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O Céu do Sul
Elaborado primeiro mapa que
mostra paisagem celeste vista de nosso hemisfério
Foi
desenhada no Brasil a primeira carta celeste a
representar as constelações a partir do ponto
de vista do Hemisfério Sul. A Carta do Céu, que
demarca a posição dos astros tais quais podem
ser vistos do Brasil, mede 33 por 48 centímetros
e foi elaborada pelo físico Marcomede Rangel, do
Observatório Nacional.
Até então, as cartas astronômicas
que circulavam no país eram produzidas no Hemisfério
Norte e pareciam não retratar as imagens
celestes contempladas ao sul do Equador. A
constelação de Touro, por exemplo, é vista nos
Estados Unidos em forma de "V", mas no
Hemisfério Sul, lembra um "A". O mesmo
ocorre com a constelação de Escorpião, que ao
norte é como um gancho, e ao sul, como um ponto
de interrogação ao contrário. A posição das
Três Marias também está invertida para o
observador que tem em mãos uma carta norte-americana
ou européia: no mapa, as estrelas aparecem
abaixo da linha do Equador celeste (projeção da
linha do Equador terrestre), enquanto no céu,
elas estão acima dessa marca.
Mesmo as cartas usadas por astrônomos
profissionais do Hemisfério Sul são elaboradas
em países do norte, principalmente nos Estados
Unidos. Segundo Marcomede, isso não ocorre
somente na América: "o astrônomo
australiano David Seargent já apelidou essa
regra de 'síndrome do norte'." Seargent
critica o fato de as referências celestes serem
sempre divulgadas a partir da perspectiva desse
hemisfério.
Os mapas celestes são feitos a
cada 50 anos, levando em consideração as mudanças
nas coordenadas dos astros. A Carta do Céu
elaborada por Marcomede poderá ser utilizada até
2050. Para o trabalho, o físico pesquisou em
mapas do norte, bastante precisos, e adaptou a
perspectiva das estrelas para o ângulo de visão
de um observador do sul. Além de localizar
estrelas e galáxias, a carta mostra ainda a
linha eclíptica do sol, que demarca o movimento
do astro entre as constelações e aponta sua
trajetória nas datas específicas das estações
do ano no Brasil.
"As pessoas ficavam frustadas
por não encontrar no céu o que estava no
desenho", diz Marcomede. "Não quero
que os astrônomos amadores percam o interesse
pelo assunto: para eles decidi fazer a Carta do Céu."
O documento também servirá aos navegadores que,
embora saibam como lidar com os mapas importados,
terão uma visão mais precisa da localização
dos astros, que lhes servem como guias. A Carta
do Céu custa R$ 3,00 e pode ser comparada no
Observatório Nacional - telefone: (21) 585-3215.
Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
15/12/00
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>
Fonte: Ciência Hoje.
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