Minh'Alma Fala
NADA... NADa... NAda... Nada... nada...Olho em volta de mim e não vejo nada...
A infância inteira de sonhos
Foram somente fantasias realizáveis não realizadas...
Corri atrás do mundo como quem corre atrás de nada...
Vivo neste mundo como quem não é nada...
A vida que vivi, aquela que acreditei viver, não me levou a nada.
Olho em volta do mundo e não encontro nada,... nada,... nada...
Um exemplo de menino, fui.
Estudioso na escola, fui.
Um jovem engajado e defensor das causas justas, fui.
Um adulto honesto e tributável, também fui.
Paguei e pago ainda todos os impostos que me foram impostos.
Talvez, certamente, não houvesse necessidade de ser aquilo tudo.
Pagar aquilo tudo. Fazer aquilo tudo.
Talvez, nada daquilo.
Tudo o que fiz foi agir dentro dos conformes,
Poucas vezes subverti,
A não ser em situações que o momento político exigia.
O que é absolutamente necessário fazer sempre.
Até onde cheguei? Aonde irei, daqui, não sei.
Não sei mais nada. Só sei aonde quero ir.
Sigo o algorítimo que me deram e, cada vez, me distancio do meu destino.
Talvez, tudo o que fui não tenha sido suficiente para abrir as portas
Que as fechaduras me travaram.
Não, não posso abrir as portas,
Que as fechaduras me travaram.
Tirem-me daqui desta cadeia sem celas.
Deixem-me sair desta cadeia sem celas.
Deixem-me ir sozinho por onde meu caminho se mostra a mim.
Deixem-me seguir o meu caminho que se abre para mim.
Saiam todos da minha frente.
Senão, ganho forças e a todos atropelo.
Estou, hoje, só, como quem canta perdido a música da mata.
Aquela que a cidade desconhece.
Que as indústrias não ouvem e calam,
Quando transformam essa mata em produto de exportação.
Mobília de luxo de exportação.
É o mesmo fogo que a deserta,
Este que me queima dentro o peito,
Quando arde, dentro, na floresta.
A mesma ânsia, a mesma dor, a mesma angústia,
Que me aflige ao ver seus filhos mortos,
Dizimados, um a um, seus frutos mortos.
Calem seus ruídos, lava-a-jatos do posto de gasolina da rua detrás.
Calem, ônibus velhos e desconfortáveis.
Calem, automóveis de luxo de mauricinhos e patricinhas esnobes.
Calem, mentirosos nociticiários e publicidades do rádio e da televisão.
Calem, todos. Minha alma me chama.
Minha alma, não aquela mística que vocês acreditam e eu não.
Mas aquela que me anima a viver, no mundo que é material.
A minha alma chama e tem algo a me dizer.
É dela que eu quero ouvir dentro o silêncio.
Deixem-me ouvir o silêncio da minha alma,
Que tem algo importante a me dizer.
Calem, todos...
O telefone tocou...
Ouçam, o telefone de dentro de mim tocou...
É ela, a minha alma que me chama.
Não façam mais ruído algum.
Quero ouvir o seu silêncio.