Penso! Logo existo ou logo desisto?

Penso!

Penso, logo existo ou Penso e logo desisto?

O filósofo René Descartes, um dos pais da filosofia moderna, baseou seu sistema filosófico, ainda no século 17, nesta frase: "Penso, logo existo".

Muito mais do que existir fisicamente, de corpo presente, o filósofo pensava na existência de uma alma que distingue o homem do animal.

Pode parecer complicado, mas na verdade é até bem simples: o que nos garante que realmente existimos? Quem pode ter certeza de que nós não passamos do sonho de uma lontra, como pensava minha amiga Bia? Qual a diferença entre um sonho e a vida real?

Para Descartes, o que prova que nós existimos mesmo é o fato de pensarmos. Bem, agora talvez isso pareça óbvio. Mas tem gente hoje em dia que parece que se nega a existir.

Para muita gente, a máxima é "Penso e logo desisto". Afinal, pensar dá uma preguiça... Ler, então, nem se fala.

É como se fôssemos como o Jeca Tatu, que ficava o dia inteiro de papo pro ar e não sabia o que fazer pra sair do mundinho em que vivia. Só que o Jeca tinha verminose e desnutrição. Então ele tomou Biotônico Fontoura e ficou forte, deu Biotônico pras galinhas e até elas criaram muque.

Nós, estudantes de Design, não temos verminose e muito menos desnutrição. Nossa fraqueza é totalmente mental.

Que raio de Biotônico poderia fazer a galera sair desse marasmo? Como várias pessoas já disseram, a era atual é a da informação. Um excesso de informação que precisa ser garimpado, do contrário acaba não servindo para nada.

Para que se encontre alguma ordem nesse caos, é obrigatório que cada um saiba o que está procurando e tenha objetivos claros a perseguir.

Isso, porém, não é um dom divino ou uma marca de nascença. É fruto de muita reflexão, de conversas, leituras. Nessa confusão informativa de hoje, é preciso trabalhar em grupo, trocar idéias, experiências e não se isolar num mundo virtual, onde a aparente montanha de informações acaba se transformando em uma avalanche que sufoca e impede a gente de sair do lugar.

Aparentemente, todo mundo está ligado nessa tecnologia e não enxerga futuro sem computador, nem Internet. Mas não é possível extrair coisas importantes para a nossa vida sem levar em conta o conhecimento que já foi acumulado.

Afinal, quem somos nós para desprezar tudo o que já foi pesquisado até agora? Por que todo mundo aceita a evolução da ciência e da tecnologia e tenta esquecer a evolução do pensamento, da arte? Como é possível separar as duas coisas?

E quando lembramos que pretendemos trabalhar com o Design, uma arte aplicada, que exige conhecimentos de ambos os lados, precisamos perguntar de novo que tônico milagroso pode dar jeito nessa preguiça mental que sofremos.

Mais do que ninguém, precisamos extrair do mundo as referências para o nosso trabalho. E utilizar referências exige reflexão, porque senão vira cópia.

É como uma digestão mental, que exige muita mastigação e enzimas poderosas, pois do contrário pode levar a uma forte indigestão.
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lizandra magon de almeida
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