As
novas missões a Marte
De todos os planetas do Sistema
Solar, Marte é o que mais se assemelha com a
Terra. Ambos são muito parecidos em idade, sendo
difícil saber quem é o irmão mais novo e quem
é o irmão mais velho.
Marte
tem um pouco mais da metade do tamanho da Terra e,
conseqüentemente, perto de 1/8 de seu volume.
Sua superfície total eqüivale à superfície
continental (acima do nível do mar) da Terra.
Existe água em abundância armazenada sob a
superfície marciana, bem como sob suas calotas
polares.
A
duração do dia marciano é bem parecida com a
do dia terrestre: 24 horas e 37 minutos (apesar
do ano ser bem maior, com 687 dias terrestres). A
inclinação do plano de sua órbita, de 25º,
também é muito próxima da inclinação
terrestre, de 23º.Essa inclinação faz com que
Marte tenha quatro estações bem definidas
durante o ano, como a Terra. A diferença é que,
por causa do maior achatamento de sua órbita, o
inverno marciano é muito mais rigoroso que o
terrestre.
A
superfície do planeta vermelho é coberta de feições
que revelam terem atuado no passado processos
geológicos similares no Terra: a erosão por ação
do vento, da água e do gelo deixou "cicatrizes"
na superfície marciano que são conhecidas há
muito tempo, os famosos canais de Marte; a
atividade vulcânica criou o maior vulcão de
todo o Sistema Solar, o Monte Olimpo, atualmente
extinto.
Todos
esses pontos em comum sugerem que Marte foi no
passado muito parecido com a Terra nos dias de
hoje; as evidências mostram que o planeta que
hoje é frio e desolado, quase que desprovido de
água e atmosfera, no passado foi muito mais
quente e úmido, tendo possuído uma atmosfera
bem mais espessa que a de hoje.
Os
cientistas há muito tempo se perguntam que
processos atuaram em Marte para que se tornasse
um planeta inóspito que as ondas espaciais
fotografam no dia de hoje. Se juntarmos a esses
fatos o fragmento de rocha marciana que foi
encontrado na Antártica, com possibilidade de
conter microorganismos, ou, em outras palavras,
vida, temos o quadro completo: é preciso
aumentar nosso conhecimento sobre o planeta
vermelho!
Para
conhecer melhor nosso vizinho-irmão, novas missões
espaciais estão sendo realizadas para, a cada 26
meses, enviar uma nave a Marte. As duas mais
recentes são as missões Mars Pathfinder e Mars
Global Surveyor.
A
Mars Pathfinder foi lançada da Terra em 4 de
dezembro de 1996, carregando uma base a ser
estabelecida em Marte, e um veículo motorizado,
o Sojourner, que deveria efetuar experimentos e
tirar fotos do planeta com detalhes nunca antes
obtidos.
A
chegada da Mars Pathfinder a Marte em 4 de julho
de 1997, foi no mínimo espetacular: após todos
os procedimentos normais de aterrissagem das
naves, usando foguetes e pára-quedas para
diminuir a velocidade da queda, a Pathfinder,
envolto em um colchão de ar envolto em bolas de
quase um metro de diâmetro, atingiu o solo
marciano e saltitou 16 vezes até parar no local
desejado. E, o mais curioso: depois de todos
esses saltos, ele parou com a base voltada para o
solo!
Após
esvaziar cuidadosamente o colchão de ar, para não
contaminar a região com os gases de enchimento,
a Pathfinder abriu suas "pétalas",
estabelecendo uma base em Marte, e liberou a
Sojourner para vasculhar o território. O veículo
retirou diversas fotos do terreno, coletou
amostras de solo e de rochas, efetuou as análises
químicas no local e mandou os resultados para a
Terra, onde foram processados e interpretados.
Apesar
de ter confirmado alguns fatos que as missões
anteriores não conseguiram esclarecer com
certeza, os resultados da Mars Pathfinder não
trouxeram muitas novidades sobre Marte; o sucesso
tecnológico dessa missão porém , foi muito
maior do que se poderia esperar. A Sojourner,
projetada para operar por uma semana, operou por
quase um mês, apesar de ter ficado um tempo sem
mandar mensagens para a Terra, talvez por causa
do rigoroso inverno pelo qual estava passando a
região, com temperaturas típicas de -50ºC.
Quando
eu estava terminando esse artigo, em novembro de
97, chegou a notícia que a Mars Pathfinder foi
oficialmente encerrada há alguns dias, o que me
causou certa tristeza, devo confessar. A primeira
coisa que pensei foi: "Como será que está
Sojourner?" Quem sabe as próximas missões
não nos tragam fotos e notícias da simpática
robozinha?
Eder Cassola Molina,
Departamento de Geofísica,
Instituto Astronômico e Geofísico,
Universidade de São Paulo
Ciência Hoje das Crianças
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