Bem pessoais, aí vai o relatório da tentativa de atravessar a
Estrada do Inferno.
(11-AGO-2001)
No sábado pela manhã, eu e Elektra chegamos ao Laçador às 7:30, conforme combinado. Encontramos o Zagonel ainda na saída de São Leo (por acaso), que nos acompanhou até POA.
Mr. Bob Man chegou ao posto um pouco antes das 8 horas e comunicou que precisaria passar ainda no Banco de Zóio pra resolver problemas de trabalho.
Os Jaspions e Mulambos pegaram a estrada em direção a Rio Grande pelas 8:10 e eu fiquei esperando o Bob.
Saímos do laçador às 8:50 pela Free-way, RS-118, RS-040 e finalmente RST-101, passando por Viamão - Capivari do Sul - Bacupari - Mostardas.
Paramos em Mostardas para abastecer depois de 210 km direto.
Ao sair do posto, peguei a Super Teneré pra sentir como é uma big trail e o Bob se mandou na frente com a Falcon. Engatei a 1ª, 2ª, 3ª e, quando ia mudar pra 4ª marcha, senti uns trancos na moto ....... quando parou, tentei retomar a aceleração e a moto subia de giro mas não tracionava. Encostei a moto e o Bob, que já estava lá longe, voltou pensando que eu já queria destrocar as motos....
Bem, a diaba da corrente da moto saltou fora e, quando trancou entre a coroa e a balança arrebentou em vários pontos e torceu diversos elos.
Por sorte havia um mecânico de motos em Mostardas que rebocou a Teneré num reboque improvisado em um triciclo (quando as fotos estiverem reveladas mando pra lista). Resolvemos fumar um charuto pra passar o tempo. Aproveitamos para almoçar e acabamos saindo de lá com uma corrente nova em direção à Est. do Inferno às 14:30.
Mais 60 km de asfalto e chegamos até a dita....
Um areião só. Imaginem vocês uma duna de aprox. 4 m de altura e 8 de largura e 70 km de comprimento com trilhos feitos por caminhões no topo e areia muito fofa... Pois é, essa é a tal Est. do Inferno.
Bem, 500m adiante eu já havia levado 3 tombos (de leve) e estava ofegante. O Bob já estava com cãibras nas pernas. Até que a Teneré atolou de vez, encostou o motor na areia e não saiu mais.
Nisto vimos passar um cara (vejam só que vergonha), sentando o sarrafo numa CG 125..... e nós ali com duas gigantes do off-road encalhados...
Paramos o cara e, seguindo as dicas dele resolvemos tentar um desvio para ir até São José do Norte pela praia, já que a areia endurecida pela água do mar facilitaria as coisas pra nós.
Pra completar a indiada, nos perdemos no acesso até o mar e acabamos parando numa fazenda, onde nos deram novas indicações de como chegar até o acesso.
Neste ponto já eram 15:45 e achamos que seria mais sensato desistirmos do que seguir viagem e arriscar ter que dormir na beira da praia, fosse por problemas mecânicos, por estar perdido ou por falta de gasolina (depois que voltamos à Mostardas notamos que faltaria gasolina na Teneré, que o Bob não tinha abastecido até a boca pra não ficar mais pesada).
Voltamos à POA depois de 600 km rodados e já cansados de um dia inteiro na moto. Valeu a experiência e ficou a lembrança de que temos que estar melhor preparados pra enfrentar a areia, pois não é fácil.
Me lembro do que o "pai" Marcão (como diria o Daniel) nos disse na semana passada, quando ele parece que adivinhou o que ia acontecer: "A estrada é de areia com argila e só dá pra moto leve!"...
Até me arrisco a uma correção: dá pra moto pesada também, mas o piloto tem que estar acostumado a andar na areia (tem que ser muito braço!!), tem que acelerar fundo, ter um bom preparo físico e estar consciente que a queda é inevitável... porque, como diria o Bob, "a moto foi feita pra cair... é só tirar o pezinho dela pra ver!"
Ficou aquela sensação de derrota, mas, o Inferno que nos aguarde. A primeira batalha a estrada nos venceu de barbada e agora é hora de se preparar para a revanche! Vamos fazer tremer aquelas areias com os roncos dos motores 2 tempos!!!! hehe
No domingo, pra não deixar a querida Elektricaótica voltar sozinha de Rio Grande, me debandei pra lá pela BR-116, saindo de São Leo às 6:00 da matina e chegando lá às 9:45. Parei uma única vez no posto Coqueiro em São Lourenço do Sul. Boa viagem, muito tranqüila, porém com muita neblina até o ponto da parada.
O parceiro Bob saiu de POA às 8:00 e foi até Pelotas almoçar com os pais. Quando passamos por Pelotas na volta ele nos acompanhou por alguns km com sua XX.
O relatório da volta de Rio Grande vai ser emitido pela Diretora Dona Cuecão de Couro.
Até mais.
Alazoom
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Não gosto de falar isto, mas:
EU BEM QUE AVISEI, A TEMPO!!!
Pavimento de areia é para motos muito leves, ou pilotos muito experientes. ( Entenda-se como experiência, uma grande quantidade de fraturas e pinos de platina )
Tem que andar o tempo todo em pé e acelerando bastante. Se chegar ao destino, prepare-se para trocar a relação. A areia é implacável com peças móveis.
A moto escolherá o caminho. Ao piloto, cabe acelerar e rezar.
Para seguir pela praia, precisa cruzar a Lagoa do Peixe, em Tavares ( 50cm de lâmina d'água ). Se a Barra do Peixe estiver aberta, acabou o passeio.
Acontece que nesta região, a faixa de areia, na praia é muito estreita. Com a maré alta, o mar atinge os cômoros, inviabilizando o tráfego e retendo os viajantes, às vezes, por vários dias. O local é ermo e só se vê gaivotas e muito lixo na areia.
A Faixa de areia entre as Lagoas e o mar é muito estreita e existem poucos pontos de travessia. Ou seja, prisão a céu aberto. Há, ainda os temidos "olhos de boi", capazes de afundar um carro, até a capota, em poucos minutos.
Há compensações: A oportunidade de encontrar um bando de pingüins, em uma parada de descanso.Uma, ou outra tartaruga-marinha-gigante, e até mesmo, visualizar alguma baleia. Existe uma infinidade de navios encalhados na praia e infelizmente, muito, mas muito lixo. Todo aquele que é jogado nas praias do Litoral Norte, é devolvido pelo mar, nesta região.
Resumindo: Da próxima vez, vá de Jeep e esteja disposto a perdê-lo.
Abraços
Marco
The emmuitasfriasjámemeti man