2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO - UMA PÁGINA DA NECROSE

2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (2001 - A Space Odyssey)
Com: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester, Daniel Richter, Douglas Rain, Leonard Rossiter.
1968, 139 Minutos, Direção: Stanley Kubrick.
Cotação:

2001 - Uma Odisséia no Espaço

Amigo da Lua David Bowman

Discovery

Monolito na cratera Lunar de Tycho O Filho das Estrelas

A Aurora do Homem

Grandes organizações mundialmente famosas, como a NASA, GE, PAN-AM, IBM e outras cooperaram com o produtor a fazer um filme que seria um esboço realístico de um mundo a 30 anos do futuro. Visto que "um esboço realístico" seria apenas mais uma dessas velhas tolices e alguns pensaram: "Kubrick, você também?". Mas sucede que aquele diretor barbudo é algo muito mais do que se havia imaginado...
A primeira sequência do filme foi uma surpresa. Esperava-se ver, em miniaturas, uma cidade do século 21, e em lugar disso vimos macacos! Esses macacos encontram um monolito fincado na terra. Cheios de curiosidade eles o tocam, mas não sabem do que se trata. Mais tarde, porém, um dos macacos (Amigo da Lua) aprende a usar os ossos de quadrúpede para matar inimigos e caçar. Esta "invenção" de uma arma ou instrumento parece fortuita, mas a platéia pôde ver que o monolito tinha alguma coisa a ver com o ocorrido.
O monolito seria um sinal de Deus ou teria sido feito por alguém do espaço infinito? Parece conter uma mensagem, parece ser um observador, uma sentinela*.
O macaco aprendeu a usar o osso e em comemoração, atira-o ao ar. A "camera" mostra o osso solto graciosamente no ar, em movimento lento. Repentinamente isso se dissolve em um veículo espacial em direção a uma estação orbital. Essa mudança de cena é maravilhosa!
Homo sapiens, que evoluiu do macaco, que aprendeu a usar um osso como uma arma, viaja agora no espaço. E agora o instrumento feito pelo homem não é seu servo, mas seu senhor. A nave especial "Discovery" com destino a Júpiter, é controlada por uma AI (Inteligência Artificial) chamada "HAL 9000" que é reponsável pela vida de seus tripulantes. Este computador é um símbolo da mais avançada tecnologia humana e é uma paródia do próprio homem se tornando instrumento.

De certo modo, a moral e o meio de vida do homem não mudaram muito em face ao presente. O filme mostra um equilíbrio de forças no planeta mesmo a 30 anos de quando foi feito.
Quando o monolito é achado na cratera Lunar de Tycho o diretor mostra-se sarcástico ao mostrar os cientistas em trajes espaciais examinando o monolito como os macacos, sem a menor idéia do seu significado. A única diferença entre eles e os macacos é que eles conseguem descobrir que o monolito emite sinais para Jupiter.
Somente Hal sabe que o objetico real da "Discovery" é averiguar para quem ou para que os sinais são emitidos. O computador tenta sujestionar o comandante David Bowman quanto ao objetivo da missão, mas este entende que está sendo manipulado pelo computador. Hal 9000 é capaz de panser, ler os lábios e jogar xadrez sabiamente, mas o segredo que somente ele conhece afeta sua capacidade de "pensar" e finalmente fica "louco". Este episódio indica a tragédia da humanidade que desenvolveu a sabedoria apenas pelo lado científico.
O comandante intervém no computador "louco". Nesta sequência o "complexo de Frankenstein" está excelentemente apresentado. Quando o comandante, agora ciente dos objetivos da missão, aproxima-se de Jupiter de seus satélites, vê um gigantesco monolito no espaço. O frio, negro e retangular objeto, que contrasta com o esférico Jupiter, de modo impressionante nos mostra a existência de uma misteriosa sabedoria além da nossa compreensão.
Aqui ocorre a segunda grande mudança. Uma pequena nave espacial megulha em direção a um "epaço paralelo". Acelera-se através de luzes multicores e voa ao encontro do espaço extra-galático. Então a cena se transforma e o tempo e espaço entram em caos. A jornada atinge seu ponto capital. Estas cenas são mostradas de tal modo realista que chegam a chocar. O comandante se recolhe ao seu subconciente e seu corpo "material" atinge seu limite e o monolito aparece em sua mente. Através de suas revelações ele se liberta de uma existência mundana e é transformado no primeiro ser dotado de um Conhecimento Universal. Esse embrião, o "Filho das Estrelas", guarda dentro de si a chave para o Universo e se transforma em um embaixador da humanidade perante uma sabedoria infinita.
A idéia de Arthur Clarke mostra que a humanidade tem uma importância secundária quando comparada com a misteriosa vastidão do Universo. Se a humanidade reconhece suas limitações e se esforça para existir em um plano "mais elevado", terá que abandonar o mundo material. O monolito que aparece quatro vezes é um marco posto em posição representando as fases evolutivas do homem. Ela serve como uma espécie de guia e pode-se assemelhar com a Tábua do Dez Mandamentos recebidas por Moisés no Monte Sinai.
De certo modo, é um filme teológico, porque o diretor apresenta de frente uma concepção de "Deus para os humanos" para marcar a diferença entra os pequenos esforços da humanidade e a insondável vastidão do Universo.
Em outras palavras: o filme é muito mais do que apenas um filme.
David no Além do Infinito

Frank, Hall e Dave

Centro Nervoso de Hal-9000

Setor 2

A Viagem pelo Tempo e Espaço


Bom dia Dave! Gostaria de uma partida de Xadrez?

*** O Filme é baseado em um conto de Arthur C. Clarke de 1948 chamado "A Sentinela"

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