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O uso do corpo

 

 

 

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacri-fício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”(Romanos 12.1)

Responda rápido: você é um espírito que possui um corpo; um corpo que possui um espírito, ou é ao mesmo tempo corpo e espírito? Como pode ter percebido, não é muito fácil responder a uma questão como essa. Qualquer resposta que você possa dar, certamente exigirá explicações. Na realidade, filósofos, teólogos, religiosos e cientistas têm dado as mais diversas interpretações ao significado do corpo humano. Modernamente, a maioria dos estudiosos concordam que o corpo não é uma coisa ou um obstáculo, mas é parte integrante da totalidade humana. Uma pessoa não tem um corpo; ela é um corpo que ao estabelecer contato com outra pessoa se revela por gestos, atitudes, olhares e sentimentos. Costumamos afirmar que conhecemos as pessoas pelo olhar, pela voz ou pelo contato físico. Modos de andar, de sentar ou de falar revelam seu caráter. Psicólogos e analistas costumam dizer que o corpo fala. Podemos concluir, de acordo com esses conceitos, que o corpo é parte integrante e reveladora da individualidade, e que o homem é também o seu corpo, que o revela aos outros e ao mundo. Sendo o corpo a parte da individualidade em contato direto com as coisas e a natureza, e a sede das sensações, incluindo-se aí as que promovem o prazer, é de se esperar que, naturalmente, o ser humano se realize com as experiências sensíveis. Acontece que o corpo, por sua natureza biológica, apenas sente, mas não julga as sensações. Isso fica por conta do cérebro que, pela sua funcionalidade, depende de outras informações, principalmente externas, para determinar comportamentos ao corpo. É aí que entra a Palavra de Deus quando diz que ao apresentarmos os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, estamos rendendo um culto racional. O sacrifício do corpo reside na determinação de não ceder às suas sensações simplesmente pelo prazer que elas podem proporcionar, bem como renunciar a certos prazeres para dar lugar a algo mais importante, como no caso, a vida de acordo com a Palavra de Deus.

Um sacrifício vivo

A Bíblia diz que Deus é Deus dos vivos e não de mortos: “Eu sou o Deus de Abrão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos”.(Mateus 22.32.). Quando a Palavra de Deus se refere ao corpo como sacrifício vivo está deixando claro que se refere a ele com toda a sua potencialidade. Trata-se, portanto, de desejos, paixões, sentimentos, prazeres e coisas desse tipo que devem ser colocadas no altar por parte daquele que aceita o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador.

Um sacrifício santo

Santidade é sinônimo de separação e dedicação. Relacionada ao corpo fala da sua separação quanto à utilidade e necessidades que o mundo dá a ele. O corpo do cristão é templo do Espírito Santo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6.19.) Ora, sendo assim, a utilidade do corpo é aquela que o Espírito Santo determina. Os atos pecaminosos não têm mais lugar na vida daquele que tem o Espírito de Deus: “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum” (1 Coríntios 6.15.) Por outro lado, santo é aquele que se separa do pecado para a obra de Deus. Não basta deixar umas coisas; é preciso fazer outras. Infelizmente, muitas pessoas se julgam santas por terem deixado algumas práticas pecaminosas, mas não se dedicam a nada na obra de Deus; isso não é santidade.

Sacrifício agradável a Deus

Existem pessoas que fazem os mais diversos tipos de práticas, rituais ou sacrifícios envolvendo o corpo, pensando com isso estarem agradando a Deus, mas, pelo contrário, até entristecem o nosso Pai. O sacrifício do corpo deve ser agradável a Deus e nisso, certamente não se inclui a auto-flagelação, jejuns prolongados, mutilações ou desprezo, como fazem muitos religiosos. O sacrifício a que se refere a Bíblia é o do corpo do pecado, ou seja, o corpo dedicado e entregue aos desejos mundanos. Na Sua morte, o Senhor Jesus crucificou o nosso homem velho com Ele ao nos dar condições de, pela Sua Palavra e pelo Seu Espírito, podermos nos libertar do pecado: “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado.” (Romanos 6.6)

O verdadeiro sacrifício

O apóstolo Paulo tinha consciência da tremenda luta que travava consigo mesmo quando era tentado a dar lugar às vontades do corpo em detrimento da total santificação a Deus. Sabia que dependia da sua liberdade de escolha o bom ou mau uso do seu corpo, por isso, considerava-se um miserável, pois por si mesmo não podia agir corretamente; se o fazia era pela graça e pela misericórdia de Deus. Compreendia que, se dependesse da sua força, apesar da sua cultura e sabedoria, não passava, como diria o bispo Macedo, de um “estrume do cavalo do bandido”: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”(Romanos 7.24.) Entretanto, dando lugar ao Senhor Jesus na sua vida, podia confiar, pois aí, já não era mais ele quem vivia, mas sim Cristo n’Ele! Este é o verdadeiro sacrifício do corpo: considerá-lo como pertencente ao Senhor Jesus e deixá-Lo habitar nele.

 

 


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