O
calor que pode vir do Sol
As manchas solares são
suspeitas. Quando seu número cresce, como neste
século, a temperatura na Terra sobe.
Quase
toda a energia que utilizamos na nossa vida diária
foi produzida, originalmente, no centro do Sol.
Também o clima da Terra é fortemente
influenciado por ele. Não é nada preocupante
porque os dados geológicos indicam que, nos últimos
4 bilhões de anos, a luminosidade e a
temperatura do Sol não tiveram alterações
substanciais. Por outro lado, a teoria da evolução
estelar nos garante que, nos próximos 5 bilhões
de anos, o Sol vai se comportar sem maiores
sobressaltos.
Mas
caberia perguntar se, apesar dessa serenidade
quase perene, não poderia haver mudanças sutis
nas propriedades do astro-rei capazes de alterar
as condições climáticas na Terra. A pista para
se chegar a uma resposta pode estar nas manchas
solares. Melhor dizendo, no estudo da freqüência
com que essas nódoas escuras aparecem na superfície.
Você mesmo pode vê-las na parede de um quarto
escuro, no qual o Sol seja visível apenas por
uma fresta da janela. Depois, com um espelho, faça
a imagem dele refletir numa das paredes.
Desde
que foram descobertas por Galileu Galilei e C.
Schneider, por volta de 1610, logo após a invenção
da luneta, as manchas vêm sendo examinadas com
regularidade. Sabe-se agora que elas aumentam e
diminuem de número de onze em onze anos. Trata-se,
portanto, de um fenômeno periódico e previsível.
Mas só dá para antecipar que a quantidade vai
aumentar ou diminuir, não em que proporção.
Entre os anos 1650 e 1715, por exemplo, foram
registradas muito poucas. Foi um período chamado
"Mínimo de Maunden", que tem sido
associado ao frio que ocorreu na Europa durante
toda essa época, popularmente conhecida com a
"Pequena Idade do Gelo". Será que a
redução do número de manchas teria sido
responsável pelo resfriamento?
É
possível. Voltando a atenção para o século XX,
observa-se uma tendência inversa, a de um
aumento na quantidade de manchas solares,
comparada aos séculos anteriores. Também parece
claro que as medidas mais recentes da temperatura
na superfície da Terra registraram 0,5 grau
Celsius acima da média dos últimos séculos.
Para alguns pesquisadores isso mostra que as
oscilações das manchas têm influência sobre o
clima aqui. Outros acreditam que único responsável
é o efeito estufa, que se deve á concentração,
na atmosfera, de gás carbônico produzido pelo
homem.
Até
agora não sabemos quantificar a contribuição
do Sol, nem as conseqüências da atividade
humana sobre a variação do clima terrestre. O
que parece certo é que vai ser necessário
esperar mais tempo por uma resposta. O ideal
seria fazer medidas mais precisas, espaçadas ao
longo de vários anos, para que possamos ter uma
idéia mais clara sobre a situação.
Revista Superinteressante,
dezembro de 1998, página 95
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