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Prosperidade
       
       
     
     

 

 

Bases sólidas para a verdadeira prosperidade
Lucas 5:1-11

Introdução

Vivemos dias nos quais o assunto "prosperidade" encontra uma grande difusão no meio da Igreja. Contra ou a favor, quase todos têm uma opinião a expressar. Dentre os que crêem nas promessas bíblicas de prosperidade, há também uma vasta gama de pontos de vista, variando de posições "extremadas" a "equilibradas".

Evidentemente, muito do que atualmente é considerado "prosperidade" não o é aos olhos de Deus. As Escrituras nos dizem algo interessante em Gênesis 39:23 sobre José: "porquanto o Senhor era com ele, e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava". Note que, nesse tempo, José estava na cadeia. Para muitos, é incompreensível como uma pessoa presa pode ser próspera, mas evidentemente isso é possível aos olhos de Deus!

Deus deseja fazer prosperar o Seu povo do ponto de vista financeiro. Não vamos tomar tempo para provar essa declaração, mas temos consciência de que esse é o ensino inequívoco das Escrituras. Nosso desejo hoje é, com base no texto bíblico supra, descobrirmos alguns princípios que, ao nosso ver, são muito pertinentes neste tempo.

Jesus testou o compromisso de Pedro

Em Lucas 5:3, lemos: "Entrando em um dos barcos, que era o de Simão Pedro, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-se, ensinava do barco às multidões". O detalhe é que, de acordo com o versículo 2, "os pescadores, havendo desembarcado, lavavam as redes". Jesus interrompeu Pedro bem no meio de seu dia de trabalho, e pediu a ele que parasse o que estava fazendo para atender aos interesses do Reino de Deus.

É uma ilusão crermos que o Senhor nos dará prosperidade financeira, a menos que nosso compromisso com o Reino de Deus esteja claramente definido. A razão pela qual o Senhor deseja ver Seus filhos prósperos, é porque faz parte da Sua estratégia para o estabelecimento do Reino. Dessa forma, primeiramente o Senhor precisa saber se somos confiáveis; se Ele, afinal de contas, pode nos confiar essa prosperidade!

O versículo 4 nos diz: "Quando acabou de falar, disse a Simão...". Os interesses do Reino vêm antes dos nossos! Talvez você tenha falado muito a Deus, ultimamente, acerca dos seus problemas; mas, quanto tempo você tem dado a Deus para que Ele fale a você acerca dos problemas dEle?

Quando Jesus viu o compromisso de Pedro, manifesto no seu agir concreto (porque esta é a única maneira de externarmos nosso compromisso com o Senhor), então os problemas de Pedro se tornaram os de Jesus.

Pedro tinha um claro entendimento da posição de autoridade ocupada por Jesus

Após terminar de ministrar, Jesus voltou-se para o problema de Pedro: a pesca, durante toda a noite, fora infrutífera. Com toda a naturalidade (embora não fosse sua "área de atuação", pois Jesus, do ponto de vista natural, entendia de carpintaria, e não de pescaria), Jesus passou a dizer-lhe quais os passos a tomar: "Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar".

Há algo muito interessante na resposta de Pedro, registrada no versículo 5: "Respondeu-lhe Simão: Mestre...". A palavra empregada por Pedro, de acordo com o original grego, é epístata (única ocorrência no grego do Novo Testamento), que tem o sentido de "alguém com direito de mandar". Este detalhe é importante para compreendermos toda a atitude de Pedro. Sua declaração no versículo 5: "...mas sobre a tua palavra lançarei as redes", deve ser entendida dentro do seu entendimento quanto à autoridade que Jesus tinha para mandar. Assim, além de crer, Pedro estava agindo em obediência a uma palavra dita por Alguém que tinha autoridade para dar ordens.

Somente com esta compreensão podemos entender como Pedro, um pescador experimentado, se submeteu a receber uma ordem absurda (do ponto de vista natural) de alguém que não entendia (naturalmente) de pesca. O horário apropriado para pescar era à noite; durante toda a noite nada havia sido apanhado. E de repente, em plena manhã, um homem cujo único background profissional era o da carpintaria diz a Pedro para voltar ao mar. A ordem era absurda, o conselho era despropositado, do ponto de vista natural. Mas Pedro obedeceu, porque sabia que Jesus, de Quem a ordem partira, podia ordenar.

O mundo espiritual se pauta por regras totalmente diferentes das que vigoram no mundo natural. A Bíblia nos ensina extensamente, por exemplo, acerca do dar. Pode parecer um contrasenso, para um empresário em dificuldades financeiras, obedecer à palavra do Senhor em Mateus 5:42: "Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes". Mas a questão aqui é: o Senhor tem ou não autoridade para nos pedir o que quiser, ou exigir de nós o que quiser? Você pode, como Pedro, considerar o Senhor como "Aquele que tem autoridade para mandar"?

Se você recebe uma palavra do Senhor, através das Escrituras, ou através dos seus líderes, incentivando você a que perdoe determinada dívida ou demanda (veja Mateus 5:40), qual é a sua atitude? De obediência e fé (porque as duas estão intimamente relacionadas; em Lucas 5 Pedro obedeceu e creu), ou de rebeldia e incredulidade?

O Senhor Jesus tem autoridade em sua vida para pedir o que quiser? Ou somente você tem autoridade para pedir coisas ao Senhor?

Pedro estava aberto para deixar

O restante do texto descreve o milagre ocorrido na pesca abundante, e a reação de Pedro e dos que estavam com ele. No entanto, Jesus não termina antes de deixar mais uma palavra com Pedro, registrada no versículo 10: "Não temas: doravante serás pescador de homens". E o versículo 11 relata a resposta de Pedro e de seus sócios: "E, arrastando eles os barcos sobre a praia, deixando tudo, o seguiram".

Aqui temos algo difícil de entender, se encarado exclusivamente do ponto de vista natural. Primeiro, será que Pedro entendeu essa história de ser "pescador de homens"? Provavelmente não! Você deve concordar que foi um "convite" muito estranho. Não é a mesma coisa que receber uma proposta do tipo: "Deixe o ramo de pesca e venha trabalhar com petróleo"! No entanto, o mais surpreendente é que Pedro aceitou e... deixou tudo!

A atitude de Pedro e de seus companheiros só pode ser entendida por quem conhece o fascínio, o magnetismo, a atração incomparável que Jesus exerce. Aqueles homens ouviram o Seu ensino, a Sua palavra cheia de autoridade; perceberam o poder que emanava de Sua pessoa; o versículo 8 e a palavra de Jesus, "Não temas...", registrada no versículo 9, nos mostram que o temor os invadiu. Mas Jesus não era apenas um homem com poderes, que devia ser temido. Tratava-se de Alguém que, no fundo do ser, despertava amor. O que aconteceu com eles foi exatamente o que tem acontecido com cada ser humano que, no decorrer dos últimos vinte séculos, tem se tornado discípulo de Jesus: ficaram apaixonados por Ele.

Nosso relacionamento com Jesus se materializa no deixar e seguir. Se, após um encontro com Jesus, a sua "empresa de pesca" continuar ocupando o primeiro lugar, você jamais será próspero, ainda que venda com lucro todos os peixes apanhados na pesca maravilhosa.

Deus deseja levantar homens prósperos neste tempo, mas esses homens tem que estar ligados a Jesus por um vínculo indissolúvel. Em primeiro lugar, Jesus! Por ele deixamos tudo, passamos tudo para segundo plano. Sua empresa, seus negócios, sua vocação profissional, nada pode vir antes do seu compromisso com o Senhor. E isto, evidentemente, se materializa em questões práticas. Quem está comprometido com Jesus, está comprometido também com Seu Reino. Quem está vinculado ao Reino de Deus, obedece suas leis. Você não pode tolerar "maracutaias", ou servir-se de expedientes escusos. Como discípulo de Jesus, você não pode adotar posturas que contrariem os princípios do Reino. Isto não se refere apenas a "não matar, não roubar", mas desce a detalhes importantes: sua atitude básica, que deve ser de obediência e sujeição ao Senhor, seu egoísmo, que deve ser diariamente negado, suas motivações, que devem passar constantemente pelo crivo do Espírito Santo, etc.

Uma palavra para hoje

O Senhor está liberando esta palavra à Sua Igreja nestes dias: Ele quer homens e mulheres prósperos, mas esses homens e mulheres devem viver um compromisso radical com Jesus. Às vezes, o compromisso com Jesus nos leva a perder. O próprio Pedro expressou essa realidade quando, tempos depois dessa experiência sobrenatural com o Senhor, disse a Jesus: "Eis que nós tudo deixamos e te seguimos: que será, pois, de nós?" (Mateus 19:27). Um empresário comprometido com o Senhor, se quiser manter esse compromisso intacto, em alguns momentos terá de perder aos olhos do mundo, para ganhar aos olhos de Deus. A resposta de Jesus a Pedro foi a seguinte: "E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e herdará a vida eterna" (Mateus 19:29). Outro texto ilumina ainda mais essa resposta de Jesus: "ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e no mundo por vir a vida eterna" (Marcos 10:29,30). De acordo com o Senhor, qualquer dimensão de perda, dentro do Reino de Deus, é compensada pelas próprias realidades que passamos a vivenciar dentro desse Reino. A Palavra de Deus não está dizendo nesse texto que, se você perder uma casa por amor a Jesus, possuirá cem outras casas; mas que as casas do Reino de Deus sempre estarão abertas para quem verdadeiramente segue a Jesus!

Este é o caminho da prosperidade segundo Deus. Não é um caminho "fácil", porque o próprio Jesus deixou claro que o Seu caminho era o estreito, e não o largo (veja Mateus 7:13,14). O caminho de Jesus não é o caminho das "macumbas evangélicas" para prosperar. A expressão pode parecer severa, mas é como muitos imaginam a Igreja! Não basta ir atrás de uma "oração forte". Você precisa estar disposto a abraçar o Senhor, comprometer-se com Ele, comprometer-se com Seu Reino. No seu coração deve brotar, intensa, a certeza: "Por Jesus eu deixo tudo!" Se você aceitar esse desafio, sem dúvida o Senhor poderá confiar prosperidade a você.

 

Pr. Rui Luis Rodrigues

 

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