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Vacinas

     A imprensa destacou nos últimos meses as campanhas de vacinação contra gripe visando os cidadãos com idade superior a 65 anos. Essas campanhas foram promovidas pelo governo federal e pela prefeitura de São Paulo porque as gripes são doenças que podem precipitar a ocorrência de graves pneumonias causadas por bactérias oportunistas. O vírus da gripe inibe o movimento ciliar das células do epitélio respiratório que forra internamente a traquéia e demais passagens respiratórias de menor calibre. Os cílios geralmente movimentam um tapete deslizante de muco que captura as bactérias e as envia para fora da traquéia, assim nos defendendo das pneumonias. Sem esse movimento, fica muito fácil uma bactéria invadir nosso sistema respiratório e fazer aquela festa.

     A vacina é um caso típico de imunidade ativa artificialmente adquirida. Induz a formação de anticorpos específicos e a resposta mediada por células fagocitárias do sistema imunológico. A vacina difere do soro, que contém anticorpos já formados, e representa um caso típico de imunidade passiva artificialmente adquirida.

     Há até somente alguns anos, os cientistas afirmavam ser inviável realizar vacinação em massa contra a gripe em virtude da grande capacidade de mutação genética do vírus influenza, causador da doença. Mas, posteriormente, com maiores estudos, descobriram que era possível fazer um coquetel contendo até vinte tipos diferentes desse vírus danado e cercando quase todas as possibilidades de prevenção.

     Claro que o vírus da gripe continua com seu alto grau de mutagenicidade, mas submetendo a população já vacinada a uma revacinação anual para "atualizar" o repertório do sistema imunológico dessas pessoas, o risco de contrair uma gripe diminui sensivelmente.

      É muito parecido com o software antivírus que usamos em nossos computadores: precisamos atualizar quinzenalmente a definição do banco de dados dos vírus para continuarmos protegidos dos ataques dos mais recentes tipos de código malicioso.

       Outro "toque": se perguntarem no vestibular porque milhões de frangos foram sacrificados no ano passado em Hong Kong, você deverá responder que foi para evitar que uma epidemia de gripe nessas aves atingissem humanos, o que poderia provocar uma devastadora epidemia mundial ( = pandemia) de um novo tipo de gripe.

      O vírus da gripe galinácea pode infectar seres humanos, principalmente se houver porcos como intermediários. O porco infecta-se tanto com o vírus humano como com o vírus aviário, servindo de ponte de transmissão entre o ser humano e os frangos e sendo o próprio animal (o porco) atingido pela gripe também.

     Grande parte das epidemias de gripe originam-se de regiões densamente habitadas como o leste da China. Nesse canto do mundo, o hábito difundido de criar porcos e aves em estreito contato com humanos, bem como o próprio adensamento populacional e o grande número de habitantes, facilitam o início de epidemias de gripe.

      Regiões envolvidas em guerras também servem de caldo de cultura para a gripe porque as pessoas atingidas pela conflagração alimentam-se mal e têm uma significativa redução do nível de defesa imunológica de seus corpos. Um dos temores do recente conflito na Iugoslávia era o de que os pobres refugiados kosovares pudessem ser afetados por doenças epidêmicas como cólera, tifo, hepatite A, tuberculose, e, claro, não poderia deixar de ser, a nossa "amiga" gripe... Mas, felizmente, nada aconteceu nesse sentido.

 

 

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