Banco

de

Dados

 
     
   
Profetismo
       
       
     
     

 

 

ESTUDO SOBRE PROFETISMO

 

Luiz Ronaldo F. de Oliveira O profetismo está presente em quase todos os livros da bíblia. Inclusive no novo testamento, onde Jesus se apresenta como um profeta carismático e convicto de que o reino de Deus está próximo. O profeta tem por princípio defender a vida e promover a justiça. Por isso podemos dizer que o profeta é aquele que denuncia as injustiças, testemunha e anuncia o projeto de Javé.
 O 1º profeta que aparece nos escritos bíblicos é o profeta Natã que surgiu durante o reinado de Davi (2 Samuel 12). Durante o reinado de Salomão em 970 não aparece profetas, no entanto surge os primeiros escritos bíblicos. Em 930, durante o reinado de Jeroboão (1 Rs 12), surge um profeta anônimo e os profetas Aias, Elias e Eliseu. Mais tarde durante o reinado de Jeroboão II surge o profeta Amós, Oséias. Estes são os profetas que atuaram no reino do norte.
 No reino do sul, durante o reinado de Acaz e Ezequias (740 - 700), surge Isaias e Miquéias. De 640 a 605 durante o reinado de Josias surge os profetas Jeremias, Sofonias, Naum e Habacuc. Durante o exílio da Babilônia (587 - 538), tivemos a atuação dos profetas Ezequias, Isaias II, Abadias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías III, Zacarias e Zoel.
 Podemos classificar os profetas da seguinte maneira: 1º Pré-literato: Natã, Anônimo, Aías, Elias, Eliseu. 2º Literatos: Amós e Oséias (pertencentes ao reino do norte), Isaias, Miquéias, Jeremias, Nau e Habacuc (pertencentes ao reino do sul). 3º Os profetas do exílio: Ezequiel, Isaias II e Abadias.

PROFETA NATÃ
 O profeta Natã acusa um ato do rei, mas não denuncia o tecido social, não consegue atacar os problemas pela raiz e fica apenas nas questões periféricas. Conforme os textos 2Sm 11, Jz 9,7 e 1Sam 8, 10-18. O profeta Natã se manifesta nos textos como o conselheiro do Rei Davi, por isso, não se posiciona diretamente contra o rei, mas procura realizar sua missão de profeta em conformidade com o rei. Não é um profeta de grande expressão social. Não está muito preocupado em denunciar as injustiças e sim orientar o rei.

PROFETA ELIAS
 Em 874 o rei Acab reforçou a idolatria em torno do baalismo. Para reforçar o baalismo o rei procurou enfraquecer o Javismo. Neste contexto entra em cena a rainha Jezabel, que influenciava diretamente nas decisões e do rei Acab (1Rs 21, 1ss). Jezabel, filha do rei dos Sidônios, construiu um templo a baal e impôs sobre o povo o seu modo próprio de adorar a baal.
O profeta Elias “o Tesbita”, surge diante desta situação de dominação e imposição de falsos deuses sobre o povo pobre e desenformado. Durante seu período de profeta fez uma longa caminhada. Após ter anunciado uma seca, esconde-se em Carit por ordem de Deus. Quando o riacho secou Elias foi para Serepta, pertencente a Sidônia, onde revitalizou o filho da viúva (1Rs 17, 7-24). Se encontrou com Acab no monte Carmelo, desafiou os profetas de baal e desmascarou-os diante do povo, que os executaram na torrente de Quison (1Rs 18,140). Ameaçado pela rainha Jazabel, foge para Bersabéia e de lá vai para o monte Horeb, onde ungiu Hazael como rei de Aram e Jeú como rei de Israel. Escolhe Eliseu para ser profeta em seu lugar (1Rs 19, 8-18). Em Abel-Meula lança o manto sobre Eliseu. Em Jezrael repreende Acab por causa da vinha de Nabot, de Guilgal sai acompanhado por Eliseu, passa por Betel e Jericó, atravessa o Jordão e é arrebatado ao céu por uma carroça de cavalos de fogo.
Elias procurou recuperar o Javismo e destruir o baalismo. Para isto, buscou critérios para propor as mudanças e elaborar seus argumentos a partir da experiência, que o povo viveu durante o tribalismo. O principal conflito enfrentado pelo profeta Elias se dá em torno dos projetos existente na época. De um lado temos o rei, juntamente com a elite dominadora, propunham a crença no deus baal para dominar e desviar a atenção do povo. Do outro lado encontramos o povo, pobre e explorado, mas que ainda acredita no Deus Javé, que tirou seus pais do Egito, que dirigi-os a uma terra de leite e mel. Neste sentido, o profeta Elias, procurou testemunhar o Deus Javé, denunciar os falsos deuses com seus falsos projetos e anunciar dias melhores, onde a solidariedade era o critério máximo da organização do povo.

PROFETA ELISEU
 O profeta Eliseu foi ungido por Elias para dar continuidade a profecia por ele iniciada. O contexto histórico e social continua sendo o mesmo, os conflitos giram em torno da desigualdade social, do uso indevido dos bens públicos, da corrupção do rei, etc... O povo pobre e explorado não tem condições de sair da crise sozinho, por isso que o profeta tem um papel muito importante nesta relação desigual entre ricos e pobres.
Os acontecimentos entre Elias e Eliseu recorda a libertação do povo da escravidão Egípcia (2Rs 2,8), é uma retomada da caminhado do povo para fortalecer e encorajar a luta contra os projetos de morte e escravidão. Os textos bíblicos, que falam sobre Eliseu, são lendas que narram a prática do profeta em defesa do projeto igualitário de Javé. Ao mesmo tempo, querem mostrar a força da profecia diante da corrupção, por isso aparece a intervenção do profeta junto a natureza, por meio de Javé.

PROFETA AMÓS
 Amós é um vaqueiro cultivador de sicômoros (7,14) natural de Técua, ao sul de Belém. Como aparece claramente em (7,14), ele não pertencia a uma corporação de profetas a serviço do culto. Mas sim, foi chamado por Deus que o enviou ao reino do Norte para denunciar os abusos aí existentes. Passou a atuar como profeta nos últimos anos do reinado de Jeroboão II entre os anos 760 - 750 aC. Sua missão não durou muito, pois foi acusado de subversivo, junto ao rei, pelo sacerdote Amasias. Foi expulso do reino do Norte e voltou a sua pátria (7,10-17).
 Denunciou o modelo social de sua época, as injustiças, a prostituição, a ganância, a corrupção, o culto idolátrico e todo tipo de relação desigual entre os camponeses e a elite urbana. Proponhe a conversão a Javé e ameaça as cidades vizinhas com castigos severos.
 A estrutura literária do livro de Amós parece bastante clara. Os dois primeiros capítulos contêm uma série de oráculos contra os povos vizinhos e encerra com um oráculo contra Israel. A segunda parte compõem-se de diversas coleções de oráculos isolados contra Israel. A terceira parte reúne cinco visões do profeta. Entre a terceira e a quarta parte foi introduzido um relato em terceira pessoa sobre o episódio de Betel, que narra o encontro de Amós com o sacerdote Amasias e a expulsão do profeta. Em 8, 4-9,10 encontra-se uma outra coleção de oráculos isolados. O livro termina com um oráculo salvífico. No processo de formulação do livro foram acrescentados palavras e oráculos de épocas posteriores, bem como as doxologias.

PROFETA OSÉIAS
O profeta Oséias atuou durante o reinado de Jeroboão II (786-746). Com a morte de Jeroboão II se instalou, em torno da Samaria, uma disputa interna e brigas pelo poder. Ocorreu uma sucessão de mortes e de golpes para assumir o reinado, gerando ambiente de morte e de violência.
 Oséias procura denunciar a idolatria, por isso fala tanto de prostituição, pois o povo está prostituído adorando outros deuses e esquecendo a aliança e toda a experiência do deserto. Denuncia também as alianças econômicas que Israel fez com povos estrangeiros. Estas alianças escravizam o povo e exploram os pobres e indefesos da sociedade.
 A eira por ser o coração da sociedade judaica é também o ponto de partida na profecia de Oséias. Procura denunciar as causas últimas da exploração e recuperar o sentido original da eira, exigindo do povo conversão radical para que a mudança aconteça de maneira integral. Oséias percebe que não basta pôr remendos, mas é necessário fazer uma reforma integral.
 A profecia de Oséias apresenta claramente, através dos oráculos, a profunda corrupção moral, social e religiosa de Israel. No entanto, apresenta também acentos de profundo carinho e de esperança. O caminho da conversão continua aberto a Israel, o profeta exige do povo um verdadeiro conhecimento de Deus como único caminho para uma conversão sincera. Oséias anuncia um Deus misericordioso que acolhe seu povo e perdoa por suas infidelidades.

PROFETA ISAIAS I
 Profetizou no Reino de Sul. Viveu num dos períodos mais conturbados da história da Síria-Palestina, região onde as duas grandes potências da época, o Egito e a Assíria, disputavam a hegemonia. Após um longo período de prosperidade, marcado pelo luxo da classe dominante e pela exploração dos pobres, Judá entra numa fase confusa em relação a política internacional. Pois, o Rei Ezequias (714 aC), rompe o tratado de vassalagem com os Assírios e pretende fazer uma reforma religiosa, agradando assim os Babilônios e os Egípcios, no entanto desagradando os Assírios que ameaçaram invadir Judá.
Isaías durante sua missão de profeta viu seu país ser invadido e devastado por três vezes. Durante a guerra Sírio Efraimítica duas vezes e uma vez pela invasão Assíria. Portanto diante do contexto internacional Judá era ameaçado constantemente pela potências vizinhas, no contexto nacional se vivia uma situação de exploração dos ricos sobre os pobres, principalmente dos governantes e profetas do rei.
O Profeta Isaías conduzia sua profecia observando três aspectos: Deus e sua obra, Deus e seu povo e o Messianismo. Estava preocupado com os órfãos e a viúvas, que somavam grande número, devido as constantes guerras. Denunciou a política de Acaz e a aliança Sírio-Efraimita, bem como combateu a corte palaciana devido as injustiças cometidas contra o povo. Anunciou o “dia de Javé” e o “futuro novo”, numa tentativa de dar crédito a Jerusalém. Testemunhou Javé combatendo o culto idolátrico, formal e vazio. Isaías foi um profeta que teve a experiência do poder, por isso se distanciou do poder para profetizar.

PROFETA MIQUÉIAS
O profeta Miquéias é apresentado no título introdutório do livro como um judeu originário de Morasti, uma pequena localidade situada a sudoeste de Jerusalém. Embora Mq. 1,1 situe a atividade profética de Miquéias nos reinados de Joatão (750-734 aC), Acaz (732-727 aC) e Ezequias (727-698 aC), é mais provável que tenha atuado apenas durante o reinado de Ezequias e mais precisamente entre os anos de 725 e 711 aC (cf. Jr 26, 18).
 São considerados textos originais de Miquéias os capítulos: 1,1; 2,11; 3,1-12; 6, 1-7,7. Os textos 2,12-13; 4,1-5,14; 7,8-20, são considerados acréscimos pós-exílico.
 Enquanto que para Isaías o “meu povo” são os órfãos e as viúvas, para Miquéias o “meu povo” são os pequenos agricultores, que estão sendo explorados pelos comerciantes e moradores da cidade. Por isso, a denuncia de Miquéias vai diretamente contra a cidade. Anuncia a libertação dos pobres a partir do Êxodo e testemunha Javé como o único Deus capaz de resolver o problema concreto dos agricultores explorados.

PROFETA JEREMIAS
 O profeta Jeremias, não foi diferente dos demais profetas, procurou responder ao chamado de Deus anunciando denunciando e testemunhando junto ao povo. Era filho do sacerdote Helcias, sacerdote do interior que exercia suas funções sacerdotais somente quando era convocado. Jeremias nasceu em 645 aC, em Anatot, pequena cidade próxima de Jerusalém.
Jeremias profetizou durante um longo período, conturbado e desafiador, onde o povo sofria repressões internas e externas. A “elite política e militar estava dividida em dois partidos: um a favor do Egito e outro a favor da Assíria. Andavam atrás de falsas alianças, abandonando o povo a um destino amargo e triste”. Viveu o período trágico em que se preparou e se consumou a ruína do reino de Judá.
De 697 a 642 aC. Judá era governada por Manassés, autoritário, explorador e opressor do povo. O seu sucessor foi Amon, filho de Manassés e carrasco do povo, foi pior que o pai. Com a morte de Amon surge um novo tipo de poder, mantido agora pelo chamado “povo da terra”.
Quando Josias assumiu o poder tinha apenas 8 anos, até completar a maioridade quem tomava as decisões e decretava no governo era um grupo que representava o “povo da terra”.
Durante a reforma religiosa e a restauração nacional, que se efetuou durante seu reinado, havia esperança de dias melhores. No entanto, o rei Josias foi morte durante um combate em Meguido, em 609, desta forma, a reviravolta do mundo oriental, a queda de Nínive e a expansão do império Caldeu sufocou e desmantelou as organizações do povo judeu.
 Com a morte de Josias foi posto a frente do governo de Jerusalém Joacaz, filho de Josias, representante do povo da terra. Governou durante três meses e foi deposto pelos egípcios, que impuseram no governo seu irmão Eliaquim, que passou a ser chamado de Joaquim. O Rei Joaquim introduziu pesados impostos sobre o povo para satisfazer aos egípcios. Permitiu a introdução de ídolos na cidade e no templo e colocou os sacerdotes a serviço do culto idolátrico para manter os caprichos de rei.
 Já em 597 aC, durante o reinado de Sedecias, ocorre a tomada de Jerusalém por Nabucodonosor e a deportação dos líderes para Babilônia. Jeremias exerce sua função de profeta, junto aos exilados, enviando cartas aos que estavam prestando serviço na Babilônia.
 Como principal denuncia de Jeremias podemos destacar sua preocupação em relação ao templo e ao culto a Javé. O rei Joaquim permitiu a entrada de ídolos no templo de Jerusalém e banalizou a importância do templo enquanto espaço sagrado de culto a Javé. O culto foi reduzido a sacrifícios de animais e de crianças, satisfazendo aos ídolos estrangeiros e mantendo a situação de dominação política, submissão econômica, desintegração social e abuso da fé alheia. Esta atitude do rei deixou Jeremias enfurecido, que passou a combater ardentemente a idolatria e a prática dos sacerdotes.
 Os profetas do culto, que profetizavam em favor do rei, foram denunciados por Jeremias porque faziam falsas promessas ao povo para manter a situação de opressão e de dominação imposta pelo sistema vigente. O amor do profeta Jeremias pelas coisas de Javé serve de alimento na caminhada, pois proclama abertamente “Tu me seduziste, Javé e eu me deixei seduzir” (Jer. 20,7). A partir desta profissão de fé o profeta deixa claro que sua opção por Javé vai além de suas limitações pessoais e de sua vontade própria.

PROFECIA DURANTE O EXÍLIO
 As deportações ocorreram em três etapas, sendo que os deportados formam dividido por funções e classes sociais. Por fim o resto do povo foi levado para as margens do rio cobar (Tel-Abib). Os deportados perderam terra, cidade/muros, palácio, templo/altar, culto/sacerdote, rei e o projeto em torno da monarquia.
 O povo passou a viver guiado por ideologias estranhas ao estilo de vida anterior, a astrologia, enquanto ideologia religiosa, dominava e direcionava as práticas de fé. Este e tantos outros fatores, como a fome e a miséria, fortaleceu a idéia de que Javé havia abandonado seu povo.
 Durante este período entra cena o Ezequiel, sacerdote que procurou organizar o povo em pequenos grupos, posteriormente veio a ser chamado de sinagogas, utiliza meios orais e escritos para recordar o período do Tribalismo e encorajar o povo numa perspectiva de libertação. A profecia de Ezequiel consistia basicamente no testemunho e na convicção de que dias melhores virão, “surgirá novos céus e nova terra”. Denuncia os “filhos de Israel”, os sacerdotes, os profetas do rei, os juizes e tantos outros que estavam submissos aos projetos totalitários e dominadores. Seu anuncio girava em torno da proposta de que “Javé reunirá seu povo” (11, 14-18), “dará um coração novo e um espírito renovado” (11, 19-21) e “ressuscitará o povo” (37, 1-14). No entanto, para isto exige do povo mudança de coração e de mentalidade, que consiste na tomada de consciência, para através da organização alcançar a libertação.
 Durante o período do exílio temos notícias de mais dois profetas que marcaram época. Isaías Júnior, atuou no final do exílio, e anunciava Javé como o único e verdadeiro Deus, propôs o resgate do êxodo como forma alternativa de libertação. A elaboração do texto de 1 gêneses  certamente é deste período. Outro profeta importante é chamado de Isaías III (538), que retomou aspectos da vocação do profeta e proclamou que a utopia da salvação está no Deus Javé.
 

 


Volte aquí

 

 

STARMEDIA        CERRAR