Porto Alegre, Magalópole, Cidade do Futuro

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 2001
Acidente tranca a saída da Capital - Provocada por carroça, série de colisões parou trecho da BR 290.
Congestionamento começava na ponte do Guaíba

Um acidente envolvendo três caminhões provocou colapso na saída de Porto Alegre pela BR 290, em direção a Eldorado do Sul, na manhã de ontem. O congestionamento se estendeu por mais de cinco quilômetros. Por volta das 10h05min, no quilômetro 103, junto à ponte sobre o rio Jacuí, uma carroça teria manobrado na frente do caminhão Mercedes-Benz placas IBE 7990, de Osório, cujo motorista freara bruscamente. Para não atingir a traseira do veículo, o condutor do caminhão Volvo de placas GRA 1226, de Uberlândia (MG), desviou para a esquerda e chocou-se contra a mureta de proteção. Em seguida, vinha o caminhão Volvo de placas IBW 2120, de Guaíba, que também tentou evitar o impacto e manobrou para a direita, não conseguindo evitar os dois veículos que estavam à sua frente.

O trecho acabou ficando bloqueado, dando início ao congestionamento desde o entorno da ponte do Guaíba. A Polícia Rodoviária de Eldorado do Sul foi mobilizada para o local, além da Concepa. Um caminhão guincho teve que trafegar pela contramão para conseguir chegar até aonde ocorreu o acidente. A pista só foi liberada às 11h55min, pois o trabalho de remoção dos veículos foi demorado. Mesmo assim, o efeito cascata do engarrafamento durou mais algum tempo. No início da tarde, a situação já estava sob controle. Nenhum dos três caminhoneiros envolvidos ficou ferido na tríplice colisão.

Enquanto isso, nós continuamos pagando impostos, para trafegar e multas por infrações de trânsito, num acidente como esses, o prejuízo ficou com os motoristas e as carroças continuam a trafegar pelas vias expressas livres e contentes...vale lembrar que muitas carregam um volume de lixo muito além do que poderiam transportar e que o cavalo possa carregar, e claro ninguém fiscaliza, nem a Associação Protetora dos animais...

Avenidas da Capital recebem 1,5 mil carroças irregulares

Zero Hora - 28/11/2001

Uma em cada três carroças de tração animal que circulam pelas ruas de Porto Alegre diariamente está em situação irregular.

O cadastro da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) registra 3 mil, mas estima-se que o trânsito da Capital recebe mais 1,5 mil carroceiros de outros municípios da Região Metropolitana.

Apenas os carroceiros de Porto Alegre recebem autorização da EPTC para circular. A habilitação é concedida mediante a apresentação de comprovante de residência e de identidade do condutor, de vistoria do veículo e de inspeção veterinária do animal. Os condutores com idade de 14 e 18 anos devem entregar uma autorização dos pais.

Na inspeção, os animais são examinados e recebem um anel numerado. As carroças em condições de uso, com pneus e eixo em bom estado e equipadas com os chamados olhos-de-gato, usados para refletir as luzes dos automóveis à noite, recebem uma placa de identificação.

O controle da EPTC não atinge carroceiros de cidades vizinhas que atuam na Capital. Segundo o diretor de Operações e Fiscalização da EPTC, Vanderlei Cappellari, o cadastramento deveria ser feito na cidade de origem. Conforme o Código de Trânsito Brasileiro, o registro e o licenciamento de veículos de propulsão humana ou animal devem ser regulamentados nos municípios.

Por residir em outras cidades, a maioria dos “invasores” desconhece as regras de circulação de Porto Alegre. A principal se refere aos horários em que os carroceiros estão proibidos de trafegar pelo Centro e por vias movimentadas.

Veículos de tração animal não podem entrar nessas áreas entre 6h e 20h. Na Avenida Castelo Branco, considerada uma via expressa, a proibição é permanente. No entanto, parte dos carroceiros de fora da cidade ignora as normas da EPTC.

– O que acontece, então, são atrasos e congestionamentos. Uma carroça em plena Assis Brasil ou Protásio Alves em horário de pico só pode causar um enorme engarrafamento – afirma Cappellari.

Papeleiros e catadores de sucata clandestinos são considerados os maiores responsáveis por maus-tratos aos animais. Por não serem submetidos à inspeção veterinária, freqüentemente há casos de animais mal alimentados ou submetidos a cargas excessivas. As carroças, da mesma forma, nem sempre estão em condições de tráfego.

Denúncias contra os carroceiros irregulares levaram o Ministério Público do Estado a abrir um inquérito para combater abusos. A promotora do Meio Ambiente de Porto Alegre, Sandra Santos Segura, afirma que a medida não tem como objetivo punir os infratores mas pressionar o poder público a adotar ações para evitar novos casos de maus-tratos.

DENUNCIE OS MAUS-TRATOS
Para quem ligar:
EPTC – 158
Associação Protetora dos Animais – 3364-8318
Associação Riograndense de Proteção aos Animais – 3223-1914

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 29 DE NOVEMBRO DE 2001
Blitz fiscaliza condições de animais
De 29 carroças examinadas, 2 foram autuadas por excesso de peso. Uma correia de carro servia de relho

Patram constatou carregamentos acima do permitido

Muitos carroceiros foram pegos de surpresa ontem em Porto Alegre. No final da tarde, a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram) realizou uma blitz em quatro pontos da Capital para verificar, principalmente, as condições físicas dos animais. Das 29 carroças fiscalizadas, duas foram autuadas por excesso de peso. No ponto da avenida Sertório próximo ao Colégio Navegantes, um cavalo foi apreendido por estar subnutrido e ainda muito machucado. 'Este condutor será responsabilizado por crime ambiental e poderá pegar de seis meses a um ano de prisão', afirmou o capitão Rodrigo Gonçalves dos Santos, que comandou a blitz.

Segundo ele, a maioria das ocorrências foi de excesso de peso e de esforço do animal. Conforme a legislação, é permitido o carregamento de até 150 quilos em veículos de tração animal deste tipo. 'Eles chegam a levar de 500 quilos a 1 tonelada', observou o inspetor da Associação Protetora dos Animais (Aprodan), José Fernando Ramos, que participou da blitz. A operação atendeu a uma determinação do Ministério Público Estadual, que havia recebido muitas denúncias de maus-tratos aos cavalos. O objetivo da promotora Sandra Segura foi provocar uma ação de fiscalização pelas autoridades.

No ponto da avenida Ipiranga com a rua Guilherme Schell, um condutor teve de descarregar o material, cujo peso era visivelmente superior ao permitido. 'Falta ainda uma ferradura', acrescentou o sargento Frederico Ulrich. Foi apreendida uma correia de automóvel que estava sendo usada como relho. O condutor prometeu que respeitará as determinações. 'Tenho nove filhos para sustentar com isso.' Segundo o agente Ricardo Ruppenthal, da Aprodan, muitos carroceiros utilizam acessórios inadequados, que machucam os animais. 'A blitz deverá ser realizada semanalmente', disse Rodrigo. Denúncias podem ser feitas pelos telefones (51) 3339-4568 e 3364-8318.

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Junho/2001

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