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Planeta Reporter

> O Gramado do Planeta Vermelho (28/01/01)

Um ousado micróbio da Terra pode, um dia, transformar o estéril solo de Marte em terra arável.

Imagem artística de um Marte mais habitávelEmbora Marte pôde, um dia, ter sido quente e molhado, o Planeta Vermelho hoje é uma terra devastada. A maioria dos cientistas concorda que é muito improvável que qualquer criatura viva - até mesmo um micróbio - pudesse sobreviver por muito tempo na superfície de Marte.

Quando os primeiros humanos viajarem para lá para explorar o Planeta Vermelho de perto, eles vão ter que cultivar seu alimento hermeticamente, aquecido em estufas. A atmosfera marciana é muito fria e seca para que plantas comestíveis cresçam ao ar livre. Mas se os humanos ainda esperam estabelecer, a longo prazo, colônias na sua vizinhança planetária, eles vão querer, sem dúvida, encontram algum jeito de cultivar ao ar livre. Imre Friedmann tem uma idéia de como eles podem dar o primeiro passo.

Fredmann é um microbiologista que recentemente se uniu ao time do Instituto de Astrobiologia no Centro de Pesquisa Ames (NASA). Friedmann foi um dos conferencistas convidados em "A Física e a Biologia de Fazer Marte Habitável", conferência patrocinada pela NASA, organizada pela Ames em outubro de 2000. Seu discurso focou um organismo que poderia ser usado para iniciar o processo de converter a superfície marciana em solo cultivável.

Marte é coberto por uma camada de rocha e poeira fina, conhecida como regolite (regolith). Para converter o regolite a solo, é necessário adicionar matéria orgânica, assim como fazendeiros da Terra fertilizam seu solo adicionando um composto a ele.

Na Terra, o composto é feito principalmente de matéria vegetal em deterioração. Os microorganismos representam um importante papel desmanchando plantas mortas, reciclando seus nutrientes de volta ao solo, e então as plantas vivas podem reusá-las. Mas em Marte, diz Friedmann, onde não há vegetação para se decompor, os corpos mortos dos microorganismos vão prover a eles mesmos o material orgânico necessário para se edificar o solo.

ChroococcidiopsisO truque está encontrando o micróbio correto.

"Entre os organismos conhecidos hoje", diz Friedmann, "o Chroococcidiopsis é o mais satisfatório" para o trabalho.

O Chroococcidiopsis é uma das mais primitivas cyanobactérias conhecidas. O que faz dela um bom candidato é sua abilidade de sobreviver em um amplo alcance de meios extremos que são hostis para a maioria das outros formas de vida.

Chroococcidiopsis tem sido encontrado cescendo em fontes quentes, em habitats hipersalinos (com muito sal), em quentes e áridos desertos ao redor do mundo, e no gelado Deserto Ross na Antártica.

"Chroococcidiopsis é um organismo que constantemente aparece em todos os meios ambientes extremos", diz Friedmann, "pelo menos em ambientes de secura extrema, frio extremo, e de salinidade extrema".

Além do mais, onde Chroococcidiopsis sobrevive, ele é a única coisa viva que o faz. Mas ele rapidamente desiste de sua dominação quando as condições habilitam outras e mais complexas formas de vida a prosperar.

Por indícios de como se cultivar o Chroococcidiopsis em Marte, Friedmann observa seus hábitos de crescimento em regiões áridas da Terra. Em desertos, o Chroococcidiopsis cresce mesmo dentro de rochas porosas ou no subsolo, nas superfícies mais baixas de cristais de rocha translúcidos.

Os cristais de rocha provêm um micro-ambiente ideal para o Chroococcidiopsis de dois modos. Primeiro, eles apanham umidade debaixo deles. Experimentos têm mostrado que pequenas quantias de umidade podem se agarrar às superfícies no subsolo de rochas por semanas depois que suas superfícies acima do solo se secarem. Segundo, porque os cristais são translúcidos, e permitem que apenas luz suficiente atinjam os organismos para sustentar seu crescimento.

Friedmann pressente grandes fazendas onde as bactérias são cultivadas no lado inferior de tiras de vidro que são tratadas para alcançar as características de transmissão de luz formais. Marte atual, no entanto, é muito frio para que esta técnica funcione efetivamente. Antes de um ousado micróbio como o Chroococcidiopsis poder ser cultivado em Marte, o planeta teria que ser aquecido consideravelmente.

Friedmann, admite que suas idéias sobre o cultivo do Chroococcidiopsis são, neste ponto, meramente um experimento imaginado.

"Eu não acho que qualquer de nós vivos hoje vai ver isso acontecer", ele medita. Quando o tempo fizer de Marte um lugar mais habitável, "a tecnologia vai ser tão diferente que tudo que nos planejamos hoje... vai ser ridiculamente obsoleto."

Friedmann espera que a engenharia genética vai eventualmente desenvolver organismos para fazer o trabalho. Mesmo se o Chroococcidiopsis for, no final das contas, usado como a base, vai ser uma vastamente aperfeiçoada versão do micróbio de hoje.


> Traduzido e adaptado com permissão de Science @ NASA. Veja a versão original em inglês.


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