Descobrindo o CJ-4 O Elo Perdido da Lenda
por Jim Allen (traduzido por Paulo Fragoso)
Traduzido da revista Jp Magazine
O inicio dos anos cinquenta foi exelente para a Willys. Os pequenos CJ-2As e CJ-3As estavam vendendo como bolo quente. O M-38, um CJ-3A militarizado, também estava sendo produzido em grande escala, mas a Willys já estava trabalhando em uma melhoria para as forças armadas sob o codigo 6600. Esse projeto daria origem ao M-38A1 em 1952 (CJ-5 modelo militar) e ao CJ-5 em 1954 sendo lançado como Modelo 1955.
Um dos pontos chave para esse novo desenho foi o novo motor. O F-head (não cofundir com flahead) de 134 polegadas cúbicas (aproximadamente 2.150 litros) quatro cilindros e conhecido também como "Hurricane". O antigo "Go-devil" de 60hp flathead (válvulas no bloco) ainda poderia ser vendido por mais uma década, mas o seu potêncial de melhorias era limitado. O novo F-head usava muitas das peças do flathead, mas a diferença estava que as válvulas de admição foram transferidas para um novo cabeçote para proporcionar uma melhor "respiração" .Existiam duas verções, uma de baixa taxa de compreção (6.9:1) que rendia 70hp enquanto a de alta compreção (7.4:1) rendia 75hp. O único problema com esse novo motor foi que ele era muito "alto" para o estilo capô baixo do CJ-3A.
Você sabe como o problema foi resolvido, resultando em duas novas produçoes da Willys. O M-38A1/CJ-5 possui uma carroceria mais arredondada com um capô alto o suficiente para comportar o novo motor e uma distância entre-eixos maior de 81 polegadas. Já o CJ-3B (conhecido no Brasil como cara de cavalo) ganhou um "emplante" de capô que aumentou o suficiente para liberar espaço para o motor. O protótipo Cj-4 combinou o visual do CJ-5 com o desenho de para- lamas retos do CJ-3B. Na parte mecânica, o CJ-4 é bastante semelhante ao M-38 e ao CJ-3B. E foi provavelmente o primeiro Jeep a receber o F-head de quatro cilindros. Ele divide as mesmas 81 polegadas de entre-eixos do M-38A1, o mesmo motor, a mesma caixa de marchas (T-90 de três velocidades), caixa de transferência Warn/Spicer 18, diferencial dianteiro Dana 25 e traseiro Dana 44. A suspenção também usa jumelos na frente dos feixes de molas, ao invés de jumelos inversos utilizados nos modelos militares (disposição de fábrica que foi utilizada em todos os CJ-5 brasileiros).
A carroceria do CJ-4 lembra a de um CJ-3A até o ponto onde ela fica estreita nos para-lamas. Nesse ponto, a linha do para-lama continua reta e resulta no formato único que recebeu somente no CJ-4. A posição do "Willys" escrito no capô também é incomum. O quadro de parabrisas é quase idêntico ao do CJ-3B. O CJ-4 foi originalmente pintado de verde oliva brilhante e o estep montado na traseira direita. E voi-la estava pronto o CJ do dia.
De acordo com o expecialista em Jeep e conservador do Jeep House Museum, Rom Symanski, a qualidade de construção de um protótipo é muito maior que a de carros normais. Ele supõe que ou a Willys tinha sérios planos para o CJ-4 e investiu um pouco mais de tempo e dinheiro, ou ele foi construido na Alemanha, onde a Willys tinha vários protótipos construidos ao longo dos anos porque a mão-de-obra era mais barata.
Foram encontradas fotos de época do CJ-4 que mostram ele com o número "X-151" pintado no para-choques. No código da Willys, o "X" servia para designar experimental, o "1" era para veículo número de série 01, e o "51" significava o ano. A informação pode estar enterrada em algum lugar, mas ninguem vivo parece saber muito sobre a história desse modelo de transição.
O CJ-4 foi testado e obviamentte rejeitado a favor de outras idéias. Oque acabou com a utilidade do CJ-4 para a compania. A maior parte dos protótipos eram sucateados, no entanto o CJ-4 escapou da destruição pelos esforços do Chefe de Engenharia de Chassi da Willys/Kaiser de 1955 a 1965, Miguel Ordorica. Ele tinha autoridade suficiente para evitar a execução do Jeep, e acabou comprando o veiculo em 1955.
A família Ordorica acabou mudando-se para uma nova casanos subúrbios de Toledo, que era um lugar acidentado, e o Sr. Ordorica logo descobriu que ele precisava de um veículo de trabalho. O CJ-4 gastou seus próximos 22 anos na obscuridade, abrindo caminho na neve, arrastando troncos, empurrando madeira entre outros. Ele nunca deixou a casa, e rodou somente aproximadamente 1.400 milhas, mais um monte de mossas e encardidos. Um guincho Ramsey e um limpa neve foram adicionados.
O Sr.Ordorica vendeu-o em 1967, e o CJ foi mais tarde vendido novamente. O comprador deixou o Jeep em seu celeiro esperando restaura-lo.
Uma mistura de Hot-Rod e um clássico, ele tém ficado no limbo por todos esses anos. Você pode chamar o CJ-4 como o elo perdido entre os Jeep de para-lama reto e os de para-lama redondo. Quem sabe? A visão deste veiculo pode acabar em décadas de chacotas entre os donos de Jeeps dos dois tipos... mas não conte com isso!
Artigo retirado da Revista Jp Magazine, Junho-Julho 1997 e traduzido por Paulo Fragoso www.garajeep.cjb.net - 20 de setembro de 2000