> O Fim da Mir (13/03/01)

A estação espacial Mir, o objeto mais pesado orbitando nosso planeta além da Lua, retornará à Terra em meados de 20 de março.

Quando a estação espacial Mir retornar à Terra sobre o remoto Pacífico Sul no fim deste mês, será uma grande notícia. O objeto russo de 135 toneladas é o objeto mais pesado orbitando nosso planeta (além da Lua). Durante sua estadia de 15 anos no espaço, Mir têm fixado recordes de resistência e de aventuras espaciais que serão difíceis de serem quebrados.

Mas entre cientistas que monitoram o ambiente próximo à Terra, um encontro com um objeto de 135 toneladas do espaço é, bem... trabalhoso.

"Asteróides pesando tanto quanto a Mir atingem a Terra talvez 10 vezes por ano," diz Bill Cooke, um membro do time do Ambiente Espacial da Diretoria de Engenharia do Centro de Vôo Espacial Marshall. "Nós sabemos disso porque observamos os flashes das explosões na atmosfera superior via satélites do Departamento de Defesa."

No ano passado um asteróide de 200 toneladas surpreendeu os canadenses com um estrondo sônico e uma bola de fogo se desintegrando acima do território de Yukon. Cientistas depois recuperaram meteoritos próximos ao Lago Tagish, não maiores que poucas centenas de gramas.

"Se um asteróide [rochoso] com a mesma massa da Mir atingir o solo explodiria como alguns quilotons de TNT, produzindo uma cratera do tamanho de um campo de futebol," comentou Cooke. Porém, a Mir não vai chegar tão perto do solo. Como Cooke explicou, "a atmosfera é uma proteção muito boa e quebra meteoritos e outros objetos espaciais bem antes do impacto."

Se a Mir fosse um asteróide, não iria merecer classificação como um "potencialmente perigoso". No esquema cósmico de objetos, Mir é simplesmente muito pequena.

Não obstante, cientistas esperam que a estação espacial faça um bom espetáculo em sua volta.

Mir é um bonito conjunto de painéis solares, laboratórios e de quartos habitacionais - obviamente não projetada para vôo aerodinâmico através da atmosfera. A estação rapidamente cairá separadamente enquando desce em direção à Terra.

"Esperamos que a Mir quebre em seis ou mais pedeços principais quando atingir a atmosfera," diz Nicholas Johnson, cientista chefe e administrador de programa de estudos de escombros orbitais no Centro Espacial Johnson da NASA. Cada peça vai se parecer com um ardente cometa que se divide em bolas de fogo menores enquanto os pedaços se esmigalham e queimam.

Acima: imagens simuladas em computador da descida e rompimento da Mir.

Os cosmonautas ajuntaram a Mir peça por peça durante um ocupado período de 10 anos iniciado em 1986. Os módulos da estação incluem o volumoso Centro, seguimento original de 20 toneladas da Mir que abriga os quartos da tripulação; mais Spektr, um laboratório científico de 19 toneladas famoso pela sua colisão de 1997 com a espaçonave Progress; e o observatório Priroda, de 19 toneladas, lançado há apenas cinco anos atrás.

Cinco dos módulos da Mir ainda estão pressurizados com ar para humanos. Quando explodirem, os observadores (a maioria pássaros marinhos) poderão testemunhar uma exibição única na vida enquanto os fragmentos incandescentes listrarem o céu.

"Das 135 toneladas da Mir, os russos dizem que cerca de 20 toneladas podem atingir a superfície - a maioria em pequenas partes," diz Johnson.

Mesmo agora a Mir está caindo 1,5 km cada dia. Por si mesmo, a estação iria naturalmente mergulhar à Terra de sua órbita de 250 km não além de 28 de março. Mas seria uma descida descontrolada. Em vez disso, a Mir será guiada ao seu final local de descanço por uma espaçonave Progress anexada à estação.

Em 20 de março os controladores de solo russos planejam iniciar os engenhos da Progress quando a Mir estiver no apogeu - sua maior distância da Terra. "O engenho de disparo da Progress vai mover a Mir para um ponto dentro da atmosfera sobre o Pacífico Sul," explicou Jonhson. "É onde os fragmentos da estação vão cair."

"Com uma desórbita controlada não importa se 20 toneladas ou se todas as 135 toneladas atingirem a superfície - o risco para pessoas ou propriedades deve ser de essencialmente zero," diz Johnson. A descida da Mir é certamente mais segura que os muitos encontros descontrolados que experenciamos com os asteróides com o peso da própria Mir a cada ano.

Ninguém sabe mais sobre o acúmulo de espaçonaves no Pacífico do que os russos. Desde 1978 eles têm desorbitado 80 naves Progress e 5 estações espaciais Salyut na mesma área. "Duas espaçonaves Progress desceram ainda este ano", diz Johnson. "Mir, que está anexada a uma Progress, será a terceira."

"A primeira estação espacial a descer sobre o Pacífico foi Salyut 6", adiciona. "Pesava 40 toneladas e desceu em julho de 1982. A técnica de desórbita é exatamente a mesma - Mir é apenas um pouco maior."

O final deslumbrante da Mir não será visto por muitas pessoas, mas talvez isto será até melhor. As 20 toneladas da Mir que se difundirem no Pacífico estarão viajando de 100 a 150 m/h quando atingirem a água.

Esquerda: em 18 de janeiro de 2000, um asteróide de 200 toneladas - mais ou menos a massa da Mir - deixou seu rastro esfomaçado acima do território canadense de Yukon.


> Traduzido e adaptado com permissão de Science NASA. Leia a versão em inglês.


> Artigos relacionados e links:

> Mir (Plataforma)


Planeta | Universe Today | Contato

STARMEDIA        CERRAR