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Messianismo
       
       
     
     

 

Entrevista com Marcelo Miranda Guimarães do Ministério Ensinando de Sião-Brasil - Filiado ao Netivyah Bible Instruction Ministry- Jerusalém - Israel Assunto: Judaísmo Messiânico
 
 

Crente há 13 anos, este bem sucedido engenheiro executivo de uma grande Multinacional largou tudo o que fazia para se dedicar a um ministério que cada vez mais vem ganhando notoriedade no meio cristão. Descendente de judeus portugueses, Marranos, Marcelo Miranda Guimarães hoje lidera o Ministério Ensinando de Sião e faz parte de um movimento conhecido como Judeus Messiânicos, onde o principal destaque são os inúmeros judeus, descendentes diretos e indiretos, que crêem e proclamam a Jesus Cristo (na língua hebraica, Yeshua Ha Mashiach)como o Messias, Senhor e Salvador da humanidade. 

Marcelo não se cansa de dizer que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador, O Messias esperado, até hoje, por milhões de judeus em toda a terra. Seu alvo pode ser resumido na tarefa de contar e revelar a estes judeus que seu Redentor já veio, e que está prestes a buscar Sua Igreja que, pela Bíblia, é constituída por judeus e gentios. O outro grande alvo do seu ministério é ajudar a Igreja restaurar suas raíze judaicas da fé cristã que foi perdida ao longo da história. O que queremos e precisamos, urgente, é melhorar a qualidade da fé, afirma Marcelo. 

Como e quando começou o movimento dos judeus messiânicos?

Até o ano 70 depois de Cristo, havia mais judeus cristãos do que gentios. A partir do ano 70, no período pós-paulino, o número de gentios passou a ser maior que o número de judeus crentes. O judeu crente sempre existiu ao longo da história. O judeu, quando se converte, não gosta de ser chamado cristão porque este nome hoje se aplica a vários segmentos do Cristianismo: Catolicismo, Espiritismo, Testemunhas de Jeová e outros. Além do mais, o cristão trouxe para o judeu um grande terrível trauma e desagradáveis lembranças em termos de perseguição. Basta citar, por exemplo, o período pós Constantino, as Cruzadas da idade média, a Inquisição de Roma, os inúmeros Éditos e as Encíclicas Papais, como o Concílio de Nicéia, a passividade do meio cristão no período do holocausto, etc. A grande acusação do Cristianismo era que o judeu havia matado o Cristo. Isto provocou uma grande barreira entre o Cristianismo e o Judaísmo. Então os judeus, quando se convertem, optam pelo nome "messiânico" que vem da palavra Mashiach (em hebraico, "Messias") que quer dizer "Ungido", assim como "Cristo" na língua grega. 

Quem são os judeus messiânicos hoje?

O Movimento Judaico-Messiânico, que na verdade se originou na época de Jesus, lançou raízes no começo do primeiro século. Sempre houve judeus messiânicos ao longo da história, mas este movimento alcançou maior força a partir da tomada de Jerusalém em 1967. Como sabemos, houve um grande mover do Espírito do Senhor em renovação e avivamento. Sabe-se que quase todos os movimentos carismáticos, pentecostais existentes hoje, bem como inúmeras novas denominações nasceram no ano de 1967. O Movimento judaico-messiânico não foi exceção. Mas, que é o judeu messiânico ? Judeu messiânico é aquele que é judeu, descendente ou ascendente, crente converso na pessoa de Yeshua Ha Mashiach (Jesus, o Messias). Na nossa opinião, o gentio também pode, se quiser, abraçar a causa de Israel e viver messianicamente, da mesma forma que um judeu, pois há base bíblica para isto. Mas, é importante que se diga que Ser messiânico é ter o estilo de vida de acordo com o judaísmo bíblico da Torah. O judeu messiânico não é aquele que apenas se torna crente. Embora na graça, ele não deixa de ser judeu e nem abandona seu estilo de vida ditado pela Torah e pelas tradições bíblicas. Por exemplo, um judeu batista ou presbiteriano não pode dizer que é um judeu messiânico, caso seu estilo de vida não for condizente com o mencionado acima. Em outras palavras, judeu quando se converte a Jesus não deixa de ser judeu, como também gentio não deixa de ser gentio. Cada um continua na situação em que foi chamado, nos ensina o apóstolo Paulo.

E em quê esse estilo de vida é diferente do estilo de vida de um crente não messiânico? 

Em termos de fé, ele não difere em nada. A Torah não salva. O Velho Testamento (a Tanach) não pode, por si só, trazer salvação. O que traz salvação é a Graça de Deus, o Evangelho de Jesus. Mas a Torah nos traz qualidade de vida. O messianismo tem como característica, então, a qualidade de vida de acordo com os princípios da Lei de Deus. Jesus não anulou esses princípios; a Graça não anula a Lei. Eu sou salvo pela Graça, mas a Lei e o princípio da Lei continuam existindo. Um exemplo do estilo de vida de acordo com a Torah é o adotar a filosofia bíblica e judaica no vestir, no comer, no trabalhar, no pensar, no hábito de estudar a Palavra de Deus, na tradição de pensar na Bíblia 24 horas por dia. O judeu messiânico se vale de símbolos que o fazem lembrar da aliança que tem com o Senhor. Por exemplo, ele coloca em suas portas a Mezuzah. Este objeto contém o trecho de Deuteronômio 6:8-9, no qual Deus ordena ao povo que coloque em suas portas uma lembrança de que deveria guardar os mandamentos de manhã, de tarde, andando, trabalhando, dormindo, e em todos os momentos. Além disso, ele deve passar isso para os seus filhos. É muito mais que uma religião cristã, é uma filosofia de vida. Hoje, no nosso ministério, existem dois tipos de pessoas: os judeus, como eu, ascendentes ou descendentes direto, e temos também os não judeus. Qual a diferença? Em Cristo, nenhuma. Todos vivem pela Graça. Só que o judeu tem o direito de viver messianicamente, de acordo com a Torah. E o não judeu tem a opção de viver ou não conforme a Torah. 

Mas, o gentio vivendo messianicamente, não estaria judaizando ?

Primeiro, temos que definir o termo "judaizar". No dicionário da língua Portuguesa encontramos a definição que judaizar é praticar os ritos e leis dos judeus total ou parcialmente. Assim, se tomarmos este conceito, toda igreja está judaizando, pois, dízimos, batismo, ceia, casamentos são preceitos judaicos. O que precisa ser esclarecido é que tudo aquilo que cremos ou praticamos deve ter respaldo Bíblico. O judaísmo bíblico não é pecado, ele é a base do cristianismo. Segundo, há promessas específicas para Israel, há promessas para a Igreja, que inclui os gentios e judeus crentes. O que o Apóstolo Paulo exortava veementemente era o caso de um judeu crente viver como gentio ou obrigar um gentio a viver como judeu, circuncidando-o, por exemplo.. Por outro lado, a Igreja é que foi enxertada na Oliveira que é Israel (Rm11). Assim, a Igreja tem a seiva do judaismo bíblico ( o direito ) e pode participar de todas as bençãos do Antigo Testamento dadas ao povo de Israel. Mais uma vez, o dízimo é um bom exemplo dessas inumeráveis bençãos e deve ser obedecido e praticado por todos, mesmo se dado somente aos filhos de Israel. Terceiro, Jesus não anulou a Lei ( mandamentos, estatutos e ordenanças) do Antigo Testamento. Ele as cumpriu. Não devemos optar pelo legalismo da Lei, mas sim, pelo princípio da Lei de Deus que nos trazem bençãos. Isto não é judaizar. 

Como você se envolveu com o movimento messiânico?

Eu sou, assim como milhares e milhares de brasileiros que têm descendência judaica, descendente dos judeus portugueses e espanhóis que foram denominados de Marranos ou de cristãos novos. Esses judeus vieram para o Brasil fugindo da Inquisição Espanhola (mais tarde, romana) que depois passou a vigorar em Portugal. O descobrimento do Brasil foi uma abertura do Mar Vermelho para estes judeus ibéricos. O primeiro judeu a chegar aqui foi Gaspar Lemos, com a expedição de Pedro Álvares Cabral. Daí em diante, então, não pararam de chegar judeus portugueses perseguidos pela Inquisição, como o caso de Fernando de Noronha que trouxe um grande grupo de Judeus. Eu sempre tive um amor especial por Israel por tradição da minha família, e agora estou restaurando as minhas raízes e sugiro que todo brasileiro que tem sua ascendência judaica portuguesa ou marrana que façam o mesmo. Afinal, Deus nunca rejeitou seu povo escolhido e há ainda promessas futuras que Se cumprirão nessa nação. Os judeus messiânicos tem papéis importantes e Proféticos que precisam ser cumpridos. Bem, eu conheci este movimento através de um anúncio, em uma revista americana, que dizia que os judeus estavam se convertendo, e aquilo mexeu comigo. Eu já era crente. Quando descobri que havia judeus crentes em Jesus eu falei, "Opa. Quero saber o que é isso". Guardei aquela folha de papel na esperança de ir a Israel. Quatro anos depois, eu cheguei a Jerusalém e procurei aquele endereço da revista. Eu tive o primeiro encontro com o presidente mundial do Netivyah, Joseph Shulam, e descobri a maravilha que é ser um judeu crente em Jesus. 

 

O que você fazia até então?

Eu era um pastor batista. Na verdade, eu sou engenheiro. Fui um alto executivo da Mannesmann durante 25 anos, e me converti há 13 anos. Meu passado e minha formação teológica foram batista. Quando eu comecei a resgatar minhas raízes judaicas, eu me empolguei muito. Descobri a qualidade da fé e os maravilhasos princípios da Torah que ainda precisam se tornar realidade nas igrejas cristãs. Então eu falei, "Vale a pena encerrar minha carreira de engenheiro e me dedicar cem por cento, full time, ao messianismo". Faz uma ano que abdiquei de todo o meu trabalho secular. 

Como alcançar os judeus?

Eles formam um dos povos mais difíceis de serem alcançados. Se você prega para um muçulmano, você confronta o Alcorão com a nossa Bíblia e ele quase que se converte sozinho. Pois ele vai perceber o alto padrão moral que a Palavra de Deus oferece se comparada com o Alcorão. Logo, ele tem que largar mão daquilo em que creu até então, passar a crer em Jesus e, pela Graça, ser salvo. Para o judeu é muito mais difícil porque o judeu já tem a filosofia de vida e a crença no Deus Único de Israel. Ele é muito mais fiel do que qualquer outro povo que tenha vários deuses. Aqui mesmo, no Brasil, tem gente que crê em horóscopo, astrologia, cartomantes, quiromantes e em outros tipos de deuses. O judeu já crê no Deus correto. Ele já vive uma filosofia conforme o livro inspirado pelo Espírito Santo, que é o Velho Testamento. O mesmo Espírito que escreveu os evangelhos no Novo, escreveu os livros do Antigo Testamento. Hoje, nós temos que alcançá-los pelo testemunho de vida: fazendo amizade com eles, orando com eles, vivendo e tendo aliança com eles. Aqui entra uma parte importante do meu ministério que é despertar nas igrejas cristãs um amor que as conduza à intercessão pela salvação do povo e pela nação de Israel. Israel é o único país para o qual existe cumprimento profético como nação, diz a bíblia. O papel da Igreja é exercer misericórdia para com este povo, porque nós estamos enxertados neles (Ver Romanos 11). É necessário que a Igreja de Jesus interceda por eles. Somente o poder do Espírito Santo pode fazer com que as vendas dos seus olhos sejam quebradas e eles possam conhecer, conforme profecia de Zacarias 12, que Jesus é o Messias. Aí sim, depois dessa etapa, haverá a vinda definitiva de Jesus. O Messias não volta em Glória se Israel não se converte, porque este é um cumprimento profético. A Igreja ded Jesus precisa tomar posse disso. 

Como é o processo de conversão do judeu?

O grande erro do Catolicismo, do Cristianismo em si, foi tentar converter o judeu a Jesus e fazer com que ele largasse a sua religião. Se o judeu já crê no Antigo Testamento, ele não tem que largá-lo ou deixá-lo. Ele precisa somente crer em Jesus, o Messias do Novo Testamento. Não é pela Lei, é pela Graça. Hoje, o Movimento Messiânico difere de outros movimentos cristãos porque ele não obriga o judeu a "se converter" a uma religião. Ele pode, tranqüilamente, continuar sendo judeu, tendo somente que crer em Jesus. Ele não tem que se tornar batista ou presbiteriano,etc. para ser salvo. Ele pode se quiser; mas ele já é judeu. Se for um judeu religioso, que crê no Velho Testamento, deve passar a crer no Novo Testamento e ser salvo pela Graça. Eu creio que quando o judeu se converte, como ramo natural vai ter a condição de entender de modo muito mais completo o contexto judaico do Novo Testamento. Pelo fato de já ter habilidade com o Velho, vai entender muito mais o contexto dos Evangelhos, das cartas de Paulo. Ele não precisa passar por Roma para entender a Bíblia. Então ele passa pelo processo da Graça. Vai ter todo benefício que qualquer crente tem: novo nascimento, libertação; mas tem uma coisa em que ele sai ganhando: a qualidade de vida. O judeu que tem fé está fundamentado na Torah, nos livros históricos e nos Profetas do Antigo Testamento, os quais não trazem salvação, mas trazem mais conhecimento da pessoa de Jesus, da pessoa de Deus; trazem mais santificação, separação, pelo estilo de vida mais dedicado aos ensinamentos bíblicos. 

O que o judeu não messiânico sabe a respeito de Jesus?

Em geral, eles não admitem Jesus como Messias. Têm Jesus como um profeta, um mestre. E eles não gostam muito da palavra "Jesus", nem da palavra "Cristo". O judeu vê o Cristianismo como inimigo, por causa de Roma, do período das Cruzadas, e do holocausto. Neste mesmo período, o próprio meio evangélico (luterano, especificamente) foi bastante anti-semita na pessoa de Lutero. Este importante reformador, quando dos momentos últimos de sua vida, amaldiçoou o povo judeu e a nação de Israel. Isso tudo causou ao Cristianismo reformista uma perseguição anti-semítica ávida. O judeu vê o cristianismo como responsável pela morte de seus pais; como aquele que os perseguiu e culpou, acusando-os da morte de Cristo. Eles se sentem vítimas de um assassinato que não houve. O judeu fala: "Eu nunca matei". Pelo fato do soldado Romano ter batido o prego na mão de Jesus, eles dizem, "Vocês não podem culpar o povo italiano pela morte de Jesus e assim também não podem culpar os judeus porque judas o traiu. Na verdade, quem O matou foram nossos pecados. Ele se entregou por nós. Ninguém matou Jesus. Mas para o judeu, o Cristianismo e o Catolicismo entenderam que eles (os judeus) mataram Jesus. Por isso vêem com maus olhos os cristãos e é difícil para eles se converterem. O judeu só converte quando a Igreja de Jesus descobrir que o inferno não prevalece contra ela. O dia em que ela tomar consciência de que vence o inferno, poderá interceder por Israel. Então Israel terá seus olhos desvendados e se converterá. 

O que motiva a conversão do judeu?

Primeiro, nós temos que separar aquele judeu incrédulo, o ateu. Um judeu ateu se converte como qualquer gentio. Arrependimento, sofrimento, perseguição, crise. Ele se converte como qualquer outro por ser ateu. Agora, o judeu religioso e que vive a Torah, este quando se converte, converte-se com argumentos, encontrando a pessoa do Messias no próprio Velho Testamento. Esse é o grande clique para sua conversão. Seja quando ele enxerga por si só, ou quando nós lhe fornecemos argumentos. Nosso ministério tem divulgado esse livro que eu lancei (A Pessoa do Messias nas Festa Bíblicas), por exemplo, para também converter os judeus. O judeu celebra as Festas na sombra porque ele não crê no Messias Jesus. Mas quando ele vê Jesus, o Messias que já veio, dentro da escritura dele (o Velho Testamento), ele se converte. Ele começa a ver que aquele Jesus, o Messias, que nasceu em Belém, criado em Nazaré, era o Messias dele. Ele não tem escapatória. Ele vê a Graça e entra nessa Graça, porque ele sabe que não tem condição de cumprir as 613 leis da Torah. 

Dá para dizer quantos judeus messiânicos há no mundo hoje?

Fora, no mundo, é possível calcular. Dentro de Israel é dificílimo. Se você diz em Israel que é um judeu crente, você não tem emprego e é perseguido. Isso acontece com nossa congregação de Jerusalém, em Israel. Eu diria que o número declarado hoje em Israel é de aproximadamente 10 mil judeus messiânicos. A população judaica em Jerusalém é de 4,5 milhões. No mundo hoje, o grande reduto do messianismo está nos Estados Unidos, principalmente em Dallas, Califórnia, Flórida e Nova Iorque. No Brasil, nós ainda não temos uma federação messiânica, como nos Estados Unidos, o que nos dificulta esse cálculo. Hoje, a população judaica no Brasil está perto de 350/400 mil judeus diretos, e o percentual de crentes é semelhante ao de Israel: perto dos 0,2 ou 0,3%. Agora, se você considera os judeus como eu, descendentes dos portugueses e espanhóis, que têm nomes brasileiros e portugueses, muitos são crentes e não sabem que são descendentes de judeus. Então é difícil calcular. Eu acredito que se considerássemos essa parte de judeus indiretos, ou ascendentes, este percentual seria bem mais alto. 

O que é importante entendermos a respeito da volta dos judeus para Israel?

É um cumprimento profético de Isaías 43, por exemplo, que diz que Deus reuniria todo o seu povo disperso pelo mundo. Isso volta, no nosso ver, ao cenário bíblico e profético da vinda do Senhor. Jesus está voltando. Disso nós não temos dúvida. O relógio de Deus, se ele tivesse um, seria Israel e as profecias que se cumprem nessa nação. Eu citaria não só os judeus voltando, pois todo judeu deve voltar. Essa é a nossa orientação. Além disso, temos outras profecias, como a do deserto florescendo. Israel é hoje o maior exportador de laranjas do mundo. Isaías diz que Israel seria o celeiro do mundo, o pomar do mundo. A profecia que mais mexe com meu coração é a do judeu crente em Jerusalém. É um pré-cumprimento de Zacarias 12:10, que diz que o judeu, em Jerusalém, reconhecerá que Jesus é o Messias. Não chegou esse tempo ainda, mas já existem congregações como a nossa, dentro de Jerusalém, professando a fé no Messias. 

Qual é a velocidade do crescimento dos judeus messiânicos?

Fora de Israel é muito grande. Dentro de Israel, o judeu messiânico é perseguido porque as leis não permitem o proselitismo. Há leis em Israel hoje que proíbem o judeu de se tornar crente na pessoa de Yeshua. Queremos despertar a Igreja para que ore pelo Messianismo, para que a conversão e o evangelismo dos judeus passem a ser uma realidade e tenham o crescimento que há em outras nações. 

Como os crentes podem ganhar os judeus de uma maneira efetiva?

Além da intercessão, é muito importante que a Igreja ajude aos missionários judeus que estão pregando em Israel. Pode ter um missionário não judeu pregando em Israel, mas o campo dele é muito limitado. Ele vai pregar só para ateus. Como Israel tem hoje uma população de 60 a 70% de religiosos, ligados a sinagogas, é muito difícil para o não judeu pregar para o judeu. A Igreja pode ajudar mantendo missionários. Hoje, um missionário nosso custa perto de dois mil dólares ao mês. Uma Igreja pode sustentar um missionário judeu que vai pregar em hebraico. Um doutor das leis. Há judeus brasileiros pregando em hebraico em Jerusalém. As Igrejas devem ajudar às congregações messiânicas em Israel a fazer o seu trabalho. O próprio Netivyah, a quem sou filiado, tem uma rádio com um programa diário pregando Jesus em Jerusalém e em todo território de Israel. Só que a rádio fica na Áustria, porque em Israel não pode haver rádio evangélica. O Ministério Ensinando de Sião Brasil em parceria com o MJBI (Messianic Jewish Bible Institute de Dalas - EUA) oferece a partir de fevereiro deste ano um Curso de Teologia Judaico-Messiânico. Este curso está aberto aos interessados que tenham chamado para trabalhar a favor do povo judeu e da nação de Israel. Ele oferece um complemento para quem já cursou teologia, pois oferece disciplinas 100% messiânicas que não são aprendidas num curso normal. A qualidade da fé será um dos fortes tópicos deste seminário. 

Como é a aceitação dos judeus messiânicos por parte dos líderes cristãos?

Aqui, em geral, é muito difícil. A igreja evangélica veio dos protestantes. Estes, por sua vez, vieram dos católicos e trouxeram alguns conceitos não bíblicos, como o de que a Igreja substituiu Israel. Isso não é bíblico. A Bíblia nunca disse isto. Pelo contrário, romanos 11 e Jeremias 31 dizem que Deus jamais rejeitou seu povo. As igrejas vêem isto com muita reserva. Não todas, mas a maioria delas têm uma resistência. Eles temem que os judeus messiânicos vão judaizar a Igreja gentílica. Na verdade, o termo "judaizar" é que tem de ser avaliado. Eu vejo uma aceitação difícil ainda, mas devagar esse quadro tem se modificado, e para melhor. A pessoa que vem aqui nos visitar, por exemplo, ama esta visão e passa a nos dar apoio. Como os judeus messiânicos vêem os acontecimentos recentes no Oriente Médio? O nosso conhecimento é o mesmo de qualquer outro crente. Não há paz. Israel quer trocar terra por paz. Na nossa opinião, isto já é parte do cumprimento da aliança que Israel fará com o Anticristo, como está na Bíblia. E nós sabemos que todo esse cenário já está sendo preparado para uma derrota de Israel, que estará atrás dessa paz. O argumento do judeu não crente é de que Salomão teria trocado terra por madeira com o Líbano. Por esta razão podem trocar terra por paz. Nós cremos que Jesus é aquele que trará paz a Israel. Ela somente virá com o Messias. A Bíblia diz que o Templo tem que ser reconstruído, mas no local está a mesquita muçulmana. 

Como isso vai acontecer?

De acordo com pesquisas e meus conhecimentos, existem plantas para reconstrução do Templo e utensílios sacerdotais preparados. Nós temos essas informações de judeus e irmãos nossos que moram lá. A resposta à sua pergunta é muito simples: Não sei. Deus sabe! Como? Eu não sei, mas que vai ser reconstruído, vai. E está muito perto. 

Marcelo Miranda Guimarães -Pastor Messiânico e estudioso da teologia judaica. Fundador e Presidente do Ministério Ensinando de Sião-Brasil Filiado ao Netivyah Bible Instruction Ministry-Jerusalem-Israel Engenheiro Industrial, pós-graduado pela FGV. Conferencista e Escritor.

 


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