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Planeta Reporter

> Aquecimento Global em Marte (10/02/01)

Gases estufa artificiais que são más notícias na Terra poderiam prover meios para fazer de Marte um lugar mais confortável para que os humanos vivam.

Dizer que Marte é um lugar frio poderia ser uma negação. A terperatura média anual do Planeta Vermelho é de 55 graus C abaixo de zero - mais ou menos a temperatura do polo sul da Terra durante o inverno.

Se os humanos algum dia construirem comunidades em Marte, eles poderão querer encontrar uma forma de se elevar a temperatura global. Em uma recente conferência patrocinada pela NASA, "A Física e a Biologia Fazendo Marte Mais Habitável", cientistas descutiram maneiras de como os futuros colonizadores poderiam fazer para tornar o gelado planeta um pouco mais confortável.

Uma solução poderia ser bombear gases estufa suficientes na atmosfera marciana para criar um efeito estufa. Aqui na Terra, a idéia de um efeito desses faz soar os alarmes! Mas em Marte poderia ser uma vantagem. Cientistas na conferência especularam como poderia ser possível aquecer Marte suficientemente para evaporar o dióxido de carbono (CO2 agarrado em gelo e calotas) à atmosfera, onde tais gases poderiam contribuir para manter o planeta aquecido.

Mas há dois problemas. Primeiro, mesmo se todo o CO2 disponível em Marte fosse introduzido na atmosfera, não iria necessariamente aquecer o planeta suficientemente para fazer dele um lugar mais habitável para humanos, por que ninguém sabe quanto de CO2 existe lá. Segundo, a melhor forma de fazer Marte lançar seu CO2 espontaneamente é, bem... aquecê-lo. É uma situação difícil!

Margarita Marinova, uma estudante universitária no MIT acredita ter uma resposta para ambos os problemas: usar perfluorocarbonos (PFC) artificiamente criados, para iniciar o processo de aquecimento. Marinova tem estudado os efeitos aquecedores dos PFCs, em colaboração com Chris McKlay, membro do Instituto de Astrobiologia da NASA no Centro de Pesquisa Ames. McKay foi uma dos organizadores da conferência de terraformação onde Marinova apresentou sua pesquisa.

PFCs tem muitas vantagens. Primeiro, eles são super-gases estufa. Uma pouquinho deles faz muito aquecimento. Segundo, PFCs tem um período de vida muito curto. Eles causam sérios problemas na Terra, mas sua longetividade poderia ser um fator positivo em Marte. Terceiro, eles não tem nenhum efeito negativo em organismos vivos.

Finalmente, diferente de seus primos químicos, os clofofluorcarbonos (CFCs), os PFCs não destróem o ozônio. O ozônio na atmosfera da Terra provê proteção contra a radiação ultravioleta (UV), que é prejudicial à vida. Em Marte, construir uma camada de ozônio na atmosfera poderia ser um objetivo importante para os terraformadores. "Você não quer destruir o ozônio", diz Marinova, "porque é um protetor contra UV."

A luz solar que atinge a superfície de um planeta chega primeiramente como luz visível e ultravioleta. O planeta absorve a energia solar, e depois re-radia energia infravermelha aquecedora de volta à atmosfera. Os gases estufa na atmosfera trabalham como uma camada global de isolamento e captura da radiação infravermelha, impedindo que ela escape de volta ao espaço.

CO2 e água são bons na captura de alguma dessa energia infravermelha, mas não dela toda. Na Terra, há tanto CO2 e água na atmosfera que não faz mal se alguma radiação infravermelha escapar de volta ao espaço.

Mas em Marte, os terraformadores vão querer conter todo o aquecimento que puderem. Uma combinação cuidadosamente escolhida de PFCs poderia fazer o trabalho com bastante facilidade.

"Quando nós primeiramente começarmos a aquecer Marte," explica Marinova, "vamos querer cobrir todo o espectro" da radiação termal infravermelha. "Uma vez lançado o CO2, ele vai fazer parte do trabalho", e os PFCs vão apenas precisar ser usados para tapar os buracos.

E em que rapidez poderá Marte ser aquecido?

"Isso depende", diz Marinova, "na velocidade em que fizermos os gases." De acordo cálculos, "se você tivesse 100 fábricas, cada uma tendo a energia de um reator nuclear, trabalhando por 100 anos, você poderia aquecer Marte de seis a oito graus." A esta taxa, para aumentar a média da temperatura marciana ao ponto de descongelamento da água - agora é de cerca de menos 55 graus Celsius - levaria cerca de 800 anos. De fato, não levaria realmente tudo isso, Marinova diz, porque seus cálculos não incluem o efeito regenerativo do CO2 que poderia ser lançado se Marte fosse continuamente ficando mais quente. "Inventando-se mais super-gases estufa artificiais, mais eficientes, iria-se aquecer o planeta mais rapidamente".

A habitação humana em Marte ainda está distante. O atual plano da NASA de explorar o Planeta Vermelho, que se estende pelas próximas duas décadas, não inclue nem uma missão humana pioneira a Marte. Até que que um povoado permanente seja estabelecido lá - um que poderia iniciar a tarefa de terraformar o planeta - avanços tecnológicos podem tornar possível aquecer sua atmosfera bem mais eficientemente do que é possível usando as técnicas que estão sendo estudadas hoje pelos cientistas como Marinova.

> Traduzido e adaptado com permissão de Science @ Nasa.gov. Leia a versão original em inglês.

 

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