te achar agora
Inverteram tudo!
O fútil é o importante
E se você pensa diferente o problema é seu!
Nada posso querer a não ser você ou a morte...
Enquanto eu te espero, planejam minha morte
Um suicídio sem querer
Morte naturalmente forçada
Sentimentos mórbidos que vão crescendo com a dor
As palavras fúteis e mudas que ouvimos
Mostram que a esperança do mundo está no Apocalipse
Será que existe alguma razão pra viver assim?
Esse mundo é o purgatório dos idiotas
O palco imenso e tão cheio
Ao mesmo tempo uma sensação de vazio que me domina
Assim é o meu mundo pessoal
Aquele que só os cegos vêem...
Covardes sem ambição, eles nos querem presos
Metafóricas cegueiras dominam a filosofia
Artificialmente naturalizados, jovens quimeras vivem em suas famílias
Trancados em seu mundo virtual
Um dia temeremos a vida atual
E apenas lembraremos dos tempos de guerra e escuridão
Porque estes são os bons tempos para as elites intelectuais
Os grandes pensadores da idade contemporânea
Maldita a hora em que saímos do interior de um corpo
Para chegar ao mundo dos suicidas
Não temo as flores quem forram meu caixão
Porque com elas irei apodrecer para o infinito
Quando todos não temerem as flores
E desmontarem o sistema para poder enxergar novamente
As decadentes palavras irão fazer sentido
E tudo o que digo agora será lembrado
Entre as ruas desertas
O silêncio e a lembrança se tornam os sonhos
Quando a chuva cai eu lembro de você
E a noite vira dia...
Morre mais um homem de tédio...
Será que vou morrer aqui, nesse lixo?
Apenas mais dúvidas dentro desse mundo
Sem fronteiras para coisas ridículas
Sem você não tem graça usar as palavras
Porque você e mais ninguém consegue ver o lado verdadeiro
Das poucas palavras que não tem sentidos fúteis
Não sei se isso é bom ou ruim...
O grito de medo espanta a morte
E a melancolia entedia a vida
O grito abafa a dor...
A vontade de morrer é mais forte do que a respiração
A vida é um caminho sem direção
Sem volta...
Minha vontade é sair desse caminho...
Suicídio!
Não sei mais nada...
Estúpidas palavras traduzem meus sentimentos
Eu não queria assim...
Morte! Por onde andas?
Luiz Fernando Botto Garcia
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