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Em busca de Vulcano
Normalmente todos pensamos que no caso de existir um décimo planeta do Sistema Solar, deveria encontrar-se mais além de Plutão, nas longínquas fronteiras do nosso sistema. Porém, há outra possibilidade menos conhecida: o décimo planeta poderia encontrar-se no Sistema solar interior, entre o Sol e Mercúrio. Este hipotético planeta foi durante muito tempo buscado por famosos astrônomos do século XIX, que chegaram a batizá-lo com o nome mitológico de Vulcano. Netuno foi descoberto em 1846 por Gottfried Galle, seguindo os cálculos do jovem Urbains Leverrier. A órbita observada de Urano não coincidia exatamente com as previsões da mecânica newtoniana. Assim, o movimento do planeta teria que ser influído não somente pelo Sol e pelos demais planetas conhecidos, e sim por outro corpo bastante massivo. Mediante complexos cálculos, Leverrier e o britânico John Adams, determinaram a posição aproximada do possível objeto que produzia as perturbações. Mas as desviações que sofria Urano não eram as únicas. Também Mercúrio se portava mal. Entre as previsões teóricas e a velocidade observada do deslocamento da órbita de Mercúrio, existia uma pequena diferença para a qual deveria haver uma explicação. Tal como havia ocorrido com Urano, se pensou imediatamente na ação de um planeta desconhecido, Vulcano, que ficaria oculto a nossos olhos pela luminosidade do Sol. Se conheciam duas formas para poder descobrir o hipotético planeta, em primeiro lugar, os eclipses do Sol, que são raros e duram poucos minutos (teria que ter muita sorte para descobrir Vulcano em semelhantes circunstâncias). A outra possibilidade era uma possível trânsito do planeta sobre o disco solar, durante o qual o planeta se pareceria como uma manchinha escura em movimento sobre a superfície do Sol. Mas era impossível predizer o momento do trânsito sem conhecer a órbita do planeta. Durante quase 50 anos se buscou o planeta e a princípios do século XX, graças à técnica fotográfica, se excluiu definitivamente a existência de um planeta de mais de cem quilômetros de diâmetro nas proximidades do Sol. Ainda que existisse um planeta (ou asteróide) tão pequeno, sua massa seria demasiado reduzida para influir na órbita de Mercúrio. Anos mais tarde se descobriu a resposta: o erro estava na mecânica newtoniana! Em 1916, Albert Einstein propôs sua nova teoria da gravidade, denominada Relatividade Geral. Ainda que a teoria newtoniana oferece sempre uns resultados quase coincidentes com os da teoria da Relatividade, há uma exceção, os corpos que se movem nas proximidades de objetos muito densos e massivos. A explicação de Einstein, que acabou com a história de Vulcano, tem sido confirmada por numerosas observações. Traduzido |
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