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Planeta Reporter

> Marte Carbonizado (07/02/01)

Aqui na Terra a única maneira de se fazer rochas de carbonato é com a ajuda de água líquida. O achado de rochas desse tipo em Marte poderia provar, de uma vez por todas, que o deserto Planeta Vermelho foi, um dia, quente e úmido.

Uma substância comum encontrada num simples giz poderia ser a chave para o enigma de proporções planetárias: o misterioso paradeiro da água em Marte.

O frágil e branco material do giz - uma forma de carbonato - pode parecer algo usual, mas o achado de carbonatos em Marte poderia ter implicações extraordinárias. A descoberta proveria fortes evidências que a água líquida, um dia, fluiu no Planeta Vermelho. Tais carbonatos podem também abrigar fósseis de antigas bactérias Marcianas.

"Se você fosse sortudo o suficiente para achar alguns carbonatos nos terrenos em camadas de Marte, os cientistas iriam se excitar muito sobre isso," diz Ken Nealson, diretor do Centro para Descoberta de Vida no Laboratório de JatoPropulsão da NASA.

Imagem: Arco "Nanxu" na região de Guilin Karst, China. Note a cor branca do carbonato da face da escarpa. a rocha de carbonato também pode ser rosa ou de outras cores, dependendo da impurezas presentes.

As rochas de carbonato na Terra são formadas de duas formas: através de um processo puramente químico ou pela ação de coisas vivas. Ambas as formas precisam de água líquida.

A forma química envolve gases de dióxido de carbono que se dissolvem em águas superficiais. As moléculas de CO2 se combinam com água para formar íons de carbonato, que por sua vez se juntam com cálcio ou magnésio para criar um sólido que povoa o fundo do mar. A pedra calcária é um exemplo desses carbonatos. As mudanças geológicas podem, mais tarde, expor esses depósitos, revelando bonitas características como as faces da escarpa branca mostrada acima.

Porque a atmosfera de Marte contém, em sua maior parte, dióxido de carbono, os cientistas esperam que as águas líquidas superficiais (se já existiram em Marte) produzissem depósitos de carbonato de uma maneira similar.

Outro jeito que os carbonatos são formados na Terra é por organismos marinhos que produzem o carbonato para formar conchas e outras partes duras. Quando esses organismos morrem, as conchas submergem ao fundo, onse se acumulam e eventualmente formam um depósito de carbonato. O giz de quadro negro é um exemplo desse tipo de carbonato, que compreende a maioria dos carbonatos na crosta do nosso planeta.

"Não só são os carbonatos freqüentemente um produto da vida, eles ainda preservam a vida que estava dentro e ao redor deles muito bem," continua Nealson. "Toda a noção da procura por certos tipos de mineral que... tendem a habitar vida aqui na Terra é uma importante parte da estratégia de busca [por sinais da vida em Marte]."

Vagar por toda a superfície de Marte procurando por rochas de carbonato levaria um bom tempo. Felizmente, os carbonatos podem ser detectados da órbita observando o calor radiado.

Assim como todas as substâncias, os carbonatos emitem calor como radiação infravermelha (RI). Os componentes do carbonato tem uma distinta assinatura de infravermelho quando vistos através de um espectrômetro de RI.

A sonda Mars Global Surveyor da NASA, que atualmente está orbitando Marte, leva consigo um instrumento desse - o "Espectrômetro de Emissão Termal" (TES) - que é habilitado para ler as "impressões digitais" infravermelhas das rochas da superfície de Marte. Os cientistas têm esperado que este sensor possa encontrar regiões de carbonato exposto ao longo da paisagem marciana.

Até então, o TES não encontrou nenhum depósito de carbonato.

"Se eles não estiverem lá, vai ser muito desencorajador." diz Nealson. "Mas nós ainda não temos visto-os só porque não temos o instrumento certo ainda".

Uma versão aperfeiçoada do TES vai estar a caminho de Marte logo. Chamado Sistema de Imagens da Emissão Termal (THEMIS), este novo instrumento vai tirar imagens infravermelhas mais detalhados da superfície marciana do que o TES, capacitando o THEMIS a detectar depósitos de carbonato menores do que o TES pode.

O THEMIS vai voar a bordo da sonda Mars Odyssey da NASA em 2001, que está marcado para ser lançado em abril.

Enquanto os cientistas esperam pelos resultados da THEMIS, pode ser que evidências de carbonatos em Marte tenham já sido encontradas aqui na Terra.

Uma rocha de Marte, que foi aparentemente ejetada do Planeta Vermelha por um impacto de um asteróide há milhões de anos atrás, veio cair na Antártica há cerca de 13 000 anos atrás, quando foi encontrada por cientistas em 1984. A "Rocha de Marte", também conhecida como o "meteorido de Allen Hills", causou polêmica em 1996 quando os cientistas anunciaram que a rocha continha sinais de antiga vida microscópica marciana.

A conclusão desde então tem sido criticada por outros cientistas, mas uma das peças da evidência citada eram pequenos pedaços do mineral carbonato dentro da rocha. A localização dos pedaços de carbonato junto com outros indícios sugeriu que o carbonato estava ali há milhões de anos atrás quando a rocha ainda estava em Marte.

Este meteorito de Allen Hills não é o único a abrigar carbonato.

"Nós sabemos que há carbonatos (em Marte), porque nós os vemos como resultado do desgaste em uma variedade de meteoritos Marcianos," diz Everett Gibson, um astrobiologista no Centro Espacial Johnson , da NASA, em Houston, Texas.

"A grande questão é, 'Onde estão os carbonatos na superfície de Marte?' 'Eles não deveriam ser vistos por alguns dos espectrômetros que estão observando Marte agora?' "

Imagem: close das "panquecas" de carbonato no meteorito Allan Hills 84001.

Pequenos pedaços de carbonato como estes encontrados na "Rocha Marciana" não seriam detectados pelo espectrômetros de emissão termal atualmente em órbita ao redor de Marte, continua Gibson. Até a resolução de 100 metros do THEMIS não é suficiente para revelar tão diminutos depósitos.

Mas se lagos ou oceanos algum dia adornaram a paisagem de Marte, os cientistas esperam que cedo ou tarde seus intrumentos revelem os depósitos de carbonato. Tamanha descoberta poderia provar, de uma vez por todas, que Marte não foi sempre o estéril deserto que é hoje.

 

> Mais sobre os Carbonatos

Carbonato é um nome para rochas e minerais que contêm uma molécula feita de carbono e oxigênio conhecida como CO32-. A rocha calcárea é um exemplo de um carbonato de cálcio, o que significa uma combinação de cálcio e carbonato.

Organismos multicelulares como moluscos produzem conchas de carbonatos. Simples micróbios procarióticos no oceano também coletam carbonatos no seu corpo. Isso acontece quando eles puxam CO2 da água para a fotossíntese. Extrait CO2 faz com que a água se torne mais alcalina, que, por sua vez, faz com que o carbonato se precipite. O carbontato eventualmente pesa e afunda o micróbio... conduzindo a formação de depósitos de carbonato no solo marinho.

> Traduzido e adaptado com permissão de Science @ Nasa.gov. Leia a versão original em inglês.


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