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Planeta Reporter

> Cauda magnética invisível da Terra (27/01/01)

As primeiras vistas globais da magnetosfera do nosso planeta, capturadas pela astronave IMAGE, da NASA, revelam uma curiosa cauda de plasma que se estende em direção ao Sol.

As primeiras imagens de larga escala das maquinarias ocultas do campo magnético da Terra estão agora disponíveis, incluindo a confirmação de uma suspeita, mas previamente invisível "cauda" de gás eletrificado.

A cauda, que se estende da Terra em direção ao Sol, foi vista pela astronave IMAGE (Imager for Magnetopause to Aurora Global Exploration), da Nasa. Foi reportada em cobertura na edição de 26 de janeiro do jornal Science. A IMAGE está oferecendo aos pesquisadores uma inédita vista do gás transparente e eletrificado apanhado dentro do campo magnético da Terra, provendo a primeira perspectiva visual e global das tempestades magnéticas.

Acima: o instrumento de captação de ultravioleta a bordo do IMAGE capturou esta imagem do brilho ultravioleta do plasma relativamente frio em volta do nosso planeta. A "cauda" em forma de gancho, de plasma, próximo ao topo (à esquerda), se estende em direção ao Sol. O círculo pequeno e fraco próximo ao centro da imagem localiza radiação ultravioleta da aurora boreal.

A região envolvida pelo campo magnético da Terra, chamada magnetosfera, domina o comportamento das partículas eletricamente carregadas no espaço próximo da Terra e protege nosso planeta do vento solar. Eventos explosivos no Sol podem carregar a magnetosfera com energia, geranto tempestades magnéticas que ocasionalmente afetam satélites, as comunicações e os sistemas de energia.

É difícil para qualquer espaçonave obter uma vista coerente e de larga escala da atividade nesta vasta região porque a magnetosfera se estende até além da Lua no lado noturno da Terra.

"Imagine tentar localizar e entender a formação de furacões sem a visão dos satélites de tempo," diz Dr. Thomas Moore, cientista do Projeto IMAGE no Centro Aeroespacial Goddard (NASA). "Assim como os primeiros metereologistas com um pequeno número de estações de medição, nós tínhamos uma vista incompleta e às vezes enganosa da magnetosfera antes do IMAGE, porque não podíamos ver a grande imagem."

A IMAGE está provendo pela primeira vez vistas globais das populações de partículas carregadas da Terra em múltiplos comprimentos de onda e energias em escalas de tempo de alguns minutos, que é suficiente para localizar a dinâmica da magnetosfera," diz Dr. James Burch, investigador principal do IMAGE e autor principal do artigo na Science no Instituto de Pesquisas do Sudoeste.

Acima: o vento solar soprante destorce o campo magnético terrestre então parece muito com uma lágrima ou com um saco de vento de aeroporto.

A magnetosfera da Terra apanha gás eletrificado, chamado plasma. As novas imagens do IMAGE mostram uma estrutura em forma de cauda da própria nuvem de plasma da Terra, que se forma como algumas das tormentas de gás em direção do Sol. A estrutura foi predita há 30 anos atrás, mas as espaçonaves anteriores eram incapazes de confirmar sua existência.

A estrutura da cauda acredita-se que seja um fluxo de retorno do plasma que ocorre quando o vendo solar bate na magnetosfera e distorce sua forma. Por exemplo, um pingo de chuva caindo é, primeiramente, mais ou menos esférico. Enquanto cai e ganha velocidade, a resistência do ar causa a mudança de forma da gota quando a água é arrastada do fundo (cabeça) para o topo (cauda). A tensão superficial impede que a maioria da água simplesmente se disperse pela cauda, então é forçada em vez de fluir dentro do pingo e retornar à cabeça.

O vento solar distorce a magnetosfera terrestre de forma similar, comprimindo-a no lado diurno da Terra, como a cabeça do pindo de chuva. A região se estende no lado noturno, assim como a cauda do pingo, ficando em forma de lágrima.

O plasma próximo dos limites da magnetosfera é arrastado com o vento solar, mas depois é voltado e forçado de volta em direção ao Sol. Embora a caude de plasma apontando para o Sol fosse esperada, a IMAGE descobriu algumas surpresas também. Em primeiro lugar, a espaçonave descobriu áreas na nuvem de plasma da Terra que estão quase vazias de plasma. O time da IMAGE chama essas inesperadas estruturas de "sarjetas" (troughs) e está tentando descobrir como são formadas.

A IMAGE, lançada em 25 de março de 2000, também revelou alguma surpreendente atividade durante as tempestades magnéticas, que ocorrem quando o vendo solar bombardeia a magnetosfera terrestre. A região no lado noturno da magnetosfera, que é estirada pelo vendo solar, algumas vezes se rompe e dispara plasma violentamente para a Terra. O plasma se aquece a várias centenas de milhões de graus e gira em torno da Terra a muitos milhões de correntes de ampère. A IMAGE descobriu que o plasma ocasionalmente é mais denso no lado diurno da Terra, o que era inesperado. Pesquisadores estão atualmente estudando o fenômeno.

Acima: um intrumento do IMAGE capturou esta imagem em cor falsa dos átomos neutros ardentes dentro do plasma quente em torno da Terra. O laranja e branco mostram o plasma mais denso, enquanto o vermelho mostra o menos denso. O plasma quente nesta imagem é mais denso no lado diurno da Terra, o que era inesperado.


> Traduzido e adaptado com permissão de Science @ NASA. Veja a versão original em inglês.


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