Anéis
de poeira
Cientistas descobrem que Júpiter
é cercado por um bambolê de detritos siderais
Saturno
é famoso pelos anéis. Mas Júpiter, o maior
planeta do Sistema Solar, também possui os seus.
Eram dois, que não podem ser vistos por telescópios
a partir da Terra, e só saíram do anonimato em
1979, quando foram fotografados pela sonda
espacial Voyager I. Havia suspeitas da existência
de um terceiro anel, que aumentava a curiosidade
dos astrônomos: de onde eles viriam? Na semana
passada depois da análise de dados colhidos pela
sonda Galileu, colocada para orbitar o planeta
nos últimos dois anos, uma equipe de cientistas
americanos finalmente matou a charada. De acordo
com os astrônomos da Universidade Cornell e do
Observatório Nacional de Astronomia Ótica de
Tucson, nos Estados Unidos, o terceiro anel de Júpiter,
na verdade, subdivide0se em dois, quase
transparentes que giram como um bambolê em torno
do planeta. Segundo eles, esses anéis são a
reunião de uma gigantesca quantidade de poeira
espacial. Ao contrário dos anéis de Saturno, não
têm gelo. Foram formados por detritos lançados
no espaço em colisões de meteoros com quatro
luas de Júpiter: Teba, Amaltea, Adrastea e Metis.
Os quatro satélites, os mais próximos
do planeta entre os dezesseis que ele possui, são
constantemente atingidos por meteoros que viajam
a 40 quilômetros por segundo, velocidade 100
vezes maior que a da bala de um revólver calibre
22. Como as luas têm baixíssima gravidade,
milhares de partículas, menores que as que se
juntam dentro de casa, acabam lançadas ao espaço.
O campo gravitacional de Júpiter atrai esse pó
cósmico, formando os quatro anéis. Eles ficam a
240 000 quilômetros do planeta e apenas 27 quilômetros
um do outro. Pela sua composição, são diáfonos
como teias de aranha, algo não imaginado
anteriormente pelos cientistas. "Esses anéis
são laboratórios dinâmicos que podem ajudar-nos
a entender a formação do Universo",
explica Joseph Burns, um dos astrônomos de
Cornell que coordenam a pesquisa. O cientista diz
que, embora em constante transformação, os anéis
nunca mudam de tamanho e densidade por que as minúsculas
partículas de poeira têm vida curta e são
sempre substituídas por outras. O fenômeno,
analisado graças a imagens coletadas pela
Galileu em 1996 e 1997, já é considerado a
descoberta mais importante até o momento da
sonda espacial.
Revista Veja, setembro de 1998, página
79
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