| Praia Grande s/nº - Canto da Vó Maria - Ilha do
Mel Paranaguá - PR - Brasil - Fone: (41) 426-8116 / 9601-6998 / 9603-4103 |
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Histórico da Ilha
A
Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA) promove a
conscientização ambiental dos turistas, como orientar acampamentos em locais
apropriados, dar uma correta destinação ao lixo e o respeito à fauna e à flora;
oferece ainda um posto de informação turística, venda antecipada de passagens, centro
comercial com lojas, lanchonetes, praça de alimentação e sanitários, além de ter
estabelecido um limite máximo de 5.000 pessoas por dia visitando a Ilha do Mel para
ajudar a proteger e preservar a vegetação nativa, evitar a degradação ambiental da
Ilha e garantir segurança e higiene aos visitantes.
O período mais movimentado de visitação à Ilha do Mel
vai de dezembro ao final de março, fora desta temporada a Ilha é mais calma e tranquila.
A Ilha do Mel situa-se no litoral do Paraná, entre o Pontal
do Paraná e a Ilha das Peças, subdividindo a barra da Baía de Paranaguá em dois
setores, representados pelos canais Norte e da Galheta. Seu relevo é constituído por
vasta planície de restinga ao Norte e vários morros de altitude variável ligados por
formações arenosas ao Sul. A Ilha do Mel faz parte de um Patrimônio Ecológico,
Artístico e Histórico do Paraná, sob a lei nº 56/1975, objetivando preservar a flora,
a fauna, os aspectos cênicos, históricos, arquitetônicos e arqueológicos, sendo
administrada pelo SEMA desde 1982. Ocupa uma área de 27,6 km2, sendo que 2.710 hectares
são áreas de preservação ambiental, compostos por ecossistemas de restinga e Floresta
Atlântica. Isto fez com que a Ilha do Mel, em 1982, chegasse à categoria de Estação
Ecológica, pois possui uma das últimas áreas remanescentes de Mata Atlântica do
Estado.
Existem três versões sobre a origem do nome Ilha do Mel:
Antes da 2ª Guerra Mundial a Ilha era conhecida coma
a Ilha do Almirante Mehl que se dedicava à apicultura;
Marinheiros aposentados que viviam na Ilha e
dedicavam-se à apicultura produziram uma grande quantidade de mel, suficiente para a
exportação do produto até a década de 60;
A água doce existente na Ilha contem ácidos
húmicos, que causam uma coloração amarela semelhante à cor de favos de mel.
Oficialmente, até o final do século XIX, a Ilha foi
chamada de Ilha da Baleia.
Além de belas paisagens, a Ilha do Mel possui construções
históricas que foram muito importantes no século XVIII.
As primeiras referências históricas sobre a Ilha do Mel
estão relacionadas à construção da Fortaleza da Barra de Paranaguá, construída por
ordem da Coroa Portuguesa a fim de proteger a entrada da Barra.
Com a anulação do Tratado de Madrid em 1750, por ocasião
da Guerra entre Portugal e Espanha, foram necessárias várias providências da Coroa
Portuguesa para proteger seu território na América. Uma delas foi a construção da
Fortaleza da Barra de Paranaguá, na Ilha do Mel, que teve início em 1767 e foi
concluída em 23 de abril 1769, recebendo o nome de Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres.
Está localizada numa ponta do rochedo à beira-mar, no princípio do Saco das Conchas,
fronteira com a Ilha das Peças em frente ao Canal da grande Barra do Norte.
Construída por ordem do rei de Portugal, foi inaugurada com
as primeiras salvas dos seus 12 canhões assentados no terrapleno. Seu objetivo não era
somente proteger a Baía de Paranaguá de naus estrangeiras que entravam na Barra de
Paranaguá, mas proteger todo o país, uma vez que em Paranaguá fica um dos principais
portos do Brasil. Foi destacado um batalhão para a administração da Fortaleza, que
passou a residir lá.
A Fortaleza foi o único estabelecimento militar do Paraná no
Século XVIII, e o primeiro forte do Brasil a entrar em combate.
A história registra várias ocasiões em que o Forte entrou
em ação para proteger a entrada da Barra. O caso mais citado aconteceu em 1850, o
"Combate Cormorant", que marca a história de Paranaguá. Um navio inglês
chamado "Cormoran" invadiu a Baía de Paranaguá e aprisionou três
embarcações nacionais em decorrência do tráfico ilícito de escravos, originando
então esta batalha.
Durante a 2ª Guerra Mundial, para reforçar a defesa, foi
instalado um complexo em forma de labirinto (Mirante) no Morro da Baleia que fica acima da
Fortaleza.
Em 1938 a Fortaleza foi tombada pelo Patrimônio Histórico
Nacional para preservar seus aspectos culturais e arquitetônicos e restaurada a partir de
1990.
Na extremidade leste da Ilha, localizado no Morro das Conchas, está a paisagem que identifica a Ilha do Mel, o Farol das Conchas.
Ele foi construído pelo engenheiro Zózimo Barroso, da firma P. e W. Mademan de Glasgow - Escócia, em 1870, por ordem de Dom Pedro I, sob a orientação do Barão de Cotegipe então Ministro da Marinha. Com seus 18 metros de altura, o Farol das Conchas eleva-se a cerca de 60 metros do nível do mar e, a sua luz alcança aproximadamente 20 milhas.
Foi inaugurado em 25 de março de 1872, e até hoje cumpre seu papel de orientar os navegantes da Baía de Paranaguá, sendo um dos melhores faróis-ilha de toda costa brasileira. Possui uma escada de ferro, cristais e espelhos, os mesmos que vieram da Escócia. Somente o que mudou foi o sistema de iluminação por um mais moderno.
Na extremidade Norte da Ilha, está situado o Mirante do Cassual. Construção iniciada em 1904 e concluída em 1917, prestando inestimável auxílio a navegação pelo canal de acesso Norte.
A Gruta Encantadas está situada na parte meridional da Ilha do Mel. Com cerca de 30 metros de profundidade, dizem as lendas e as estórias que lindas mulheres ali habitavam e com seu canto doce encantavam a todos que dela se aproximavam.
Como relatou o poeta Alberto Cardoso:
"Era uma vez...
Dois olhos marinheiros
entre o fluxo e o refluxo
na paisagem retrataram:
Ao clarão de um relâmpago
numa gruta se escondiam
as mais lindas sereias
O mar com sua força bruta
pelas gretas penetrou
e aquelas virgens belas
num só coito violentou
Houve um silêncio profundo...
e as nereidas possuídas
os olhos cheios de amores
cantaram suaves cantigas
encantando os viajores
Como todas as estórias
depois do que se passou
Gruta das Encantadas
essa gruta se chamou"Durante dois séculos, a dificuldade de acesso restringiu muito o fluxo de pessoas à Ilha do Mel. Em 1920, a Ilha do Mel é o primeiro recanto turístico do Estado do Paraná e inicia sua fase turística. Naquela época, os barcos que saiam de Paranaguá atracavam próximo ao Forte.
Em 1926, foi inaugurada pelo Estado do Paraná, a Estrada das Praias, iniciando uma fase de decadência que se prolongou com a 2ª Guerra Mundial. Os nativos da Ilha continuaram vivendo de sua atividade típica, a pesca artesanal.
Apenas no final da década de 70 recomeça o movimento turístico na Ilha do Mel. Em 1988, a Ilha do Mel ainda não dispunha de energia elétrica, água encanada, transporte regular e outros atendimentos.
Hoje, a Ilha do Mel com seus 570 moradores fixos é formada por 4 vilarejos.
A venda de terrenos na Ilha do Mel é proibida. Os nativos da Ilha têm direito à posse de uma área, na qual só podem construir casas de madeira. As pousadas e restaurantes são todos rústicos e modestos, além dos mini-campings com sanitários, churrasqueiras e guaritas.
A Ilha do Mel não tem ruas, somente trilhas. Os trajetos que a Ilha oferece são feitos a pé ou com bicicletas alugadas nos vilarejos da própria Ilha.
A Ilha do Mel, em formato de número oito, está sendo dividida em duas devido a um processo de erosão e por isto muitas casas já foram perdidas.
Restam apenas 4 metros dos 153 metros da faixa de terra que existia na porção mais estreita da ilha, onde fica a Praia de Nova Brasília. Quando a maré sobe muito, esta faixa deixa de existir, dividindo a Ilha do Mel em duas, como ocorreu em maio de 1996.
Fotografias aéreas e documentos com medições comprovam a diminuição do istmo (faixa de terra). A primeira medição, feita em 1954, mostra que o istmo tinha 153 metros de largura, degradando para 85 metros em 1980, 55 metros em 1985, 32 metros em maio de 1991 e 12 metros em maio de 1992. Segundo os geólogos, esta separação será inevitável e não há como prever quando ela irá ocorrer.
Dizem que este fenômeno já ocorreu na Praia das Conchas, do lado oposto da Ilha. O mar invadiu a areia e derrubou casas, formando depois a praia mais bonita da Ilha.
Segundo grande parte dos nativos da Ilha, uma lenda explica esta separação: o mar fica bravo porque lhe tomaram um pedaço dele, então ele quer tudo de volta.