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José Carlos Diniz >
Astrofotografia com Câmera Fixa
Ao escrever sobre este tema
pretendemos estimular o uso da astrofotografia,
desmistificando e apresentando de forma simples e
direta conceitos clássicos e básicos.
Deixaremos nosso E-mail para discussões mais
aprofundadas dos assuntos aqui tratados além de
críticas e troca de informações.
A Astrofotografia permite o registro permanente
dos fenômenos celestes, propiciando sua comparação
posterior , tanto na astronomia observacional
produtiva, registrando estrelas variáveis,
meteoros, eclipses etc. quanto no registro de
belas imagens , que obtidas de forma simples são
motivo de fascínio .
Para começar a fotografar o céu você precisa
de uma máquina fotográfica, um tripé e um cabo
disparador.
A camera deve possuir as seguintes características:
1- Ser manual, não servindo aquelas automáticas
que dependem de bateria para seu acionamento, ou
não permitam controle de foco, diafragma e
velocidade.
2-Possuir na escala de velocidade a posição B (
pose ) ou seja, permitir que se mantenha o
obturador aberto o tempo que se desejar e, para
isso, usa-se o cabo disparador.
Seria desejável , mas não imprescindível que
possa trocar as lentes( o uso de grande angulares
e tele-objetivas ampliam os limites da
astrofotografia ), que o espelho pudesse ser
erguido e travado e que o screen de focalização
pudesse ser trocado.
Inaceitável é não ter focalização precisa e
vibrações fortes ao ser acionada
Munidos de nossa camera, tripé , disparador e de
um filme de sensibilidade média ( 400 ISO )
partamos para um local afastado das luzes da
cidade, preferencialmente em noites sem ou com
pouca luz da Lua e mãos à obra.
Iniciaremos com uma modalidade chamada camera
fixa que nos permitirá experiências
gratificantes, antes porém uns dados importantes:
1- O movimento da Terra faz com que as estrelas
se desloquem a 15º/ h em nosso campo visual. Há
um limite de exposição além do qual o
movimento aparente das estrelas fará com que
elas apareçam como um risco formando trilhas no
negativo; como regra prática dividiremos 1000
pela distancia focal de nossa objetiva obtendo o
tempo em segundos para a exposição. Assim ,
objetiva de 50mm teremos 1000/50= 20 seg. ; para
uma teleobjetiva de 135mm 1000/135= +/- 8 seg.
etc. etc.
2- ANOTEM ! Facilmente esquecemos dados como,
tempo de exposição, abertura etc. . como regra
sempre anotem número da foto, tempo de exposição,
diafragma, objeto visualizado, data, hora local
da foto e toda e qualquer intercorrencia.
Nossa primeira experiência será apontar nossa
camera para uma constelação conhecida ( Orion
por exemplo) e com a objetiva de 50mm na sua
maior abertura, colocar o obturador em B e expor
por 20 segundos usando o cabo disparador com
trava. Tenho certeza de que ficarão surpresos
com a quantidade de estrelas que aparecerão no
campo, seguramente de 1 a 2 magnitudes alem do
que se observa a olho nu. Façamos mais exposições
da mesma constelação com tempos de 30, 40 seg.
e 1 minuto para compararmos os resultados.
Agora apontem para outra área conhecida e deixem
a máquina em B , feche 2 pontos de diafragma e
deixem 20 minutos de exposição. Observaremos os
trails, linhas luminosas formadas pelo
deslocamento das estrelas. Vocês serão capazes
de notar melhor as cores das estrelas e ainda
assim reconhecerem as constelações.
Repitam a mesma foto focalizando a objetiva da
camera para 30 metros, notarão então que as
estrelas desfocalizadas ficarão maiores exibindo
melhor suas cores. Façam isso com várias
distancias e comparem os resultados.
Apontem sua camera para o Polo Sul, focalize no
infinito, fechem o diafragma 3 a 4 pontos ( se
sua objetiva for 1.4 avance para 4 ou 5,6 )
posicionem em B, usem o disparador para travar e
deixem o filme exposto entre 30 minutos e 1 hora.
Veremos as trilhas deixada pelas estrelas girando
em torno do Polo Sul celeste, as cores das
estrelas ficarão bem marcadas e em lugares
escuros e abertos notaremos a grande e a pequena
nuvem de Magalhães como manchas luminosas em
meio às trilhas.
Muitas outras coisas podem ser feitas com uma
camera fixa como registrar satélites artificiais,
meteoros, cometas, eclipses , ocultações além
de belas composições, como as plumas e cones de
luz obtidas pelo famoso astrofotógrafo David
Malin. As iluminações artificiais de fundo ( árvores
,casas ou outros objetos fixos em contraste com o
céu ) são muito usados para compor bonitas
cenas, dêem asas à imaginação !
Espero que essas dicas façam vocês porem mãos
à obra, e saibam que ao faze-lo estarão
correndo o risco de se apaixonarem perdidamente
por essa arte maravilhosa que é a
astrofotografia.
José Carlos Diniz
dinizfam@uninet.com.br
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